São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Se, por um lado, parte da teoria do cinema reconhece a cumplicidade do cinema com a normatização do desejo e a objetificação da mulher, por outro lado, são os próprios filmes que sugerem novas formas de articular representação, desejo e materialidade fílmica. Abre-se, assim, um espaço para a produção audiovisual e crítica dissensual que busca por em cheque a hetero e a homonormatividade e as visões vitimizantes e despotencializadoras das mulheres e sujeitos queer. O Seminário Temático Cinemas Queer e Feministas procura criar um espaço de debate e provocação, de promoção e apoio aos estudos históricos, teóricos e críticos que dão conta das problemáticas queer e feminista.

Resumo expandido

    Vemos, nos últimos anos, um crescente interesse de pesquisas brasileiras em questões relacionadas ao desejo, à sexualidade e ao gênero no cinema. Esta proposta de Seminário Temático procura criar um espaço de debate e provocação, de promoção e apoio aos estudos históricos, teóricos e críticos que dão conta das problemáticas queer e feminista. Se, por um lado, parte da teoria do cinema reconhece a cumplicidade do cinema com a normatização do desejo e a objetificação da mulher, por outro lado, são os próprios filmes que sugerem novas formas de articular representação, desejo e materialidade fílmica. Abre-se, assim, um espaço para a produção audiovisual e crítica dissensual que busca por em cheque a hetero e a homonormatividade e as visões vitimizantes e despotencializadoras das mulheres e sujeitos queer.
    Jane Pilcher e Imelda Whelehan chamam a atenção para a relevância de abordagens queer que desafiam e interrogam os privilégios da heteronormatividade e que questionam noções dominantes de “normalidade”. As autoras lembram, ainda, que a adoção do termo queer sugere o borramento das fronteiras entre as sexualidades hetero e gay e valida sujeitos que, no passado, seriam considerados – de maneira perjorativa – “marginais” (2004, p. 129). Ao trazer à tona questões de sexualidade, desejo e prazer (e como esses participam na construção dos sujeitos), os estudos queer desafiam as políticas das identidades tradicionais e propõem a recusa de categorias fixas. Interessa, aqui, pois, o que há de desvio, de negação, de resistência e de produção de alternativas às normas sociais; pois o queer não apenas rejeita a normatividade mas faz da sua rejeição um projeto para o novo. Como bem lembra Judith Butler,
    If the term “queer” is to be a site of collective contestation, the point of departure for a set of historical reflections and futural imaginings, it will have to remain that which is, in the present, never fully owned, but always and only redeployed, twisted, queered from a prior usage and in the direction of urgent and expanding political purposes’ (1993, p. 19)
    O cinema tem papel importante na produção e disseminação de narrativas e imagens queer e, consequentemente, na circulação de projetos anti-hegemônicos, da mesma forma que o cinema feminista. Estudiosas como Alison Butler e Claire Johnston procuram entender o cinema feito por mulheres como um “contra-cinema”, um “cinema menor” que existe dentro de outros cinemas. O mesmo poderia ser dito pelo cinema produzido por homens gays, por transexuais e outras minorias, que quase sempre são vistas, numa perspectiva dominante, como alegorias de si. A idéia de “cinema menor” pode ser comparada à discussão proposta por Gilles Deleuze e Félix Guattari a propósito de uma “literatura menor”, que, para Butler “is not like a literary genre or period, nor is classification as minor an artistic evaluation (…). A minor literature is the literature of a minority or marginalized group, written, not in a minor language, but in a major one” (19). O “cinema menor” feito por mulheres, por exemplo, ajuda a revelar a condição “desterritorializada” deste grupo social que produz não apenas uma estética “contra”, mas apresenta-se como força contestadora que emprega estratégias de apropriação, re-escrita e re-visão dos cinemas hegemônicos. Por isso Butler comenta que “women’s cinema is not at home in any of the host cinematic or national discourses it inhabits, but […] it is always an inflected mode, incorporating, re-working and contesting the conventions of established traditions”.
    Assim, interessa ao ST QUEEF discussões sobre:
    Histórias queer e feministas do/no cinema; Políticas de resistência queer e feminista; Perspectivas críticas contemporâneas e suas intersecções com o cinema queer e feminista: ecocrítica e o antropoceno no cinema; questões raciais e de classe; Cinema popular queer e feminista; Autoria no cinema queer e feminista; Teoria queer e feminista do cinema; Pornografias queer e feminista

Bibliografia

    BUTLER,Alison. Women’s Cinema: The Contested Screen. Londres: Wallflower, 2002.
    DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. Kafka. Minneapolis e Oxford: University of Minnesota Press, 1986.
    KAPLAN, E. Ann. A mulher e o cinema: os dois lados da câmera. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.
    MAYNE, Judith. The Woman at the Keyhole: Feminism and Women’s Cinema. Bloomington: Indiana University Press, 1990.
    BUTLER, Judith. Critically Queer. GLQ: A Journal of Lesbian and Gay Studies 1(1): 17–32, 1993.
    PILCHER, Jane Pilcher; WHELEHAN, Imelda. 50 key concepts in gender studies. Londres: SAGE, 2004.
    GARCIA, Wilton. Introdução ao cinema queer no Brasil: anotações. In: MACHADO Jr, Rubens; SOARES, Rosana; ARAÚJO, Luciana. VII Estudos de cinema e audiovisual. São Paulo: Socine, 2006. 457-466.
    DE LAURETIS, Teresa. Queer texts, bad habits, and the issue of a futue. GLQ: a journal of lesbian and gay studies. 17 (2-3): 242-263, 2011.

Coordenadores

    Ramayana Lira de Sousa
    Mauricio Reinaldo Gonçalves
    José Gatti

 

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e de Documentário – Volume I – 2011
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Este livro é uma co-edição da Socine, resultado das atividades desenvolvidas no seminário temático Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e Documentário, do XIV Encontro Internacional da SOCINE realizado na Universidade Federal de Pernambuco em outubro de 2010.

XI Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 13º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2009 na Cinemateca Brasileira e na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

X Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 12º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2008, na Universidade de Brasília.

VII Estudos de Cinema – 2012
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Este livro reflete o 9º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2005, na Universidade do Vale do Rio Dos Sinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.