Ficha do Proponente

Proponente

    TAINA XAVIER PEREIRA HUHOLD (UFF / UNILA)

Minicurrículo

    Doutoranda em Cinema e Audiovisual no PPGCine UFF. Graduação em Comunicação Social – Cinema UFF e mestrado em Artes Visuais pela UFRJ. Professora licenciada da UNILA. Integra os grupos de pesquisa NATLA – Núcleo de Arte e Tecnologia Latino-Americano (UNILA) e NIDAA – Núcleo de Investigação em Direção de Arte Audiovisual (UFPE). Atua nas áreas de produção e direção de arte desde 1997.

Ficha do Trabalho

Título

    A figura da ruína no cinema brasileiro contemporâneo.

Seminário

    Estética e teoria da direção de arte audiovisual

Resumo

    Este trabalho propõe um olhar para o espaço cênico do cinema brasileiro contemporâneo a partir da ruína. Em “Açúcar”, “Ilha” e “Todos os Mortos” se examinará a ressonância de ciclos extrativistas coloniais. Já “O Prefeito” e “Mormaço” serão analisados sob a chave do arruinamento como modus operandi da pós-modernidade globalizada. A ênfase na materialidade do pró-fílmico busca de resgatar a concretude dos espaços que compõem o nível primeiro de estruturação da imagem.

Resumo expandido

    O tema da ruína não é novo. Diversas manifestações artísticas da modernidade (o cinema inclusive) se utilizaram deste imaginário, como aponta Adreas Huyssen:

    A modernidade como ruína já era um topos bem antes do século XX e, com certeza, antes do pós-modernismo. A ruína autêntica não deve ser entendida como uma essência ontológica de ruínas, mas como uma constelação conceitual e arquitetônica significativa que aponta para momentos de decadência, desintegração e arruinamento já presentes nos primórdios da modernidade, no século XVIII. (HUYSSEN, 2009, p. 94–95)

    Para analisar o espaço da ruína no cinema brasileiro contemporâneo se examinará a ideia de modernidade desde a perspectiva da qual a experimentam seus realizadores, a colonialidade. Entendida como um “novo paradigma de vida cotidiana, de compreensão da história, da ciência, da religião, [que] surge ao final do século XV e com a conquista do Atlântico” (DUSSEL, 2000, p. 29), a modernidade é intrinsecamente ligada à “estrutura lógica de domínio colonial”, conforme Walter Mignolo:

    Por uma questão de clareza, é conveniente considerar “modernidade / colonialidade” como duas faces da mesma moeda e não como duas formas distintas de pensar: você não pode ser moderno sem ser colonial, e se você está na extremidade colonial do espectro É preciso negociar com a modernidade, pois é impossível ignorá-la. (MIGNOLO, 2007, p. 32. Tradução nossa)

    Surgida como marco e inserida materialmente no processo de desenvolvimento e financiamento da modernidade e do capitalismo liberal (SADLIER, 2016, p. 114), a ideia de América como Novo Mundo reverbera na imagem dos Tristes Trópicos do antropólogo Claude Lévi-Strauss, que inspira a percepção sobre as diferenças entre as ruínas modernas coloniais e as europeias. O antropólogo nota tal diferença de forma geral entre a França o Brasil, observando que aqui a exploração extrativista “violenta” a terra, deslocando-se de acordo com as necessidades de extração, a cada ciclo econômico da colonialidade.
    O primeiro eixo de análise examina a direção de arte em filmes onde a ruína é identificada como marca de passados extrativistas no presente: “Açúcar “(Renata Pinheiro, 2017); “Ilha” (Glenda Nicácio e Ary Rosa, 2018) e “Todos os Mortos” (Caetano Gotardo, Marco Dutra, 2020). Para tanto, se busca articular a ressonância das materialidades dos espaços em ruína com a construção, tanto narrativa, quanto afetiva-sensorial das obras audiovisuais. Por ressonância entende-se o “poder do objeto exibido de alcançar um mundo maior além de seus limites formais, de evocar em quem os vê as forças culturais complexas e dinâmicas das quais emergiu” (GREENBLATT, 1991).
    Na São Paulo de 1935, a rápida deterioração percebida por Lévi-Strauss em outros pontos do país, apresentava-se sobreposta em um mesmo território. Deste olhar advém a imagem que inspirou Caetano Veloso na escrita do verso da canção Fora da Ordem: “Aqui tudo parece ainda construção e já é ruína”, que parece resumir a dinâmica da eterna construção/destruição a que são condenadas as grandes cidades do Novo Mundo, cuja “falta de vestígios” é vista pelo antropólogo como “elemento de seus significados” (LÉVI-STRAUSS, 1996, p. 91).
    Tal dinâmica se intensifica em diversos ciclos desenvolvimentistas do século XX e abarca outras capitais do Brasil. No Rio de Janeiro, especialmente com a proximidade dos eventos esportivos internacionais ocorridos na segunda década do século XXI, o ritmo da construção/destruição acelera-se vertiginosamente. Tal processo constitui-se como eixo narrativo dos filmes “O Prefeito” (Bruno Safadi, 2015) e “Mormaço” (Marina Meliande, 2018), analisados sob a chave do arruinamento como modus operandi que segue vigente. Vista em paralelo com o processo de “cenarização” do espaço urbano pós-moderno e globalizado (PEIXOTO, 1987), a ruína aqui parece sinalizar um desejo de reterritorialização do sujeito pós-moderno, desancorado de referenciais espaciais na era do não-lugar.

Bibliografia

    DUSSEL, Enrique. Europa, modernidade e eurocentrismo. In: La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Perspectivas latinoamericanas. Edgardo Lander (org.). Buenos Aires: CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales, 2000.

    GREENBLATT, Stephen. O novo historicismo: ressonância e ecantamento. Estudos Históricos, [S. l.], v. 4, n.8, p. 244–261, 1991.

    HUYSSEN, Andreas. Culturas do passado-presente. Rio de Janeiro: Contraponto: Museu de Arte do Rio, 2009.

    LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes Trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

    MIGNOLO, Walter. La idea de América Latina. Barcelona: Gedisa, 2007.

    PEIXOTO, Nelson Brissac. Cenários em ruínas: A realidade imaginária contemporânea. São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.

    SADLIER, Darlene J. Brasil Imaginado: De 1500 até o presente. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2016.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.