Ficha do Proponente

Proponente

    Aline Bittencourt Portugal (UFRJ)

Minicurrículo

    Aline Portugal é doutoranda em Comunicação Social pela UFRJ e mestre em Comunicação Social pela UFF. Realizadora audiovisual, roteirista e integrante da Mirada Filmes (www.miradafilmes.com.br), dirigiu o longa-metragem Aracati (Competitiva IDFA 2015, Mostra Aurora Tiradentes 2016) e curtas que circularam por diversos festivais nacionais e internacionais, tais como Festival do Rio, Curta Cinema, Festival de Cartagena (FICCI), Festival Luso Brasileiro de Santa Maria da Feira, entre outros.

Coautor

    Érico Oliveira de Araújo Lima (UFC)

Ficha do Trabalho

Título

    Tecer uma teresa em roda: “Tremor Iê” e o fazer entre mulheres

Seminário

    Cinemas mundiais entre mulheres: feminismos contemporâneos em perspectiva

Resumo

    Percorreremos aqui as tessituras entre mulheres no filme Tremor Iê (2019), tramado a muitas mãos, a partir de um encontro entre vizinhas (Lívia de Paiva, Elena Meirelles, Lila M. Salú e Deyse Mara). Tomaremos como mote a teresa, objeto usado para a fuga das prisões, num emaranhado de tecidos; e a roda, forma recorrente de reunião entre as mulheres que habitam a cena fílmica. Com elas, buscaremos pensar ainda o entrelaçamento entre tempos, entre filme e processo, entre real e ficção.

Resumo expandido

    Com retalhos de tecidos nas mãos, seis mulheres dispostas em roda perfazem os nós que dão forma a uma teresa. Convocamos essa imagem de Tremor Iê (Lívia de Paiva, Elena Meirelles, Fortaleza, 2019) como um operador metodológico para pensar a tessitura fílmica de maneira ampliada, numa conexão indissociável entre os procedimentos estéticos e os modos de fazer. Objeto que nos remete ao mesmo tempo ao encarceramento e a resistência a ele, essa corda feita a muitas mãos, femininas, diz muito das matérias, dos gestos e das formas que constituem o próprio filme.
    Lívia e Elena, recém-chegadas à cidade de Fortaleza, conhecem um grupo de mulheres vizinhas à casa onde moram, integrantes do grupo feminista Tambores de Safo, que teve forte atuação nas manifestações de 2013. Entre elas estão Lila M. Salú e Deyse Mara, que vivenciam em Tremor Iê as personagens Janaína e Cássia. Esse encontro é a própria condição de existência do filme, mas não apenas. Ele está impregnado tanto na feitura como na forma fílmica, que caminha sempre em busca de zonas de fronteira (HARAWAY, 1999). Essas zonas de fronteira dizem das muitas inseparabilidades que Tremor Iê propõe e que pretendemos desdobrar aqui. Nossa proposta é pensar uma construção metodológica aliada a um pensamento feminista que desvia das inúmeras clivagens determinadas pela epistemologia moderna (STENGERS, 2017), como aquelas entre real e ficção, política e imaginação, indivíduo e coletividade, saber e fazer, obra e processo, formas estéticas e formas de existência. Apostamos junto ao filme numa proposta transversal, interseccional, que faz pontes. Nesse sentido, Tremor Iê nos apresenta a roda e a teresa, que nos ajudam a desdobrar esses pensamentos. Aproveitando a fértil ambivalência do termo, perguntamos: que nós se entrelaçam para dar forma a Tremor Iê?
    O filme nos coloca em meio ao encarceramento de Janaína, presa política — numa trama que ecoa vivências reais das manifestações de 2013, e a processos coletivos que buscam reparação histórica, feitos em solidariedade feminina. Diante das violências do Estado que incidem, seletivamente, em corpos femininos e racializados, o filme costura as táticas imaginativas de Janaína, que assinalam rotas de fuga; os sonhos de Cássia, em busca da amiga; e o presente do confronto com as ruas de uma Fortaleza assombrada por “Soldados do Bem”, conforme o filme nomeia os novos agentes de vigilância de um governo totalitário. Tremor Iê nos lança em uma atmosfera que flerta com a ficção científica, propondo um estranho realismo (LE GUIN, 1996) que não é de todo distinto da experiência histórica e social brasileira de vários períodos, entre eles o momento atual. Além de emaranhar diferentes dimensões da realidade, numa aposta na ficção como parente do fato (HARAWAY, 1989), o filme entrelaça os tempos, desmontando mais uma clivagem: aquela que separa passado, presente e futuro. No lugar de uma linha reta, progressiva, que muitas das vezes constrói a História e as narrativas em forma de lança (LE GUIN, 1996), Tremor Iê propõe um tempo espiralar (MARTINS, 2002), feito de dobras que convocam diferentes dimensões e ancestralidades.
    Além da trama que acompanha a relação entre as duas personagens, os nós se tecem ainda entre muitas outras mulheres, que atravessam tanto a cena fílmica como seu processo de feitura. Para nós, pensar Tremor Iê e perceber o que ele faz operar demanda um olhar para a escritura fílmica num sentido ampliado, multiplicando os nós que interligam o encontro entre vizinhas, o roteiro, a filmagem, a montagem e todo um conjunto de ações envolvidas no ver junto e no debater o filme. Tal qual a roda de capoeira, a escritura abriga o movimento em que sempre é possível entrar alguém (SANTOS, 2018), para constituir uma experiência poético-política que atua como um rito vitalista diante das violências do processo colonial brasileiro, atravessado pelas políticas de morte movidas pelo racismo e pelo sexismo (GONZALEZ, 1984).

Bibliografia

    GONZALEZ, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje. Anpocs. p.223-244, 1984.
    HARAWAY, D. Las promesas de los monstruos. In Politica y Sociedad, 30, 1999.
    HARAWAY, D. Primate Visions: gender, race, and nature in the world of modern science. Routledge, New York, 1989.
    LE GUIN, U. K. The Carrier Bag Theory of Fiction. In: The Ecocriticism Reader: Landmarks in Literary Ecology. Edited by Cheryll Glotfelty and Harold Fromm. The University of Georgia Press. Athens, Georgia, p.149-154, 1996.
    MARTINS, L. M. Performances do tempo espiralar. In: Graciela Ravetti; Márcia Arbex. (Org.). Performance, exílio, fronteiras, errâncias territoriais e textuais. Belo Horizonte: Faculdade de Letras da UFMG, 2002.
    SANTOS, A. B. Somos da terra. PISEAGRAMA, Belo Horizonte, número 12, página 44 – 51, 2018. Disponível em: https://piseagrama.org/somos-da-terra/
    STENGERS, I. Reativar o animismo. Tradução Jamille Pinheiro Dias. Belo Horizonte: Chão de Feira, 2017.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.