Ficha do Proponente

Proponente

    Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ (grupo CNPq))

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação pela UFRJ (com período sanduíche na Universidade Paris 3 sob orientação de Michel Chion) e em Música pela UNIRIO. Pós-doutora em Música pela UFRJ, graduada em Comunicação (habilitações Jornalismo e Cinema) e mestre em Letras pela UFF. Foi professora substituta da Escola de Comunicação da UFRJ e do curso de Cinema da UFF. Autora do livro “A música no cinema de Robert Bresson”, membro do Conselho Deliberativo da SOCINE e coordenadora do GP Cinema da Intercom

Ficha do Trabalho

Título

    Música “nacional” em adaptações de livros brasileiros no Cinema Novo

Seminário

    Estilo e som no audiovisual

Resumo

    Analisamos o uso de música clássica preexistente em “Menino de Engenho” (Walter Lima Jr, 1965) e “Capitu” (Paulo César Saraceni, 1968), ambos adaptações de obras literárias brasileiras, como uma prática estilística do que Claudia Gorbman chamou de “música de autor”. Há nesses filmes do Cinema Novo uma característica nacional quanto ao uso da música, com presença marcante de Villa-Lobos em “Menino de Engenho”, e, em “Capitu”, constrói-se um panorama de diversos compositores brasileiros.

Resumo expandido

    O Cinema Novo brasileiro tinha, entre seus objetivos, revelar um Brasil não apresentado costumeiramente nas telas e a realização de filmes que não tivessem como modelo Hollywood, empregando uma “estética da fome”. Na temática, isso se deu muito com filmes sobre populações rurais do Nordeste brasileiro. No caso da música, usa um procedimento estilístico comum aos anos 60 (presente na Nouvelle Vague, por exemplo – ver Alvim, 2017a; ver também Hubbert, 2014): o emprego frequente de música preexistente. Há um lado prático nisso: não seria necessário pagar toda uma orquestra e, muitas vezes, como o nome das peças não era indicado, nem mesmo a gravadora.
    Retomando o conceito de Claudia Gorbman (2007) de “música de autor”, gostaríamos de discutir a música como um todo dos filmes “Menino de Engenho” (Walter Lima Jr, 1965) e “Capitu” (Paulo César Saraceni, 1968) como passível de ser enquadrada no conceito. Para Gorbman (2007), uma das características da “música de autor” é ser escolhida pelo diretor do filme de acordo com seu gosto musical. Gorbman parte do conceito e cria uma lista de diretores melômanos do cinema contemporâneo, porém, tal lógica de controle sobre a música (por exemplo, com uso de obras preexistentes entre outros procedimentos) já existia no Cinema Moderno, como observado pela autora em artigo anterior.
    Os dois referidos filmes fazem parte de um momento do Cinema Novo em que os diretores, diante da dificuldade de público e com a situação política de ditadura militar, passaram a realizar adaptações literárias, privilegiando, segundo seu ideário, obras clássicas da Literatura brasileira, como é o caso dos livros de José Lins do Rego e de Machado de Assis, em que se baseiam os filmes de Lima Jr e Saraceni, respectivamente. Mais ainda, observamos que a trilha musical de “Capitu” é feita com obras de compositores clássicos brasileiros, como que fazendo um “panorama nacional”, além da presença marcante de obras de Villa-Lobos (compositor de faceta nacionalista) em “Menino de engenho”.
    No caso de Walter Lima Jr, a posição do diretor em relação à música de filme é mais clara que a de Saraceni. Embora considerado de uma “segunda geração” de diretores do Cinema Novo (CARVALHO, 2009), Lima Jr foi assistente de Glauber Rocha em “Deus e o diabo na terra do sol” (1964), e foi quem teria sugerido a Glauber a inclusão das peças de Villa-Lobos no filme, contribuindo para construir toda uma “alegoria da pátria” (GUERRINI JR, 2009). Lima Jr vem de uma família de músicos amadores e disse que gostaria de ser músico se não fosse cineasta (GUERRINI JR, 2009). Em “Menino de engenho”, além da predominância de Villa-Lobos, há música de Alberto Nepomuceno, compositor também considerado “nacionalista”, e canções originais de Pedro Santos, cuja letra foi escrita pelo próprio Walter Lima – algo, para Gorbman (2007), característico de uma postura autoral. As músicas entram repentinamente no filme e, por vezes, finalizam sequências, com cortes bruscos, semelhantemente ao estilo dos filmes de Godard.
    No caso de Capitu, há um maior panorama de “música clássica brasileira”, só com peças preexistentes e incluindo composições do Padre José Maurício, Joaquim Manoel da Câmara, Elias Álvares Lobo, Carlos Gomes, Villa-Lobos e Lorenzo Fernandes. Encontramos as peças dos compositores da época de D. João (José Maurício e Joaquim Manuel) e de Pedro II (Álvares Lobo) numa série de discos produzidos em 1965. O uso estilístico no filme é semelhante ao de Menino de Engenho. Já a peça de Carlos Gomes é ouvida num momento-chave do filme, em performance diegética. Embora na primeira vez em que Saraceni usou música de Villa-Lobos, em “Arraial do Cabo” (1959), a ideia tenha sido de Mário Carneiro (ALVIM, 2017b), o diretor voltou a utilizar peças do compositor em “O desafio” (1965) e volta a fazê-lo em “Capitu”.

Bibliografia

    ALVIM, L. A música clássica preexistente no cinema de diretores da Nouvelle Vague – anos 50 e 60. Tese (Doutorado em Música) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2017a.
    ______. Música e som em três documentários brasileiros curta-metragem de 1959: nacionalismos, tradição, modernismos e identidade brasileira. Doc On-Line, v.22, 2017b.
    CARVALHO, M. do S. Cinema Novo Brasileiro. In: MASCARELLO, F. (org.) História do Cinema Mundial. 5. ed. Campinas: Papirus, 2009.
    GORBMAN, C. Auteur music. In: GOLDMARK, D.; KRAMER; L., LEPPERT, R. (Org.). Beyond the soundtrack: representing music in cinema. Los Angeles: University of California Press, 2007.
    GUERRINI JR, I. A música no cinema brasileiro: os inovadores anos sessenta. São Paulo: Terceira Margem, 2009.
    HUBBERT, J. The Compilation Soundtrack from the 1960 to the Present. NEUMEYER, D. (Ed.). The Oxford Handbook of Film Music Studies. Oxford: Oxford University Press, 2014.

    Discos: “Música na corte Brasileira” (4 volumes), 1965

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

Prezadas e prezados, está aberta a partir de hoje, 23 de junho de 2020, a chamada de propostas para ações SOCINE EM CASA, criada pela Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual.

COMO FUNCIONA

SOCINE EM CASA é uma programação de atividades a serem realizadas ainda em 2020, propostas pelos associados e chanceladas pela SOCINE, com transmissão por videoconferência. As atividades serão realizadas na plataforma ZOOM, em conta gerenciada da Sociedade, e transmitidas via Youtube. As ações propostas pelos associados serão divulgadas pela SOCINE em suas redes sociais e meios institucionais (email, site) e a Sociedade vai disponibilizar cards para divulgação em redes sociais por parte dos proponentes. Não é necessário qualquer pagamento para propor atividades e a SOCINE certificará os proponentes e convidados (mas não o público ouvinte).

Os proponentes são responsáveis pelo conteúdo das atividades e opiniões apresentadas, assim como pelo gerenciamento da atividade, incluindo seus aspectos técnicos.

Cada proponente pode enviar apenas uma proposta e a ação deve se restringir a uma atividade/live, não podendo ser uma série de atividades.

QUEM PODE PROPOR

As propostas podem ser enviadas por até 3 proponentes, sendo obrigatório que um deles seja associado da SOCINE com anuidade em dia.

O QUE PODE SER PROPOSTO

Podem ser propostas conversas, palestras e performances em formato ao vivo.

COMO INSCREVER UMA PROPOSTA

Acesse o link e preencha o formulário. (Necessário que apenas um proponente preencha com as informações de todos). 

PRAZO PARA SUBMISSÃO DE PROPOSTAS

De 23 de junho de 2020 a 20 de julho de 2020, para ações a serem realizadas entre os meses de agosto e setembro de 2020. Posteriormente será lançada uma nova chamada para os interessados em promover atividades entre os meses de outubro e novembro de 2020.

Pede-se que os proponentes indiquem o período de realização das atividades. No entanto, a montagem da programação dependerá da quantidade de propostas enviadas. Se for necessário ajustar datas para evitar choques, a secretaria da Socine entrará em contato com os(as) proponentes.

Caras e caros associados,

Seguindo as normas do edital para as eleições 2019/2021 da SOCINE, seguem as candidaturas homologadas pela Comissão Eleitoral. A eleição será realizada pelo sistema da SOCINE, a partir das 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

Diretoria (Chapa única)
Cristian Borges (USP) – (Presidente)
Ramayana Lira de Sousa (UNISUL) – (Vice-Presidente)
Amaranta Cesar (UFRB) – (Secretária)
Gabriela Machado Ramos de Almeida (FACS) – (Tesoureira)

Conselho Deliberativo
Adriana Mabel Fresquet (UFRJ)
Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Catarina Amorim de Oliveira Andrade (UFPE)
Edileuza Penha Souza (UNB)
Eduardo Tulio Baggio (UNESPAR)
Jamer Guterres de Mello (UAM)
Joao Vitor Resende Leal (FAPCOM)
Julio Carlos Bezerra (UFMS)
Lisandro Nogueira (UFG)
Luíza Beatriz Amorim Melo Alvim (UFRJ)
Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro (UFBA)
Maria Leite Chiaretti (USP)
Maria Helena Braga e Vaz da Costa (UFRN)
Mariana Baltar Freire (UFF)
Milena Szafir (UFC)
Patricia Furtado M. Machado (PUC/RJ)
Patricia Rebello da Silva (UERJ)
Rafael de Luna Freire (UFF)
Rogerio Ferraraz (UAM)
Rubens Luis Ribeiro Machado Júnior (USP)
Sylvia Beatriz Bezerra Furtado (UFC)
Thalita Cruz Bastos (UNISUAM)

Representantes Discentes
Ana Caroline de Almeida (UFPE)
Esmejoano L. da Silva de França (UFPB)
Jocimar Soares Dias Junior (UFF)

Conselho Fiscal
Carla Daniela Rabelo Rodrigues (UNIPAMPA)
Fábio Raddi Uchôa (UTP)
Luiza Cristina Lusvarghi (USP)
Mannuela Ramos da Costa (UFPE)
Miriam de Souza Rossini (UFRGS)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.