Ficha do Proponente

Proponente

    Luiz Carlos Oliveira Junior (UFJF)

Minicurrículo

    Professor adjunto do Curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal de Juiz de Fora e do Programa de Pós-graduação em Artes, Cultura e Linguagens (IAD-UFJF), além de professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da ECA-USP. Autor do livro A mise en scène no cinema: do clássico ao cinema de fluxo (Papirus, 2013).

Ficha do Trabalho

Título

    Frontalidade e absorção: dois paradigmas representacionais

Seminário

    Cinema Comparado

Resumo

    A proposta desta comunicação é confrontar dois paradigmas de representação que marcam a história do cinema desde suas origens: frontalidade e absorção. Partiremos das noções de absorção e frontalidade tal como formuladas pelo historiador da arte Michael Fried em seus estudos sobre as relações entre pintura e observador nos séculos XVIII e XIX, sem perder de vista as problematizações conceituais e históricas implicadas pela transposição desse modelo teórico de um campo disciplinar para outro.

Resumo expandido

    Nos primeiros anos do cinema, a tela olhava para o espectador, cuja presença era reconhecida por aqueles que, na imagem, protagonizavam o espetáculo. O filme interpelava a plateia de frente, jogava abertamente com seu caráter de performance e exibição, convidava o espectador ao riso ou ao choque, configurando o que Tom Gunning (1990) designou como “cinema de atrações”. Mais tarde, durante o período de integração narrativa, tal frontalidade exibicionista se trocaria por um ilusionismo voyeurista, implicando uma dramaturgia fechada, uma autossuficiência do mundo representado, sem comunicação direta com o público. A realidade diegética pouco a pouco se tornaria um mundo à parte: uma barreira imaginária se interporia entre a plateia e o universo da ficção, precondição do efeito-janela do retângulo cinematográfico e de sua ilusão de realidade.
    Definem-se, assim, dois regimes estéticos, dois paradigmas de representação que não cessariam de se opor ao longo da história do cinema: de um lado, uma estratégia de afrontamento, uma imagem que interpela o espectador; do outro, um registro absortivo, uma imagem que não se dirige ao espectador senão no “modo denegatório” (AUMONT, 2004, p. 49).
    Esses dois paradigmas ecoam as noções de frontalidade e absorção investigadas por Michael Fried em seus estudos sobre as relações entre pintura e observador. Das pinturas de Chardin da década de 1730 às de Manet a partir de 1863, Fried observa uma transição entre um regime de absorção – caracterizado por suspensão da ação e captura da atenção, com o mundo representado se retraindo para dentro de si mesmo e fingindo ignorar a existência de um observador – e “uma estrutura de face a face” (FRIED, 2000, p. 169), em que a impressão de instantaneidade se substitui à temporalidade cumulativa do registro absortivo e a pintura se apresenta como uma superfície que encara o espectador.
    Embora devamos ter cautela ao empregar um modelo teórico elaborado para outro campo disciplinar, é preciso notar que a pesquisa de Fried repousa muito menos em uma análise histórica do que na proposição de um paradigma para se pensar a relação entre imagem e espectador, o que a torna pertinente em contextos diversos. Assumindo, portanto, que os termos de Fried constituem conceitos operativos na área da hermenêutica estética, mais do que definições de escolas estilísticas historicamente situadas, podemos transpô-los para uma análise comparativa entre formas cinematográficas de absorção e face a face.
    A discussão não se restringe ao contexto do primeiro cinema, quando da já mencionada passagem do “cinema de atrações” para a narrativa realista pós-griffithiana. Na verdade, a oposição entre frontalidade e absorção se desenvolve, sobretudo, dos anos 1960 em diante, com duas formas de radicalidade estética despontando nos cinemas modernos: uma estética de frontalidade (Godard, Varda, Sganzerla, Resnais, Schroeter, Oliveira etc.), que tem no olhar-câmera – no primeiro plano de um ator que encara diretamente o espectador – uma de suas figuras de estilo mais recorrentes, e um cinema de absorção, que compreende filmes de duração lenta, sem curva dramática expressiva, com personagens absortas em pequenas ações do cotidiano ou em situação de autoabandono, entregues à pura passagem do tempo. Essa estética de absorção – que tem Chantal Akerman como ponta de lança – se tornaria uma das tendências predominantes do cinema autoral entre meados dos anos 1990 e primeira metade dos anos 2010. Podemos pensar em Tsai Ming-liang, Lisandro Alonso, James Benning, Wang Bing, Hou Hsiao-hsien, entre outros.
    O objetivo desta comunicação é confrontar os paradigmas representacionais de absorção e frontalidade a fim de obter, pelo método comparativo, um possível caminho para compreender algumas linhas de força do cinema contemporâneo. Tomaremos dois filmes brasileiros da última década como exemplos: Mulher à tarde (Affonso Uchoa, 2010) e Vaga carne (Grace Passô e Ricardo Alves Júnior, 2019).

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. O olho interminável. São Paulo: Cosac & Naify, 2004.

    BURCH, N. Life to those Shadows. Berkeley: University of California Press, 1990.

    FRIED, Michael. Absorption and theatricality: painting and beholder in the age of Diderot. Berkeley: University of California Press, 1980.

    ______. Le modernisme de Manet. Paris: Gallimard, 2000.

    GUNNING, T. “The cinema of attractions: early film, its spectator and the avant-garde”. In: ______. (org.). Early cinema: space-frame-narrative. Londres: BFI, 1990, p. 56-62.

    HOLLY, Michael Ann. “Wölfflin and the Imagining of the Baroque”. In: BRYSON, Norman; HOLLY, Michael Ann; MOXEY, Keith (orgs.). Visual culture: images and interpretations. Hanover: Wesleyan University Press, 1994, p. 347-364.

    MARGULIES, Ivone. Nada acontece: o cotidiano hiper-realista de Chantal Akerman. São Paulo: Edusp, 2016.

    WÖLFFLIN, Heinrich. Conceitos fundamentais da história da arte. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.