São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos

Resumo

    O objetivo deste seminário é incentivar a troca de experiências entre pesquisadores a respeito de como as ciências sociais podem intercambiar conhecimento e metodologias com os estudos de cinema. O desafio é refletir sobre como o objeto fílmico, sua construção formal e seu conteúdo expresso, constroem e difundem conceitos e ideias. A abordagem interdisciplinar tendo como centro de tensões o objeto fílmico se apresenta como inspiração para o desenvolvimento das reflexões que queremos empreender.

Resumo expandido

    O objetivo deste seminário é discutir questões relativas simultaneamente às ciências sociais e ao cinema. Como analisar um filme a partir das categorias das ciências sociais? Quais metodologias possíveis para a análise fílmica a partir do escopo teórico das ciências sociais? As perguntas de partida indicam a centralidade do objeto artístico para pensar uma sociologia da arte ou uma antropologia da arte. Os estudos que relacionam ciências sociais e cinema no Brasil, no entanto, carecem de uma discussão mais aprofundada no que se refere aos alcances e aos limites dessa abordagem específica, bem como no que se refere a uma metodologia adequada para esse tipo de pesquisa. O desafio é refletir sobre o objeto fílmico investigando como sua construção narrativa informa tanto os conceitos e as ideias aludidos por ele quanto o seu conteúdo temático propriamente dito.

    Recentemente os cientistas sociais têm se dedicado cada vez mais a pesquisas sobre as imagens, admitindo que elas são parte fundamental do mundo em que vivemos. Estudar a produção, a recepção e o sentido que adquirem as imagens na sociedade contemporânea é fundamental para que possamos entender seu funcionamento. Assim, imagem e contexto social se entrelaçam intimamente, estimulando os cientistas sociais a relacionarem estes dois elementos em suas pesquisas. O cinema e o audiovisual são, de maneira geral, temas privilegiados neste campo, já que perpassam o cotidiano de nossa existência social. É impensável conceber o mundo em que vivemos sem as imagens em movimento que nos atingem diariamente através da TV, do DVD, da internet e mais recentemente inclusive de nossos aparelhos celulares.

    Tradicionalmente os cientistas sociais têm se mantido afastados da análise fílmica e concentrados nas análises do contexto social da produção e da recepção da imagem. Trata-se de uma abordagem legítima e que tem sua trajetória própria dentro das ciências sociais. Entendemos, no entanto, que também é possível e mesmo desejável que o cientista social procure desvendar valores, intuições, crenças e ideologias que a própria obra cinematográfica difunde e que muitas vezes não são redutíveis ao contexto social de sua produção.

    Gostaríamos de refletir sobre uma metodologia de análise fílmica que ultrapasse as discussões que fogem do filme em direção aos conteúdos por ele sugeridos ou que restringem a análise a uma discussão técnico-discursiva. Alguns trabalhos pioneiros fundamentam esse percurso. Pierre Sorlin, em seu “Sociologie du cinéma” (1977), se interessa por analisar os filmes a fim de compreender como as imagens são construídas em uma determinada época (mise-en-scène social) e em um determinado espaço sociocultural. Para o autor, um filme não é expressão direta de uma realidade, mas uma realidade nova constituída enquanto filme, em sua dimensão simbólica, com hierarquias e escala valorativa própria. Na tela podemos encontrar imagens já incorporadas pela sociedade, mas também novas imagens, novas formas de ver e conceber o social, que podem e devem ser estudadas pelos cientistas sociais pois dizem respeito à construção social do imaginário. Em artigo recente, Jean-Pierre Esquenazi apresenta alguns elementos importantes para pensarmos uma sociologia do filme (revista “Cinémas” 17(2-3), 2007). O autor defende o diálogo da sociologia com a história da arte, a semiologia e os estudos de cinema para se empreender a análise fílmica. A abordagem interdisciplinar, tendo como centro de tensões o objeto fílmico, se apresenta como inspiração para o desenvolvimento das reflexões que queremos empreender.

    O seminário em questão procura justamente incentivar a discussão sobre como empreender uma pesquisa sobre cinema e audiovisual nas ciências sociais e incentivar que os pesquisadores troquem experiências a respeito de como as ciências sociais podem intercambiar conhecimento e metodologias com os estudos de cinema.

Bibliografia

    ESQUENAZI, Jean-Pierre. Éléments de sociologie du film. Cinémas v. 17, n. 2-3, p. 117-141, printemps, 2007.
    SORLIN, Pierre. Sociologie du cinema: ouverture pour l’histoire du demain. Paris Aubier Montaigne, 1977.

Coordenadores

    Mauro Luiz Rovai
    Carlos Francisco Pérez Reyna
    Marcius Freire

 

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e de Documentário – Volume I – 2011
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Este livro é uma co-edição da Socine, resultado das atividades desenvolvidas no seminário temático Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e Documentário, do XIV Encontro Internacional da SOCINE realizado na Universidade Federal de Pernambuco em outubro de 2010.

XI Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 13º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2009 na Cinemateca Brasileira e na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

X Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 12º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2008, na Universidade de Brasília.

VII Estudos de Cinema – 2012
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Este livro reflete o 9º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2005, na Universidade do Vale do Rio Dos Sinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.