Na última assembleia da SOCINE, realizada em Goiânia, no dia 26 de outubro de 2018, os sócios decidiram mudar as formas de desligamento da SOCINE. A partir de 2019, será possível optar por um desligamento parcial ou integral.

Caso o/a sócio/a deixe de pagar uma anuidade, ele/ela será automaticamente desligado/a da SOCINE. Quando este/a sócio/a quiser retornar à Sociedade, será necessário pagar, além da anuidade do ano corrente, apenas UMA anuidade extra. (Lembrando que até o ano passado, os sócios precisavam pagar no mínimo duas anuidades atrasadas se tivessem duas ou mais anuidades em aberto.) Busca-se, com essa mudança, facilitar o retorno dos sócios, que não acumularão mais dívidas com a SOCINE, podendo retornar quando desejarem sem grande despesa.

Caso o/a sócio/a não queira perder o vínculo com a SOCINE, pois sabe que se afastará apenas de forma temporária, poderá solicitar o Desligamento Parcial, pagando apenas METADE do valor da anuidade (estudantes pagarão a metade do valor de Estudante). Por exemplo, neste ano, a anuidade da SOCINE é R$190,00. Caso opte pelo Desligamento Parcial, o sócio pagará R$95,00 (profissional) ou R$47,50 (estudante/profissional sem vínculo). O Desligamento Parcial é vantajoso para quem vai se afastar por um ano da Sociedade, porque ao solicitar o retorno, ele/ela pagará apenas a anuidade daquele ano e não precisará pagar a anuidade extra. Importante salientar que ao optar pelo Desligamento Parcial o/a sócio/a não poderá enviar propostas de comunicação para o Encontro daquele ano.

Outra mudança aprovada na assembleia foi a criação de um desconto de 50%na anuidade e na inscrição do Encontro para profissionais (Mestres, Doutores) sem vínculo empregatício. Sensível à realidade dos profissionais da área, a Sociedade entende que é necessário pensar formas de garantir a participação dos pesquisadores e pesquisadoras que já concluíram sua pós-graduação e que ainda não se encontram inseridos no mercado de trabalho.

O pagamento das anuidades poderá ser feito pelo sistema da SOCINE a partir de segunda-feira, dia 18/02/2019, neste ano, pelo sistema Paypal.

Dúvidas sobre as novas formas de desligamento podem ser enviadas à Secretaria no e-mail socine@socine.org.br

Prezados e prezadas,
Estamos preparando a publicação dos anais do XXII Encontro SOCINE, realizado de 23 a 26 de outubro na UFG, em Goiânia. Os resumos de todos os trabalhos aprovados para o Encontro serão incluídos nos anais digitais, publicados em nosso site. Já para a publicação dos textos completos, convidamos a todos que apresentaram trabalho que enviem seus textos, de acordo com as normas de publicação, até as 23h59min do dia 04 de dezembro de 2018, exclusivamente para o e-mail anais@socine.org.br.

Esclarecemos que textos fora das normas não serão publicados e não haverá nova chamada para correção ou adequação e que apenas trabalhos efetivamente apresentados podem ser enviados.

Lembramos que o envio não é obrigatório, mas conta pontos no sistema CAPES, e não impossibilita a publicação do artigo em outros periódicos desde que sejam feitas alterações.

Todos os envios terão confirmação de recebimento. Caso não receba a confirmação em alguns dias, entre em contato com a secretaria através do e-mail socine@socine.org.br. Após o prazo final, não aceitaremos mais pedidos de inclusão de trabalho.

A publicação está prevista para fevereiro de 2019 e contará com número de registro (ISBN).

Caras pesquisadores, caros pesquisadores,
Há cerca de um ano quando assumimos a diretoria da Socine, ressaltamos a necessidade de resistência frente aos cortes de recurso para pesquisa e educação do governo Temer. Não sabíamos ali em João Pessoa que a necessidade de continuar resistindo e lutando se daria de maneira tão dramática neste momento e cenário políticos tão sombrios.
Em dezembro, na nossa primeira reunião de conselho, foi decidido o tema do congresso deste ano: pensar o maio de 1968 à luz do presente e à luz do cinema e do audiovisual. Mal imaginávamos o quanto essa reflexão crítica se faria tão urgente, tão próxima.
Neste momento tão difícil da história brasileira assumimos então novamente o compromisso de continuar resistindo e lutando pela pesquisa em cinema e audiovisual, continuamos empenhados em defender a abertura e a profundidade desses estudos e desse campo.
Gostaríamos de frisar alguns pontos concernentes ao encontro de 2018. O primeiro deles é agradecer enormemente o esforço e a dedicação da comissão local, especialmente o coordenador do evento, o professor Lisandro Nogueira da UFG. Graças a ele e a seus colaboradores tivemos a melhor das acolhidas.
Outro aspecto de destaque é a presença do professor Mariano Mestman, da Universidad de Buenos Aires, para proferir a palestra de abertura. Há muito tempo que os associados vêm demandando da Socine uma maior articulação latino-americana. E foi mais significativo que esse olhar tenha se voltado para os significados especiais de 1968 na América Latina.
Temos também a homenagem à querida Bernadette Lyra, professora emérita da Universidade Federal do Espírito Santo.
Mas o principal ponto do nosso discurso é marcar o nosso mais veemente repúdio ao autoritarismo e à negação da democracia que se anunciam tão fortemente. É afirmar o nosso protesto contra o agravamento do desmonte da educação superior pública e aos ataques aos campos cultural e artístico no nosso país.

Diretoria SOCINE

Angela Prysthon
Ramayana Lira
Fernando Morais
Cristian Borges

Agradecendo a Homenagem que me faz a Socine, em seu XXII Encontro.

É muito bom estar aqui. É muito bom estar viva. Aqui, hoje, agora. É muito bom, porque posso falar e posso agradecer.
Por esta homenagem: estou muito grata à SOCINE. Estou muito grata à Diretoria, aos Conselhos e aos membros de nossa Associação. Estou muito grata ao Professor Marcius Freire. Estou muito grata a minha Universidade Federal do Espírito Santo. Estou muito grata a Universidade Federal de Goiás. Estou muito grata a esta bela cidade de Goiânia, que é apenas cinco anos mais velha que eu. Estou muito grata a meu companheiro de vida, de trabalho e de pesquisa, Professor Gelson Santana. Estou muito grata a todas e todos vocês.
Muito devo à generosidade do amor de tanta gente. Vou chamar de amor, como poderia chamar de amizade, afinidade, simpatia, empatia, tolerância, solidariedade…qualquer uma dessas palavras que, mais ou menos, traduzem o efeito de uma corrente de afetos.
Eu gosto da palavra amor. É um tanto cansada, fanada, usada, virada e revirada, mas é uma palavra parceira das coisas que unem pessoas, que outras coisas desunem; é parceira das coisas que se fazem comuns entre seres comuns; é parceira das coisas que causam uma cumplicidade entre criaturas que nem sempre são cúmplices. E, sobretudo, é o contrário do ódio.
Resulta que o amor é “um passo para uma armadilha” (como diz Djavan). Porque compromete. Porque naturaliza os gestos e os afagos. Porque dá a medida e a temperatura corretas do que alguém possa dizer a outro alguém. Por exemplo, eu agradeço a vocês, que estão agora dentro de nosso circuito amoroso, que são minhas companheiras e meus companheiros, que formam a nossa Socine.
Acontece que, fora desse círculo de amores cálidos, íntimos e cômodos, sempre haverá, em torno de quem quer que seja, gente que é indiferente e a quem somos indiferentes; gente que nada compartilha conosco e com quem nada compartilhamos; gente que não nos ama e a quem não amamos, afinal.
Mas, a partir desse lugar de desamor, de distanciamento e de indiferença, é possível gozar de algumas vantagens, de alguns privilégios. Por esta razão, nessa situação pelo avesso, também agradeço a toda essa gente, que me é estranha; que me é distante; que me é desconhecida. Agradeço, como faz a poeta Wislawa Szymborska, em seu Agradecimento.

Devo muito/aos que não amo.//O alívio com que aceito/que eles sejam amados por outras pessoas.//A alegria de não ser eu/o lobo de suas ovelhas.//Estou em paz com eles/e em liberdade com eles,/e isso o amor não pode dar/nem consegue tirar.//Não espero por eles/andando da janela até a porta./Paciente,/quase como um relógio de sol,/entendo,/o que o amor não entende,/perdoo,/o que o amor nunca perdoaria.//Desde o encontro até uma carta/não se passa uma eternidade,/mas apenas alguns dias ou semanas.//As viagens com eles são sempre um sucesso,/os concertos assistidos,/as catedrais visitadas,/as paisagens claras.//E quando nos separam
sete colinas e rios,/são apenas colinas e rios/bem conhecidos nos mapas.//É graças a eles/ que eu vivo em três dimensões,/num espaço sem lírica e sem retórica,/com um horizonte real feito do que se move.//Eles próprios não veem/quanta coisa de mim carregam em suas mãos vazias.//”Não lhes devo nada, afinal”/ -diria o amor/sobre esta questão aberta.

Mas eu devo tudo a vocês, companheiras e companheiros!
Juntos resistiremos!
Obrigada!

Bernadette Lyra
Goiânia, primavera de 2018.

Carta aberta do III Fórum dos Discentes de Pós-Graduação da SOCINE em defesa da democracia no Brasil

Nós, discentes de pós-graduação das áreas de comunicação, cinema e audiovisual, reunidos em Goiânia, na Universidade Federal de Goiás, durante o III Fórum Discente de pós-graduação da SOCINE, na oportunidade do XXII Encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, reunimos nossas inquietações no formato desta carta.

Motivados pelos temas “50 anos do maio de 68” do Encontro e “O papel da pesquisa em cinema e audiovisual em tempos de totalitarismo” do Fórum, apresentamos aqui nosso posicionamento frente aos processos políticos, econômicos e institucionais que progridem ao esfacelamento da democracia no Brasil e que afetam diretamente a pesquisa e o ensino.

Frente à atual conjuntura em que nos deparamos com desafios como: a PEC 241/55 de redução do orçamento referente à educação, o corte de bolsas de pesquisa, a proposta imponderada de desestruturação do campo e o estabelecimento de ideologias retrógradas que constituem formas de controle e vigilância dos alunos, professores e funcionários, nós defendemos a adoção do posicionamento a favor da democracia e do incentivo à educação e cultura no país.

Temos vivenciado o cerceamento em torno dos lugares de expressão individual e coletiva, através de ataques aos direitos humanos e sociais, e mais recentemente, através da ação ilegítima de agentes do Estado que adentram as universidades de forma autoritária, retirando cartazes com mensagens pró-democracia, entrevistando funcionários públicos e constrangendo discentes.

Nesse sentido, destacamos seis pontos que consideramos fundamentais para o comprometimento com uma nação democrática:

  • Defesa da democracia
  • Valorização das instituições de ensino, por um ensino público, diverso, de qualidade e universal
  • Manutenção dos Ministérios da Educação, da Cultura e da Ciência e da Tecnologia
  • Autonomia e diversidade na pesquisa acadêmica
  • Apoio à permanência dos programas sociais de inclusão
  • Pela defesa do Cinema enquanto campo de pesquisa e ensino

Repudiamos enfaticamente qualquer discurso que pregue a violência, a discriminação, o desmantelamento das instituições públicas, o descomprometimento com a pesquisa e o estabelecimento de um Estado repressor em relação às minorias que se encontram em situação de vulnerabilidade social e econômica.

Os estudos de cinema e audiovisual demonstram sua força e importância através do seu comprometimento com a investigação das ressonâncias no âmbito da imagem fílmica e da recepção trazidas pelas mudanças no Estado Democrático de Direito, para pensar como podemos recortar, em nível de reflexão e de engajamento político, um espaço de resistência contra o fascismo. Os temas do Encontro e do Fórum, assim, constituem energias pungentes de discussão sobre a situação em que nos encontramos, enquanto discentes, professores e pesquisadores de cinema e audiovisual.

Goiânia, 26 de outubro de 2018

Carxs discentes e associados da SOCINE,

Gostaríamos de convidar a todas e todos para a participação no III Fórum de Discentes de Pós-Graduação (SOCINE), criado com o intuito de ampliar o debate dos estudantes de pós-graduação associados à entidade. O Fórum acontecerá no dia 24/10, quarta-feira, a partir das 19 horas na Sala 205 do Centro de aulas D, na UFG.

Ao considerarmos o tema do evento deste ano – 50 anos do maio de 68 – e a atual conjuntura política que atravessa o país, gostaríamos de propor que o III Fórum de Discentes de Pós-Graduação (SOCINE) gere um debate sobre o seguinte tema: O papel da pesquisa em Cinema e Audiovisual em tempos de totalitarismo. Desta forma, abrimos um espaço de diálogo sobre possíveis deslizamentos entre os processos que completam 50 anos este ano e aqueles que anunciam seu início em 2018.

O Fórum, para além de propor o debate sobre questões relativas ao encontro anual da SOCINE, é o principal momento de encontro dos discentes associados com sua representação eleita, no qual atualizamos a comunidade da nossa atuação e entramos em contato com as expectativas e demandas. É, também, uma oportunidade para a ampliação dos canais de comunicação entre os programas de pós-graduação em comunicação, cinema e audiovisual e as atividades discentes.

Marcela Soalheiro e Wendell Marcel Alves da Costa,
Representantes Discentes SOCINE

Prezadxs,

Já é possível gerar o boleto em nosso sistema para o pagamento da inscrição para o XXII Encontro SOCINE, que acontecerá de 23 a 26 de outubro na UFG, em Goiânia. Devido a questões com o Banco do Brasil, o início dos pagamentos foi adiado e retomado no dia de hoje. Levando isso em consideração, fizemos ajustes no cronograma de pagamento.

Primeiro prazo (R$185,00 profissionais/R$92,50 estudantes): de 01 de agosto a 24 de agosto;

Segundo prazo (R$215,00 profissionais/R$107,50 estudantes): de 27 a 31 de agosto;

Prazo final (R$255,00 profissionais/R$127,50 estudantes): de 03 a 06 de setembro.

Agradecemos a paciência e compreensão de todos.

LISTA DE APROVADOS

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

PAGAMENTO DAS ANUIDADES

Os sócios que desejam pagar a anuidade de 2018 ainda este ano podem fazê-lo acessando o sistema e gerando o boleto para o pagamento. Caso o(a) sócio(a) tenha anuidades em aberto de outros anos, as mesmas serão cobradas no boleto com a deste ano.

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

O XXII Encontro SOCINE acontecerá na UFG, em Goiânia, de 23 a 26 de outubro de 2018.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

Primeiro prazo (R$185,00 profissionais/R$92,50 estudantes): de 10 de julho a 10 de agosto;

Segundo prazo (R$215,00 profissionais/R$107,50 estudantes): de 13 a 24 de agosto;

Prazo final (R$255,00 profissionais/R$127,50 estudantes): de 27 a 31 de agosto. 

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Filipe Brito Gama (UESB)

Minicurrículo

    Graduado em Arte e Mídia pela Universidade Federal de Campina Grande, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos. Professor do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia nas áreas de Produção, Mercado e Política do audiovisual e Documentário. É realizador audiovisual e atualmente coordena o projeto de pesquisa intitulado Mapeamento e Análise do mercado exibidor na Bahia: um estudo sobre os segmentos de mercado

Ficha do Trabalho

Título

    Os cinemas de Vitória da Conquista e o mercado exibidor brasileiro

Seminário

    Exibição cinematográfica, espectatorialidades e artes da projeção no Brasil

Resumo

    O mercado exibidor brasileiro sofreu significativas mudanças ao longo de sua história, passando por transformações tecnológicas e estruturais desde o início de sua atividade. Em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, as salas de cinema acompanharam as modificações do cenário nacional. Este trabalho pretende, portanto, construir uma relação entre a estrutura do parque exibidor nacional e a trajetória das salas de cinema em Vitória da Conquista.

Resumo expandido

    Este trabalho pretende analisar como o mercado de salas de cinema se constituiu em Vitória da Conquista-BA, estabelecendo uma relação com o que acontecia simultaneamente com o parque exibidor no restante do país. A cidade é marcada pela constante presença das salas de cinemas em sua história recente, que possuíam papel central dentre as opções de divertimento da comunidade. Como indicado na revista Moviola (2003), a primeira experiência com exibição cinematográfica acontece em 1912, com o Cinematógrafo, que assim como ocorria em outras cidades do país, era um espaço precário e não exclusivo para exibição cinematográfica (DE LUCA, 2010). Nos anos seguintes, surgiram iniciativas pouco duradouras, como o Cine Jurandir, o Cine Iris, o Cine Conquista (os três no mesmo espaço) e o Cine Ideal, este pertencente à Empresa Conquistense de Filmes. Mas é a partir do estabelecimento do cinema sonoro que o mercado exibidor se fortalece. Em Conquista, os aparelhos de som chegam ao cinema em 1934, no Cine-Teatro Castro Alves. A cidade vê surgir uma série de outros empreendimentos cinematográficos, de diferentes donos, como o Cine Israel, em 1942 (que viraria Cine Lux e Cine-Teatro Conquista, de propriedade da Empresa de Cinemas Conquista). No restante do país, a estrutura de duopólio existente entre Serrador e Severiano Ribeiro começa a ser ameaçada por partícipes regionais, estabelecendo novas casas nas várias regiões do país. (DE LUCA, 2010)
    A década de 1950 marca um crescimento do número de salas comerciais voltadas à exibição de filmes, passando de 927 espaços, em 1950, para 2.114, em 1955 (SIMIS, 2008). Para Vitória da Conquista, é um período que marca o surgimento de importantes cinemas, como o Cine Glória e o Cine Eldorado, ambos com capacidade para mais de 800 pessoas. Na década seguinte, surgem o Cine Riviera e o Cine Madrigal, os dois em 1968. Como aponta De Luca (2010, p. 56), o fim da década de 1960 apresenta um parque exibidor segmento geograficamente e com diversos empresários no ramo. Nos anos 1970 o parque exibidor atinge seu auge no país, consolidando-se como um negócio segmentado e geograficamente descentralizado, com 3.276 salas (1975) divididas nas grandes, médias e pequenas cidades. Conquista acompanha este crescimento, contando agora com cinco cinemas ativos em vários bairros da cidade, todos de propriedade de Nivaldo Araújo: o Riviera, o Glória, o Eldorado, o Madrigal, já existentes, e o Trianon (de 1977) representando o apogeu cultural do cinema na cidade (FERNANDES, 2014).
    A crise que assolou o parque exibidor brasileiro nos anos 1980, com a redução de drástica no número de salas, também é sentida em Vitória da Conquista. Em dados gerais, o país passa de 3.276 salas para 1.033, em 1995, fechando especialmente nas periferias e no interior (IKEDA, 2015). Os espaços se tornam cada vez mais precários e pouco atrativos e por motivos diversos o público se afasta dos cinemas. Na cidade, quatro cinemas fecham as portas entre neste período, com exceção do Madrigal, único a sobreviver na década de 1990, sendo gerido pela Art Films, do Rio de Janeiro. O Madrigal fecha em 2001, retornando em 2002 e encerrando definitivamente as atividades em 2007. Neste mesmo período, crescem na cidade o número de videolocadoras e o homevídeo se torna a principal opção de consumo de filmes.
    O fechamento dos cinemas de rua e o surgimento de salas em shopping se consolidam especialmente a partir da chegada dos Multiplexes no fim dos anos 1990. O número de salas e complexos volta a crescer nos anos 2000, mas de forma concentrada nas grandes cidades (BARONE, 2008). Conquista acompanha esta nova lógica do mercado com a inauguração, em 2006, de três salas de cinema do grupo Moviecom, no shopping da cidade. Em 2018, o Brasil volta a ter 3.220 salas, número próximo ao ápice de 1975, mesmo ano em que serão abertas 06 salas em um complexo do grupo Centerplex, em um novo shopping, fazendo com que a cidade passe a ter 09 salas de cinema em 02 complexos.

Bibliografia

    BARONE, João Guilherme. Sessões do Imaginário. Exibição, crise de público e outras questões do cinema brasileiro. Porto Alegre, nº 20, Dez. 2008.
    COSTA, Raquel et. al. Cinema e Cidade. Moviola. Vitória da Conquista, v. I, 2003.
    FERNANDES, Cristina Leilane Azevedo. Cinefilia em Vitória da Conquista: Memórias de uma prática cinematográfica. 2014. 140f. Dissertação. Programa de Pós-Graduação em Memória: Linguagem e Sociedade, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vitória da Conquista-BA.
    IKEDA, Marcelo. Cinema brasileiro a partir da retomada: aspectos econômicos e políticos. São Paulo: Summus, 2015.
    LUCA, Luiz Gonzaga de. O mercado exibidor brasileiro: do monopólio ao pluripólio. In: MELEIRO, Alessandra. (org.). Cinema e mercado. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
    NUDELIMAN, Sabrina; PFEIFFER, Daniela. Novas janelas. In: MELEIRO, Alessandra. (org.). Cinema e mercado. São Paulo: Escrituras Editora, 2010.
    SIMIS, Anita. Estado e cinema no Brasil. São Paulo: Annablume: FAPESP, 2008.

A diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) manifesta o seu mais veemente repúdio à demissão da professora Bernadette Lyra pela Universidade Anhembi Morumbi. Além de ter sido a fundadora do Programa de Pós-graduação em Comunicação da instituição, é uma das professoras mais reconhecidas e respeitadas no nosso campo, responsável pela formação de inúmeros pesquisadores, pela consolidação dos estudos de cinema no país e uma presença e influência fundamentais na SOCINE.
Precisamos resistir ao desmantelo e à desestabilização da pós-graduação e do ensino superior do nosso país. A SOCINE se solidariza com Bernadette e com os demais professores demitidos no contexto do desmonte promovido pelas instituições privadas de ensino.

Angela Prysthon
Ramayana Lira
Fernando Morais
Cristian Borges