São 12 os Seminários Temáticos aprovados para o biênio 2015-2017 da SOCINE:

  1. Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais;
  2. Cinema e Ciências Sociais: diálogos e aportes metodológicos;
  3. Cinema e educação;
  4. Cinema e literatura, palavra e imagem;
  5. Cinema Queer e Feminista;
  6. Cinemas em português: aproximações – relações;
  7. Corpo, gesto, performance e mise en scène;
  8. Exibição cinematográfica, espectatorialidade e artes da projeção no Brasil;
  9. Interseções Cinema e Arte;
  10. O comum e o cinema;
  11. Teoria dos Cineastas;
  12. Teoria e Estética do Som no Audiovisual.

A lista detalhada com ementa e coordenadores de cada seminário está disponível aqui.

Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    O seminário temático Cinemas em português: aproximações – relações pretende dar espaço à apresentação e discussão de trabalhos científicos desenvolvidos em diversas universidades brasileiras e europeias que relacionem, numa análise comparativa, prácticas e acções das cinematográficas e dos audiovisuais produzidos em países e comunidades de língua portuguesa.
    São seus objectivos construir novas perspetivas que possam expandir campos de trabalho que contemplem possíveis aproximações e relações, assim como criar novas interseções com cinematografias africanas pouco estudadas e, com isso, possibilitar um debate aprofundado do espaço cinematográfico e audiovisual comumente rotulado como ‘lusófono’.
    Este seminário pretende ainda oferecer uma plataforma para o encontro de investigadores do Brasil e de Portugal, bem como de outros países europeus, que fortaleça uma rede de pesquisadores que se tem vindo a consolidar nos últimos anos nos Encontro da SOCINE e da congénere portuguesa AIM.

Resumo expandido

    A consolidação deste seminário, Cinemas em português: aproximações – relações, poderia exercer o papel de núcleo para o qual convergissem trabalhos e pesquisas que tivessem como objeto de estudo os cinemas e a produção audiovisual de língua portuguesa e que privilegiassem, sobretudo, as relações e aproximações criadas a partir daí.
    É importante ressaltar que o seminário pretende estruturar-se sob duas vertentes de pesquisas: uma, sedimentada em estudos da cinematografia portuguesa que reúne pesquisadores do Brasil e de Portugal e que tem como objetivo central traçar ligações, sobretudo, em relação aos cinemas desses países; outra, com forte interesse na discussão crítica do conceito “lusófono” dentro dos estudos de cinema, avaliando inter-relações e cruzamentos entre cinemas falados em português, pensando não só no Brasil e em Portugal, como nos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) e mesmo nos realizadores que experimentam a diáspora, mas também no contexto mais alargado do espaço ibero-americano.
    Devemos lembrar neste contexto a proliferação de produções transnacionais entre Portugal, os PALOP (Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, São Tomé e Princípe) e o Brasil, devido ao aumento de protocolos entre as instituições de cinema destas nações que deram frutos a partir dos anos 90, bem como os recentes incentivos financeiros para a produção cinematográfica da Comunidade dos Países Língua Portuguesa (CPLP).
    Este seminário exerce já um papel importante na criação paulatina de uma cidadela científica no interior da SOCINE e, se possível, no Brasil, em que o debate em torno de tais cinemas adquirisse maior visibilidade, tanto em termos de publicização do debate quanto na concentração de produção acadêmica e crítica.
    Além disso, o grupo reunido nos encontros poderia servir como chamariz para que novos pesquisadores ou pesquisas pudessem ser articulados em torno do tema, cumprindo assim uma tripla tarefa: atrair as investigações já realizadas; de reunir pesquisadores e interessados durante todos os dias do congresso; criar visibilidade para temáticas que poderão ser cada vez mais requisitadas como objeto de estudos do cinema e do audiovisual.
    Os encontros anuais da SOCINE tem se mostrado como um excelente espaço para que o assunto seja aprofundado e, sobretudo, para que se expanda, trazendo pesquisadores de Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Principe, e Timor Lorosae até ao Brasil.
    Nas suas edições anteriores, este seminário tem sido um espaço privilegiado para se debater a obra de autores como Manoel de Oliveira, Flora Gomes, Glauber Rocha, Susana de Sousa Dias, Licínio de Azevedo, Pedro Costa, Isabel Noronha, Ruy Guerra, Sana Na N’Hada, Sol de Carvalho, Margarida Cardoso e Ruy Duarte de Carvalho, entre muitos outros.
    Além da obra desses autores, também tem sido debatidas outras questões importantes e de interesse comum como: o cinema como processo de redefinção da memória e da história dos países que viveram experiências ditatoriais; as relações entre os movimentos de renovação como o cinema novo brasileiro, o novo cinema português ou os cinema de libertação de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; os modos de produção e os arranjos institucionais que envolvem os sectores da produção, distribuição e exibição de cinema nos países de língua portuguesa; estudos sobre as interseções entre cinema e arte contemporânea que se tem desenvolvido no diálogo entre artistas e cineastas de diversos países sobre um conjunto de questões relacionadas com o passado comum dos países de língua oficial portuguesa, como Filipa César, Kiluanje Kia Henda, Ângela Ferreira, Délio Jasse ou Daniel Barroca.

Bibliografia

    Catani, Afrânio Mendes (2004). História do cinema brasileiro: 4 ensaios. São Paulo: Panorama.
    Cruz, Jorge & Mendonça, Leandro (ed.) (2013). Os cinemas dos países lusófonos. Rio de Janeiro: Edições LCV.
    Cruz, Jorge & Mendonça, Leandro (ed.) (no prelo). Cinemas em português. Rio de Janeiro: Edições LCV.
    Cruz, Jorge; Mendonça, Leandro; Monteiro, Paulo Filipe & Queiroz, André (ed.) (2010). Aspectos do Cinema Português. Rio de Janeiro: Edições LCV.
    Cunha, Paulo & Sales, Michelle (ed.) (2013). Cinema Português: Um Guia Essencial. São Paulo: SESI-SP.
    Cunha, Paulo; Lopes, Frederico & Penafria, Manuela (2015). Cinema em Português. VII Jornadas. Covilhã: Labcom.
    Dennison, Stephanie (ed.) (2013). World cinema: As novas cartografias do cinema mundial. Campinas: Papirus Editora.
    Piçarra, Maria do Carmo & António, Jorge (ed.) (2013-2015). Angola, o nascimento de uma nação. 3 Volumes. Lisboa: Guerra & Paz.

Coordenadores

    Paulo Cunha
    Afrânio Mendes Catani
    Jorge Luiz Cruz

 

Manifestamos aqui nossa preocupação e atenção em relação aos recentes acontecimentos políticos no país.

Na área que nos é mais próxima, temos visto duríssimos ataques ao jornalismo que se pauta pela democracia, ética e princípios republicanos. Com objetivos políticos não mais velados, jornalistas que atuam nos grandes meios perderam o respeito não apenas pelas suas profissões, mas pela própria importância de uma mídia equilibrada, democrática e justa.

O que vimos nos últimos dias, sobretudo com as Organizações Globo, atenta contra o grande esforço que nas últimas décadas tantos atores sociais têm feito para que a justiça e uma imprensa livre sejam parte constituinte da república. Não há como defender o fim da corrupção e corromper todos os meios para destruir este ou aquele ator político.

Afirmamos assim que:

– Qualquer atuação dos grandes órgãos de imprensa que atente contra a ordem democrática através de difamações e incitações à instabilidade é inaceitável.

Sobre os recentes acontecimentos, afirmamos ainda que:

– Nenhuma atuação do jurídico ou da polícia federal deve ser feita com fins partidários e com arbitrariedades e abusos de poder.

– Qualquer abuso de poder do poder judiciário deve ser coibido e a igualdade entre indivíduos respeitada.

A crise do país e as importantes investigações sobre corrupção não justificam que certos atores sociais, no poder jurídico ou na grande imprensa, atentem contra a democracia e a ordem republicana.
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual
diretoria do FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual

Rio de Janeiro, 28 de janeiro de 2016.

 

Carta aberta ao Ministério da Educação e Ministério da Cultura

 

Assunto: Base Nacional Comum Curricular

 

 

A SOCINE (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) tem acompanhado os esforços de construção da Base Nacional Comum Curricular. Nosso comentário aqui irá se ater à especificidade de nossa área e sua relação com as propostas apresentadas na BNCC.

Dentro do texto preliminar do BNCC o componente curricular ARTE parte de uma grande área chamada linguagens. Dentro desta área as artes foram divididas em quatro grandes eixos: “artes visuais, dança, teatro e música”, conforme as licenciaturas específicas em arte, desconsiderando a Licenciatura em Cinema e Audiovisual (Resolução do CNE n. 10, de 27 de junho de 2006) e excluindo completamente o cinema como uma arte específica.

Foi essa subdivisão que nos trouxe uma primeira preocupação. Junto à todos esses subcomponentes da área de artes nos parece fundamental que esteja também o cinema. Esta atenção e necessidade não existe apenas porque trabalhamos e pesquisamos cinema e estamos atentos aos seus destinos, mas porque o cinema está intensamente presente na escola e na sociedade e, no momento da construção de uma base nacional para o currículo do ensino infantil, médio e fundamental as questões, contribuições e potencias do cinema na escola não podem ser excluídos.

Diversos componentes curriculares lançam mão de filmes de ficção, seriados, documentários para abordarem temas transversais e específicos de diferentes naturezas. O debate teórico que investigamos apontam para uma necessária vivência no âmbito escolar dos dispositivos cinematográficos desde a tenra idade seja para desenvolver a imaginação na Educação Infantil, na elaboração de cenários para o faz de conta, seja para a construção de identidade pessoal e cultural, seja pela singularidade da experiência sensível que o cinema possibilita.

Vale notar alguns fatos que sustentam nossa preocupação. Primeiramente o cinema é hoje obrigatório na escola. Graças à lei 13006/14, há uma obrigação de exibição de pelo menos duas horas de filmes brasileiros nas escolas. Esta lei, em vias de regulamentação, também exigirá que espaços físicos e materiais sejam garantidos nas escolas para sua efetivação, além da necessidade de uma real inclusão do cinema nas questões que tocam o currículo como um todo, transcendendo mesmo as linguagens específicas. Além de oferecer uma ampla versatilidade de conteúdo, a leitura de filmes e a própria produção audiovisual – inclusive com dispositivos móveis de comunicação – permite a professores e estudantes olhar para a realidade para descobri-la e inventá-la – gestos essenciais na produção de conhecimento.

Como bem é lembrado na proposta de BNC, “a formação em Arte acontece em licenciaturas específicas (artes visuais, dança, teatro e música)”, pois, também em licenciaturas de cinema. Embora talvez se presuma que “artes visuais” inclua de algum modo ao cinema, ele tem uma especificidade na formação do professor. Desde 2012 a Universidade Federal Fluminense possui uma licenciatura em cinema e a mobilização de outras universidade no mesmo caminho é evidente. Devemos ainda atentar à intensa contribuição que diversos programas de pós-graduação vêm dando às relações entre cinema e educação, algo que se evidência nos próprios encontros da sociedade que representamos, onde a cada ano temos diversos trabalhos e comunicações dedicados às relações do cinema com a educação.

Além da materialidade legal, de formação e de pesquisa que evidencia a íntima relação entre o cinema e a escola, a Rede Kino: Rede Latinoamericana de Educação, Cinema e Audiovisual, formada por professores e pesquisadores que trabalham na interface entre cinema e educação, vem mapeando projetos e iniciativas que se dedicam à essa interface, desde 2008. Projetos que acontecem em todo o país e que mobilizam centenas de escolas. Por fim, sabemos que o cinema é amplamente presente nas escolas por conta da contribuição que ele traz em tantas áreas, conteúdos e debates, da matemática às ciências, passando pelas histórias, geografias e humanidades em geral. Por todos esses motivos, pela intensa força pedagógica do cinema na escola, nos preocupa que no momento de construção de uma Base Curricular tão pouca atenção tenho sido dada ao cinema.

No nosso entender, a BNC deveria incluir um eixo Cinema e Audiovisual dentro do componente curricular artes, só assim garantiremos uma formação consistente em uma área decisiva da cultura contemporânea, além de uma experiência e uma habilidade em uma dimensão central das linguagens no mundo atual.

 

Atenciosamente

 

 

Cezar Migliorin

Presidente da SOCINE

  1. Prazo de pagamento da anuidade: de 1 a 24 de março; 
  2. Prazo de submissão de propostas de trabalhos para apresentação [XXI Encontro]: de 5 a 31 de março;
  3. Divulgação de propostas aprovadas para apresentação [XXI SOCINE]: 9 de junho;
  4. Período de pagamento das inscrições [XXI SOCINE]:
      • PRIMEIRO PRAZO: 3 a 13 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 180,00 – Discentes: R$ 90,00
      • SEGUNDO PRAZO: 14 a 24 de julho de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 210,00 – Discentes: R$ 105,00
      • TERCEIRO PRAZO: 25 de julho a 1 de agosto de 2017 – Docentes e profissionais: R$ 250,00 – Discentes: R$ 125,00
  5. Chamada de candidaturas [Eleições da SOCINE]: 21 de agosto a 22 de setembro;
  6. Inscrição de ouvintes [XXI SOCINE]: a partir de 11 de setembro;
  7. Divulgação da programação [XXI SOCINE]: 19 de setembro;
  8. Divulgação das candidaturas homologadas [Eleições da SOCINE]: 29 de setembro;
  9. XXI Encontro SOCINE, na UFPB, em João Pessoa: de 17 a 20 de outubro;
  10. Eleições da SOCINE: 18 e 19 de outubro;
  11. Assembleia e posse da nova diretoria: 20 de outubro;
  12. Prazo de envio de trabalhos para os Anais de Textos Completos [XXI SOCINE]: a definir.

Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e de Documentário – Volume I – 2011
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Este livro é uma co-edição da Socine, resultado das atividades desenvolvidas no seminário temático Televisão: Formas Audiovisuais de Ficção e Documentário, do XIV Encontro Internacional da SOCINE realizado na Universidade Federal de Pernambuco em outubro de 2010.

XI Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 13º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2009 na Cinemateca Brasileira e na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

X Estudos de Cinema – 2010
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Este livro reflete o 12º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2008, na Universidade de Brasília.

VII Estudos de Cinema – 2012
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Este livro reflete o 9º Encontro Nacional da Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual, trazendo artigos resultantes de comunicações apresentadas nesse evento ocorrido em 2005, na Universidade do Vale do Rio Dos Sinos, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul.