São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

O comum e o cinema

Resumo

    A proposta retoma as principais questões que nortearam o seminário temático Cinema, estética e política de 2009 a 2013, voltando a pensá-las no contexto da produção mundial, em atenção aos filmes (sua estilística, seus modos de produção e circulação). Buscamos focalizar e desdobrar, em uma série de questões, a seguinte linha de indagação: como identificar, enfrentar e debater, no campo do cinema, a importante reivindicação de um espaço “comum” que se constitui por uma pluralidade de agentes, e cujas partes entrem em relação pela diferença e não por uma pretensa “identidade”? De que forças e recursos o cinema contemporâneo dispõe para dar forma a esse comum? Se “a coexistência supõe sempre a separação e a distância” (SILVA, 2011: 24), como o trabalho do cinema cria laços e partilhas, estabelece rupturas, fraturas, ausências? Como pensar novas figuras de comunidade, atentos à produção que se liga à vida de pequenos grupos em diferentes contextos?

Resumo expandido

    Se desejamos pensar, sob outro modo, os liames entre o cinema e o comum, a primeira coisa a fazer – seguindo a recomendação de Roberto Esposito – é tomar distância diante das filosofias comunitárias, desfazer a sinonímia entre o comum e o próprio, e conceber o ser-em-comum esvaziado de toda substância e de toda propriedade, tomando-o como radicalmente impróprio. O que caracteriza o comum é o outro: “um transbordamento, parcial ou integral, da propriedade em seu contrário. Uma desapropriação que investe e descentra o sujeito proprietário, e o força a sair de si mesmo. A alterar-se” (ESPOSITO, 2012:31). O ser-em-comum só pode ser indiciado pelas múltiplas classes de proximidades – umas expostas diante das outras – que o compõem, mas sem que ele venha a constituir um conjunto fechado (e, muito menos, um território, um corpo, uma corporação). Ele é feito não daquilo que cerca ou reúne, mas de tudo aquilo que dele se acerca e vem romper sua clausura: aquilo que constitui o comum não lhe pertence, afinal. (ESPOSITO, 2012:34).

    Interessa-nos, portanto, indagar pelas forças e recursos de que o cinema contemporâneo dispõe para dar forma a essas outras figuras do comum. Como a função mediadora das imagens do cinema poderia vir a constituir esse ser-com longe de toda fusão identificadora ou massificante, como reivindica Marie-José Mondzain? Ao retomar as indagações de Jean-Luc Godard em torno “do que pode o cinema”, a autora sublinha que o que define a imagem é sua capacidade de operar a ligação entre os sujeitos do olhar, mas mantendo as distinções, os desajustes e as dissensões. O cinema é então pensado como “o produtor da crença constitutiva sobre a qual repousa o mitdasein (o ser-com) do mundo partilhado socialmente, politicamente” (MONDZAIN, 2011: 125).

    Se o cinema pode criar uma comunidade de heterogêneos, interessa-nos indagar: de que modos a materialidade do filme condiciona e configura o “ser-em-comum”? E ainda, se essa comunidade é mesmo estética (RANCIÈRE, 2011), em que medida ela seria também política?

    Uma pista talvez seja pensar, junto com Jean-Louis Comolli (2008), nas experiências cinematográficas que subvertem a lógica do dispositivo descrita por Jean-Louis Baudry (que recalca o aparato para garantir o ilusionismo), nas quais a sala escura deixa de ser o lugar confortável do espetáculo e da catarse individual para se tornar um lugar da crise, da impossibilidade de realização da ilusão total, do trabalho pela falta. Dito isso, quais formas de escritura cinematográfica se abrem para essa dimensão faltosa, na qual o espectador sofre com o outro por estar na fronteira entre o cinema e o mundo, a cena e a vida?

    Concebemos ainda um segundo sentido para o comum: trata-se daquilo que é corriqueiro, cotidiano e que tem no cinema contemporâneo um locus potente de figuração. Ao colocar em cena a vida dos homens ordinários – experiências residuais dos banidos do capitalismo avançado de consumo – o cinema age sobre ela: seja enquadrando-a, tipificando-a, e assim escapando de toda singularidade que o comum guarda em sua potência; seja reinventando-a através da abertura para o acidental, e assim dando lugar a uma dimensão performativa; ou ainda legando ao sujeito filmado uma tomada de posição, criando, assim, um espaço relacional. Interessa-nos indagar sobre um comum que se constitui diante das forças biopolíticas e do espetáculo, e, que, portanto, só será reconhecido em sua dimensão ordinária quando exposto em suas fraturas.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. A comunidade que vem. Lisboa: Presença, 1993
    COMOLLI, Jean-Louis.“Os homens ordinários. A ficção documentária”. In: O comum e a experiência da linguagem. GUIMARÃES, C.; OTTE, G.; SEDLMAYER, S. (Orgs.). BH: UFMG, 2007.
    ESPOSITO, Roberto. Communitas. Origen y destino de la comunidad. Buenos Aires: Amorrortu, 2012.
    MONDZAIN, Marie-José. “A arte das imagens como poder de transformação”. In: SILVA, Rodrigo; NAZARÉ, Leonor (org). A república por vir. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2011.
    NANCY, Jean-Luc. La communauté désœuvré. Paris: Christian Bourgois éditeur, 2004,
    RANCIÈRE, Jacques. Aisthesis – scènes du regime esthetique de l’art. Paris: Galilée, 2011.
    __________. “Povo ou multidões?” In: Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas / UDESC. Vol. 1, n.15, Out. 2010.
    SILVA, RODRIGO. Apresentação (elegia do comum). In: SILVA, Rodrigo; NAZARÉ, Leonor (org). A república por vir. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2011.

Coordenadores

    Cláudia Cardoso Mesquita
    Sylvia Beatriz Bezerra Furtado
    Amaranta Cesar

 

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e de Documentário – Volume I – 2011
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Este livro é uma co-edição da Socine, resultado das atividades desenvolvidas no seminário temático Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e Documentário, do XIV Encontro Internacional da SOCINE realizado na Universidade Federal de Pernambuco em outubro de 2010.

XI Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 13º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2009 na Cinemateca Brasileira e na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

X Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 12º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2008, na Universidade de Brasília.

VII Estudos de Cinema – 2012
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Este livro reflete o 9º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2005, na Universidade do Vale do Rio Dos Sinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.