Ficha do Proponente

Proponente

    Vladimir Lacerda Santafé (UERJ)

Minicurrículo

    Vladimir L. Santafé é doutor em Comunicação e Cultura pela UFRJ (2019), pós-doutorando em Filosofia pela UERJ, possui mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ(2011), graduação, bacharel e licenciatura em Filosofia pela UERJ (2006) e graduação em Cinema pela UNESA (2001). Tem experiência na docência de Filosofia e Teoria daComunicação, na educação básica e universitária, atuando principalmente nos seguintes temas: ética e política, filosofia da educação, estética e teoria da imagem.

Coautor

    Bruno Fabri Carneiro Valadão (UFRJ)

Ficha do Trabalho

Título

    A terra e os transes: subjetividades políticas no cinema de Glauber

Resumo

    Em Terra em Transe (1967) de Glauber, o “fascismo à brasileira” se encarna em Porfírio Diaz, um fascismo plural e sincrético, onde o conservadorismo aparece de forma híbrida: carnavalesco e produtivo. Diaz encarna esse enunciado e poder de visibilidade de forma alegórica. O filme está sempre em transe, assim como suas personagens, mas o transe de Diaz e de Paulo Martins é bem diferente do transe assumido no cenário político atual, ou seja, o “transe bolsonarista”.

Resumo expandido

    Como o cinema brasileiro lida, ontem e hoje, com o autoritarismo e o projeto de poder genocida que sempre marcou a nossa história? Parece-nos que há algo de híbrido neste “necroprojeto” multissecular. Os mais diversos sincretismos, que marcam a nossa cultura, perpassam também por aquilo que poderíamos nomear como um “fascismo à brasileira” muito bem filmada por Glauber Rocha em Terra em transe (1967). Um “fascismo sincrético” expresso na clássica cena da praia, em que cada um dos avatares deste tipo de dominação, a saber, o “índio”, o “negro”, o “padre” e o “carnavalesco” vêm compor a cerimônia em que o “branco” (Diaz) finca uma enorme cruz, tomando posse do paraíso. Glauber compreendeu muito bem este sincretismo e criou, em diversas oportunidades, um jogo em que os mais diversos caracteres falam, berram, mas não “dialogam” minimamente entre si; os personagens Paulo e Sara são os únicos a “ver” esse delírio sincrético, em que o transe mata o dialogismo de vozes tão múltiplas, construindo o terreno perfeito para a tirania do personagem de Paulo Autran.
    Em Terra em Transe, o “fascismo à brasileira” se encarna na figura de Porfírio Diaz, um fascismo plural e sincrético, onde o conservadorismo aparece de forma híbrida, carnavalesco e produtivo. O cinema de Glauber inova na crítica ao conservadorismo representado pela ditadura civil-militar. O atual lema das forças conservadoras que encarnam o bolsonarismo, dentre outros segmentos da política brasileira, “liberal na economia, conservador nos costumes”, está presente, mas de forma indireta. Ou seja, Diaz encarna esse enunciado, mas na prática, na micropolítica, utiliza dos mesmos “métodos” de cooptação que a maioria das elites que dominam o cenário político de Eldorado, com orgias e promessas de ascensão social, participação no governo vigente, inserção nas redes de poder que moldam as subjetividades no espaço diegético do filme e fora dele. O filme está em constante estado de transe, assim como suas personagens; mas o transe de Diaz e de Paulo (personagem de Jardel Filho) é bem diferente do transe assumido pelas personalidades do cenário político hoje, ou seja, o “transe bolsonarista”. Ele também envolve o imaginário de orgias (e outras “perversões”) em seus bastidores, porém, exteriormente ele é um transe purista, mas não menos convulsivo, dos evangélicos e da ortodoxia católica. Um transe iconoclasta que encarna a figura do fascismo histórico mais destrutivo, uma arquitetura da destruição que vê no outro, na diferença, um adversário a ser eliminado; no entanto, o sujeito é outro: o que antes era o “comunismo” agora são os movimentos LGBTQIA+, negro, feminista, e os movimentos populares reinventados pelas particularidades dos sujeitos que compõem o diagrama plural e multifacetado do novos agentes políticos.
    Como o nosso cinema – mais uma vez fragilizado e agora paralisado pelo agravamento da pandemia – pode responder a este desafio histórico, de maneira análoga com que o Cinema Novo respondeu, quando houver oxigênio para que ele volte a respirar? Um pouco antes da pandemia, Bacurau (2018) surgiu como uma espécie de “elo perdido” com o aquele cinema revolucionário dos anos 1960 (Cinema Novo e Cinema Marginal principalmente), ensaiando o que poderia ser a alegoria do transe destas primeiras décadas do século XXI. Mas entendemos que há muito mais a ser contemplado. Precisamos de novos filmes que precisam ir além; deixar de lado os falsos dilemas da subjetividade neoliberal e “encarnar” este país mais uma vez. Em suma, retornarmos às potencialidades das imagens glauberianas na simulação (em transe) do que Deleuze chamou de fabulação, para, em seguida, delimitar a imagem do “fascismo” e as resistências estética e políticas evocadas por Glauber a partir de sua fala enquanto criação e de sua falta enquanto povo a se construir nas imagens cruas e diretas, mas também alegóricas e poéticas, que faz do cinema “o avesso do alabastro, a escultura da rima” (Ezra Pound).

Bibliografia

    BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoiévski. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000.
    BENJAMIN, Walter. “Sobre o conceito de história”. In: LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio. São Paulo: Boitempo, 2005
    DELEUZE, Gilles. Cinema 2: a imagem-tempo. São Paulo: Editora 34, 2018.
    DELEUZE, Gilles. Conversações. São Paulo: Editora 34, 2013.
    DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia 2. São Paulo: Editora 34, 2007. (Vols. 1 a 5.)
    FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. São Paulo: Paz & Terra, 2019.
    GUATTARI, Félix. Caosmose: um novo paradigma estético. São Paulo: Editora 34, 2000.
    HARDT, Michael; NEGRI, Antonio. Empire. Cambridge (EUA): Harvard University Press, 2000.
    ROCHA, Glauber. Revolução do Cinema Novo. São Paulo: Cosac Naify, 2003.
    XAVIER, Ismail. Alegorias do subdesenvolvimento. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.