Ficha do Proponente

Proponente

    Sandro de Oliveira (UEG)

Minicurrículo

    Professor de linguagens audiovisuais e História do cinema no curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Doutor em Multimeios pela Unicamp (2019). Membro dos grupos de pesquisa CRIA (UEG), ACCRA (Université de Strasbourg – França) e GEAs (Unicamp). Coautor (com Pedro Maciel Guimarães) do livro Helena Ignez – Actrice Experimentale (ACCRA – Strasbourg, 2018).

Ficha do Trabalho

Título

    A performance aleatória nos cinemas experimentais

Seminário

    Cinema experimental: histórias, teorias e poéticas

Resumo

    As vanguardas cinematográficas desenharam um espaço fílmico que Parker Tyler (1995) nomeou de pan-pessoal: espaços que englobam seres (transeuntes e anônimos) considerados invisíveis pelo cinema clássico e toda uma franja diegética com seus fatos fortuitos. Este trabalho analisará como filmes experimentais ostentaram fascínio explícito na sua fatura ao justaporem cidadãos retirados do “real” (corpos societais) e os elementos humanos que fragilmente poderiam ser chamados de “atores”.

Resumo expandido

    Este trabalho pesquisa obras de um “outro cinema” (de poesia, marginal, vanguarda, underground), cinema do não-ator, do corpo societal, seres anônimos destituídos de papel, seres meramente icônicos que estão lá para servir à trama, ou, pior ainda, nem isso mais, relegados que estão à invisibilização pelo dispositivo. Quem é aquela senhora que desce as escadas de uma favela e interage de forma sublime com Helena Ignez em Copacabana, mon amour (Rogério Sganzerla, 1970)? Ela merece ter vida ou, melhor, ela tem vida digna de ser exibida no filme? Esses filmes dos quais este trabalho se ocupa tentam, em modos díspares e em graus híbridos, promover contraste ao justaporem, na mesma cena, um “ator” nos trâmites de uma diegese, e um corpo societal, que muitas vezes não dá qualquer atenção, ou talvez nem nota, a produção cinematográfica em andamento. É esse embate, por vezes cheio de afeto e compreensão, por vezes até hostil, que este trabalho versa.

    Em determinada cena de The flower thief (Ron Rice, 1960), o ator Taylor Mead, vagando a esmo pelas ruas de San Francisco, se detém numa esquina qualquer e começa a emular os gestos do guarda de trânsito, histrionicamente elevando os braços, girando-os no ar, como se fosse maestro de uma sinfonia urbana. Este momento, periférico até em meio à homenagem explícita que o filme faz à geração Beat, nos fornece um tipo de acontecimento que filmes experimentais tentaram exibir, tanto pelo inusitado quanto pela forma do encontro: um ator, dentro de uma (possível ou frágil) diegese se desloca até suas bordas, e interage com um elemento humano que não faz parte dela, um elemento que os cinemas clássicos, modernos ou narrativo-representativos tentaram invisibilizar: anônimos que Naremore (1988) chama de “performance alatória”.

    Quando vemos os elementos humanos que este trabalho analisa (ator e corpos societais) justapostos na mesma cena, temos na mesma imagem seres interagindo em níveis de grandeza opostos: o que trabalha para estabelecer a ilusão de um personagem nos trâmites da narração (o ator) e outro que se oferece no mesmo grau de performance, mesmo nível de grandeza que nós, espectadores (o corpo societal). Um está inserido no mundo que não nos diz respeito (a diegese) o outro corrobora a mesma realidade de referência que nós (o mundo real). Ambos estabelecem graus distintos de relação com o que Erving Goffman (1986) chama de moldura (frame): o ator está de um lado desta fronteira, atuando, e o corpo societal do outro lado deste muro invisível, destituído que está de qualquer contrato com o pacto diegético. Um está ciente da diegese que serve como ator, exibindo o personagem em determinado grau de teatralidade que pode, ou não, ser percebida pelo sujeito anônimo que é interpelado ou que interpela o ator. O corpo societal não estabelece como a diegese qualquer relação contratual, nem artística e nem ético-estética, como os rapazes que conversam despercebidamente com Joe Dalessandro em Flesh (Paul Morrissey, 1968).

    A diegese nesses filmes se mostra não um mundo protegido dos acasos do real, mas uma fonte de energia centrípeta, em que os atores por vezes gravitam ou servem como ímãs aos seres anônimos que cruzam seus caminhos. Por vezes, a composição da cena se torna ambiente ambíguo onde coabitam atores e corpos societais, misturados até com membros da equipe de filmagem, dando um ar de no man’s land ao que vemos na tela. Foi isso que aconteceu em Precauções diante de uma puta santa (Rainer W. Fassbinder, 1971). Por fim, faz-se necessário estudo dos elementos que compõem a tessitura cênica desses filmes, sua diegese tênue e porosa, seus elementos humanos interagindo de modos híbridos e desconcertantes, pois não há distinção entre cotidiano privado do ator e sua atividade pública (persona), entre os atores e os transeuntes, dissolvendo todas as fronteiras possíveis, da identidade e da caracterização da função dos elementos humanos que servem ao filme.

Bibliografia

    AMIEL, V. et. al. Dictinnaire critique de l’acteur. Rennes: Presses Univ. de Rennes, 2012.
    BRENEZ, N. De la figura en général e du corps en particulier – L’invention figurative au cinema. Louvain-la-Neuve – Bégica: De Boeck, 1998.
    FERREIRA, J. Cinema de invenção. São Paulo: Limiar, 2000.
    GOFFMAN, E. Frame analysis – An essay on the organization of experience. New Hampshire: Northeastern University Press, 1986.
    GUIMARÃES, P.; DE OLIVEIRA, S. Helena Ignez – Atriz experimental. Estrasburgo: ACCRA – Université d’Strasburg, 2018.
    NAREMORE, J. Acting in the cinema. Berkeley/ Los Angeles: University of California Press, 1988.
    RAMOS, F. Cinema marginal (1968/1973) – a representação em seu limite. São Paulo: Brasiliense, 1987.
    SITNEY, P. A. (Ed.). The avant-garde film. A reader of theory and criticism. New York: Anthology Film Archives, 1987. (Anthology Film Archives Series n. 03).
    __________. Visionary film – The american avant-garde. (2ª. ed.) Nova York: Oxford University Press, 1979.

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.