Ficha do Proponente

Proponente

    Ana Luiza Rocha de Siqueira (UFMG)

Minicurrículo

    Ana Siqueira atua em curadoria, pesquisa e tradução. Curadora e coordenadora de programação do FestCurtasBH – 15ª e 16ª (cocoordenação) e a partir da 19ª edição (2013-2014 e desde 2017). Foi programadora do Cine Humberto Mauro (2008-2009) e da mostra de cinema infantil do Festival SACI (2011-2017). Mestre em Comunicação Social pela UFMG, onde integra o grupo de pesquisa Poéticas da Experiência.

Ficha do Trabalho

Título

    A cena da tradução em Uma vez entrei num jardim, Kurdish Lover, Stolat

Resumo

    O que acontece – ou pode acontecer – quando o cinema abriga o encontro entre pessoas de mundos e línguas distintos, sustentando e acolhendo as diferenças que, em cena, se apresentam? A partir de três documentários – Uma vez entrei num jardim, Kurdish Lover e Stolat – pensamos comparativamente como a relação entre diferentes idiomas (e a tradução, não necessariamente verbal, que ele provoca) são abrigados no interior de suas escrituras.

Resumo expandido

    O que acontece – ou pode acontecer – quando o cinema abriga, nas imagens, nos sons, nas conversas trocadas (e mesmo no silêncio e na incompreensão do que se diz) o encontro entre pessoas de mundos e línguas distintos, sustentando e acolhendo as diferenças, sem buscar apaziguar a alteridade que ali, em cena, se apresenta? A partir de três filmes documentários – Uma vez entrei num jardim (Avi Mograbi, 2012), Kurdish Lover (Clarisse Hahn, 2010) e Stolat (Pengau Nengo, Martin Maden e Bike Johnston, 1985) – pensamos comparativamente como o encontro entre diferentes idiomas (e a tradução, não necessariamente verbal, que ele provoca) são abrigados no interior de suas escrituras.

    Em Uma vez entrei num jardim, a tradução está no cerne das conversas – que transitam entre o árabe e o hebraico – mantidas entre o diretor Avi Mograbi e seu professor de árabe Ali Al-Azhari. É ela que permite a vizinhança – tensa e conflituosa – entre os territórios (geográficos e imaginários) aos quais os dois pertencem: Palestina e Israel. Acompanhamos a negociação que torna possível esse filme entre dois velhos amigos e, ainda, se formos adiante, dois povos que dividem e disputam um mesmo território, sem no entanto compartilhar crenças, percepções de mundo, sequer o alfabeto.

    Em Kurdish Lover, é a cineasta ocidental, francesa, que irá em direção ao “outro”, partindo para as montanhas do Curdistão turco encontrar a família de seu companheiro, que conecta esses dois universos tão díspares. A realizadora filmará quase sempre “às surdas”, num acesso tanto aos espaços exteriores da comunidade quanto aos mais íntimos da família, e é a ausência da tradução entre o curdo e o francês – ou sua existência parcial e precária – que levará a diretora a buscar os recursos para, ainda assim, compor uma cena em comum com os parentes de seu companheiro.

    Já em Stolat, os próprios cineastas são os “outros” da cultura dita ocidental. Os três jovens cineastas papuas pretendem filmar a velhice na França, mas logo esbarram na barreira linguística (que deixa entrever outras ainda mais acentuadas), que parece no primeiro momento intransponível, mas que vai se revelar, finalmente, secundária, ao encontrarem um idoso que lhes é em (quase) tudo diferente. Sem que se apreenda, de parte a parte, nem o inglês nem o polonês (ou o francês e a língua papua), os jovens cineastas adentram o cotidiano e a história do velho Moltavsky.

    Se a diversidade linguística é produtiva para que cada uma dessas obras se desenvolva, constituindo-as por dentro, há também entre elas numerosos contrastes. Realizadas por cineastas de diferentes origens, em condições diversas de produção e mediação, e divergindo na maneira como se dá a diferença linguística e sua lida pelo filme, nos deparamos, finalmente, com importantes pontos de convergência. Sem tomar a cena da tradução e a hospitalidade – com seus graus variados e inerentes de hostilidade – como figuras apaziguadas, os três filmes apostam na vizinhança, no estar junto: um ao lado do outro, um diante do outro. Estão, todos eles, empenhados em “diferenciar indiferença, inserir diferença onde a indiferença era presumida” (Viveiros de Castro, 2004: 19) e criar abertura onde a animosidade era pressuposta.

    Atentas à expressividade própria do cinema, nos voltamos para a incidência da tradução (ou da diferença linguística) na própria forma do filme, em seu processo, como experiência de tradução em ato. Mantemos no entanto a sensibilidade para outros campos do conhecimento que se dedicam, em seus próprios termos, a essa prática, notadamente a literatura (na letra traduzida) e a antropologia (na translação cultural), de que a tradução é considerada tarefa distintiva – o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro chegará a afirmar que, nesta disciplina, a comparação serve à tradução e não o contrário, como é comumente pensado: para ele, a antropologia “compara para traduzir”. Estarão também atreladas, no cinema, as tarefas de comparar e traduzir?

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. A tarefa-renúncia do tradutor. In: Castello Branco, L. (Org.) A tarefa do tradutor, de Walter Benjamin: quatro traduções para o português. Trad. Susana Kampff-Lages. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2008.

    BERMAN, Antoine. A tradução e a letra, ou, O albergue do longínquo. Trad. Marie-Helène Catherine Torres, Mauri Furlan, Andréia Guerini. Rio de Janeiro: 7Letras/PGET, 2007.

    HALL, Stuart e MAHARAJ, Sarat. Modernity and difference: a conversation between Stuart Hall and Sarat Maharaj. London: Institute of International Visual Arts, 2001.

    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. Perspectival Anthropology and the Method of Controlled Equivocation. In: Tipiti: Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America, 2004.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.