CHAMADA DE ARTIGOS PARA REBECA 16
O DOSSIÊ TEMÁTICO:  Cinema e Espaço Urbano

ISSN: 2316-9230
Prazo: 14 de outubro de 2019

É sabido que o cinema – desde as suas origens até a contemporaneidade, nas suas mais diversas manifestações – colhe da vida urbana alguns dos seus conteúdos capitais. Os espaços urbanos em que transitamos e vivemos, por sua vez, não tardaram em ir buscar a uma de suas fontes primordiais – o cinema – algumas das suas formas estéticas, éticas e políticas mais eficazes. Por um lado, se a mera invocação dessas categorias pode ofuscar perigosamente as diferenças abissais entre si mesmas, por outro, e desde logo, pretendemos realçar uma basilar reciprocidade entre a vida urbana e a história (viva) do cinema.

Modelos inequívocos de tal reciprocidade são os filmes que, entre a saída encenada dos trabalhadores da fábrica dos irmãos Lumière (1896) e as mais variadas formas de expre ssão nas cinematografias contemporâneas em todo o mundo, continuam a provocar uma urgente reflexão sobre percepções coletivas, momentos históricos precisos e mudanças sutis, ou traumáticas, sofridas por determinadas instâncias. Pensar o cinema contemporâneo e o que nele se produz ainda é, por tudo isso, uma ótima maneira para repensar os fenômenos da vida urbana; tal como pensar o que ocorre na singeleza dos mais variados espaços urbanos ainda proporciona, hoje e talvez mais do que nunca antes, um ponto de vista incontornável para analisar aquilo que o cinema ainda pode alterar no mundo global.

Acima de tudo, as linhas de partida e chegada deste dossiê, “Cinema e Espaço Urbano”, convocam uma disposição política. Com isto não nos referimos a tomadas de posição vincadas ou ideologicamente assumidas. Antes, falamos de uma capacidade e vontade de elaborar uma abertura teórica nos próprios textos: que neles se possam estabelecer pontos de contato não só com a habitual comunidade acadêmica em que comumente circulam, mas também com o mundo da vida. Pretendem-se ensaios “necessariamente críticos” (Sílvio Lima, Ensaio sobre a Essência do Ensaio, 1944) que arrisquem indicar novas unidades de medida a partir dos filmes e dos fenômenos urbanos de que se ocupam, provocando respostas políticas tão ambíguas como inequívocas. Que cada texto suscite no leitor a necessidade de ser artista no palco dramático que o envolve; que, na pior das hipóteses, a seleção de textos que se pretende deixe o leitor sensível às várias nuances táticas e estratégicas que o envolvem nas novas movimentações urbanas e nas mais recentes redes de sociabilidade.

Diante de tal contexto, o presente dossiê busca reunir artigos que contemplem múltiplas formas de se aproximar da temática do espaço urbano no cinema contemporâneo. Assim, convidamos à submissão de artigos que se debrucem sobre os seguintes temas, ou tópicos relacionados:  

• Contribuições teóricas sobre cinema e espaços urbanos no cinema do século XXI;

• Espaços afetados pela lógica, estética e ética cinematográficas no cinema do século XXI;

• Representações da vida na cidade e no espaço urbano no cinema contemporâneo;

• Arquitetura urbana e cinema contemporâneo;

• A ruralidade e o urbano no cinema do século XXI;

• O arquivo, a vigilância e as novas tecnologias enquanto espaços representacionais contemporâneos;

• Os espaços de distribuição e exibição cinematográfica e a sua integração nas redes de sociabilidade contemporâneas;

• Projetos urbanos e espaços de visionamento de cinema;

• Novas abordagens ao espaço urbano na história do cinema e na crítica cinematográfica;

• As várias escalas dos espaços de representação urbanos: cinematografias locais, nacionais e globais no cinema contemporâneo;

• Paisagens urbanas nas novas medias;

• Contribuições teóricas, críticas e pedagógicas sobre políticas de programação, distribuição e exibição de cinema contemporâneo em contextos urbanos.

Editores do dossiê:

Pedro Florêncio, Universidade de Lisboa / Portugal.
Wiliam Pianco, Universidade do Algarve / Portugal.
“O Cinema e o Mundo: Estudos Sobre Espaço e Cinema”, 
Grupo de Pesquisa vinculado ao CEC – Centro de Estudos 
Comparatistas da Universidade de Lisboa / Portugal.

http://cec.letras.ulisboa.pt/en/research-groups/theleme/cinema-and-the-world-studies-on-space-and-cinema/
Além do Dossiê, a revista tem outras quatro seções:

Artigos de Temáticas Livres, seção que reúne artigos de temática livre que não se incluam na temática do Dossiê adotada no número;

Entrevistas, seção que traz entrevistas com autores, pesquisadores, realizadores, roteiristas, artistas e personalidades da área;

Resenhas e Traduções, seção reservada à publicação de resenhas de livros e outras publicações da área, filmes ou filmografias, ampliando para obras audiovisuais de outros formatos como televisão, sites e/ou novas mídias e/ou eventos, além da tradução de artigo significativo já publicado, mas inédito no Brasil;

Fora de Quadro, seção voltada para a publicação de trabalhos com forma de expressão e formato livres.

As seções DossiêTemática LivreResenhas e Fora de Quadro aceitam submissão de trabalhos. Já nas seções Entrevistas e Resenhas e Traduções, tanto as entrevistas como as traduções serão realizadas a critério dos editores de REBECA.

Convidamos a todos que participem de nossa revista enviando artigos, opiniões e reflexões e agradecemos a participação.

Condições para submissão
Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores.

  1. Publicada semestralmente, a REBECA aceita submissões de textos inéditos de doutores e doutorandos. As seções Resenhas e Fora de Quadro podem ser submetidas por mestrandos. 
  2. A contribuição é original e inédita, e não está sendo avaliada para publicação por outra revista; caso contrário, justificar em “Comentários ao Editor”.
  3. A identificação de autoria deste trabalho foi removida do arquivo e da opção Propriedades no Word, garantindo desta forma o critério de sigilo da revista, caso submetido para avaliação por pares (ex.: artigos), conforme instruções disponíveis em Asegurando a Avaliação por Pares Cega.

Para submeter os trabalhos e verificar as normas de submissão, acessar a página da Revista: https://rebeca.socine.org.br/1/about/submissions

O prazo para submissões é 14 de outubro de 2019.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ESTUDOS DE CINEMA E AUDIOVISUAL – SOCINE

 

ELEIÇÃO PARA DIRETORIA – 2019/2021
PARA CONSELHO DELIBERATIVO – 2019/2021
PARA CONSELHO FISCAL – 2019/2021

Pelo presente EDITAL, a Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual/SOCINE, através de sua COMISSÃO ELEITORAL, em acordo com o Estatuto da Associação e com o que vem sendo praticado e ratificado pelas Assembleias da entidade, convoca todos os associados, com direito a voto e em dia com a anuidade da SOCINE, para eleição: da Diretoria – constando de Presidente, Vice-Presidente, Secretário e Tesoureiro, todos associados da categoria Profissional com título mínimo de doutor; do Conselho Deliberativo – constando de 15 membros, todos associados da categoria Profissional e/ou Honorário: professores, pesquisadores, realizadores e outros (dos quais, pela classificação, são escolhidos também 02 suplentes), bem como de 02 membros associados da categoria Estudante: mestrandos ou doutorandos; do Conselho Fiscal – constando de 03 membros da categoria Profissional, todos com título mínimo de doutor.

A cada associado é permitida apenas uma reeleição sucessiva para o mesmo cargo. O associado profissional que há quatro anos consecutivos ocupa um lugar no Conselho Deliberativo pode candidatar-se a cargos da Diretoria ou do Conselho Fiscal (e vice-versa). Cada integrante da Diretoria pode candidatar-se a apenas uma reeleição para o mesmo cargo e não poderá integrar a Diretoria por mais de três mandatos consecutivos, independentemente do cargo que ocupar.

O associado que estiver apto e quiser se candidatar para qualquer um dos cargos acima deverá enviar sua solicitação de candidatura até 13 de setembro de 2019, por e-mail concomitantemente dirigido aos três titulares da Comissão Eleitoral, a saber:

LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO – luizrezende@ufrj.br(Presidente)
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO – osmargoncalves@hotmail.com
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA – marcell.wendell@hotmail.com

Na solicitação, deverá constar no assunto do e-mail CANDIDATURA SOCINE 2019/2021, e no corpo do e-mail o informará: Nome completo; Titulação; Cargo ao qual se candidata; Mini-currículo (até 05 linhas); Link para o currículo Lattes.

Candidaturas enviadas fora do prazo e/ou das normas descritas acima serão desconsideradas.

A Comissão Eleitoral divulgará a relação dos candidatos através do site da SOCINE a partir do dia 20 de setembro de 2019.

eleição será realizada pelo sistema da SOCINEa partir da 00h00 do dia 09 de outubro de 2019 até às 23h59 do dia 10 de outubro de 2019.  Todos os associados com anuidade em dia poderão votar acessando o Painel do Associado e clicando no link Eleições, que estará disponível no Menu à esquerda da tela, logo abaixo do link Publicações.

resultado será divulgado pela Comissão durante a Assembleia Geral do dia 11 de outubro de 2019.

Os cargos eletivos da SOCINE, vale lembrar, envolvem importantes comprometimentos, que merecem ser avaliados desde o momento da candidatura. Tais atribuições estão detalhadas, de modo sugerido, no anexo deste edital. Entre as principais, comuns a todos os cargos estão: a) a participação nas reuniões do Conselho Deliberativo, e b) a emissão de pareceres relativos aos encontros.

Comissão Eleitoral SOCINE/2019:
LUIZ AUGUSTO COIMBRA DE REZENDE FILHO (UFRJ) – Presidente
OSMAR GONÇALVES DOS REIS FILHO (UFC)
WENDELL MARCEL ALVES DA COSTA (UFRN)
DENISE TAVARES DA SILVA (UFF) – Suplente

 

ANEXO – Atribuições sugeridas dos cargos de Diretoria e dos Conselhos da SOCINE.

Diretoria:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro);

Presidência:
representar a SOCINE sempre que solicitado, inclusive nas Reuniões de Conselhos;

Vice-presidência:
Substituir o/a Presidente quando necessário;

Secretaria Acadêmica:
resolver todas as dúvidas acadêmicas que surgirem; realizar a distribuição das propostas de comunicações (em média 400) aos pareceristas respeitando as orientações (não designar a pessoas com relação de orientação ou da mesma instituição, etc.); comprometer-se com a formação das sessões do Encontro a partir de eixos temáticos; confirmar todas as operações bancárias da SOCINE realizadas pela tesouraria.

Tesouraria:
realizar todos os pagamentos da sociedade; em períodos de pagamento de anuidade ou inscrição no encontro, entrar diariamente no sistema bancário para realizar as baixas dos boletos pagos; comprometer-se com a prestação de contas (ao contador e aos sócios); resolver todas as dúvidas e questões financeiras dos sócios e da SOCINE.

Conselho Deliberativo:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Conselho Fiscal:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Comitê Científico:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo (usualmente ocorrem em janeiro, em maio/junho e durante o Encontro); avaliar as propostas de STs (apenas uma vez, já no início do mandato); comprometer-se com a avaliação dos trabalhos inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano;

Representantes discentes:
participar das Reuniões do Conselho Deliberativo; avaliar os painéis inscritos para o Encontro, emitindo em média 30 pareceres no período de março/junho de cada ano; comprometer-se com a organização do Fórum Discente e da Hospedagem Solidária para o evento.

Prezadxs,

De acordo com a decisão de assembleia de possibilitar a leitura e aprovação virtual de atas, comunicamos que a ata da Assembleia SOCINE de 2018 encontra-se publicada em nosso site, dentro da área de associado, para sua consulta e aprovação.

Para acessá-la você pode clicar aqui e fazer login.

Quaisquer comentários ou sugestões podem ser encaminhados para o e-mail socine@socine.org.br até o dia 08/09.

Atenciosamente,

Sancler Ebert
Secretaria SOCINE

O XXIII Encontro SOCINE acontecerá na Unisinos, em Porto Alegre, de 08 a 11 de outubro de 2019.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos. O pagamento deverá ser feito pela área do associado, via Paypal.

Primeiro prazo: 10 de junho a 12 de julho – R$190,00 (profissionais) / R$95,00 (estudantes/profissionais sem vínculo)
Segundo prazo: 15 de julho a 26 de julho – R$220,00 (profissionais) / R$110,00 (estudantes/profissionais sem vínculo)
Prazo final: 29 de julho a 02 de agosto – R$260,00 (profissionais) / R$130,00 (estudantes/profissionais sem vínculo)

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Ficha do Proponente

Proponente

    Barbara Bergamaschi Novaes (PPGCOM – UFRJ)

Minicurrículo

    Bárbara Bergamaschi Novaes é doutoranda pelo PPGCOM-ECO/UFRJ e PPGLCC-LETRAS/ PUC-RIO. É mestre em Artes da Cena (PPGAC/ECO-UFRJ). Formada em Comunicação Social (2014) pela ECO-UFRJ com habilitação em Rádio e TV. Em 2012 participou do programa de intercâmbio Acadêmico na Universidade de Paris VIII onde estudou Cinema. Tem certificado em Fundamentação em Artes (2010) pela EAV- Parque Lage. Foi pesquisadora-bolsista da Fundação Casa de Rui Barbosa no projeto “Cultura Brasileira Hoje”.

Ficha do Trabalho

Título

    Ascensão, Vertigem e Queda na Poesia e Cinema de Mário Peixoto.

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Através de uma análise da decupagem de três cenas do filme Limite e da escansão do poema “A grande curva”, publicado no livro Mundéu acreditamos ser possível vislumbrar como a poesia e a mise-en-scène de Mário Peixoto obedecem a uma mesma lógica formal de construção. Em uma via de mão dupla observamos como a poesia se transfigura em cinema e, inversamente, como o cinema “enforma” a poesia. Para tal utilizamos textos de Mário de Andrade, Paulo Henriques Britto, Flora Süssekind e Sergei Eisentein

Resumo expandido

    Apesar de sua vasta produção literária, Mário Peixoto (1908-1992) se tornou metonímia de Limite, obra única na cinematografia brasileira e mundial, considerada “sem herdeiros” dentro da historiografia do cinema nacional. Peixoto escreveu o roteiro com vinte anos e filmou seu primeiro e único longa metragem com apenas vinte e dois anos de idade. Muitos críticos consideram o filme um dos únicos filmes avant-garde do cinema brasileiro, pois possui uma radicalidade experimental que contrasta com tudo o que era realizado na época.
    A montagem de Limite obedece a uma estrutura poética nas formas e no ritmo musical, com trilha de compositores de música clássica tais como: Claude Debussy (Prélude à l’après-midi d’un faune, Golliwogg’s cakewalk e Fêtes), Maurice Ravel (Quarteto de Cordas em Fá Maior), Stravinsky (O Pássaro de Fogo), Prokofiev (Sinfonia no. 1), sendo especialmente marcado pelas Gymnopédies de Erick Satie. O filme foi considerado por muitos anos perdido, sendo rodeado de mitos além de palco de intensos debates. Somente no final dos anos 1970, com a cuidadosa restauração do filme por Plínio Sussekind Rocha e Saulo Pereira de Mello, Limite veio finalmente à luz para as novas gerações.
    A história do livro de poemas Mundéu (1931) ocorre em paralelo a de Limite (1931). Mário Peixoto começa a escrevê-lo e publica-o no mesmo período em que realiza o filme. Em novembro de 1931 é lançada a coletânea em edição particular financiada pelo próprio artista. O livro mereceu na época críticas de Manuel Bandeira, Pedro Dantas, Mário de Andrade e Octávio de Faria. Mário Peixoto desgostou-se logo da obra, odiava o livro que considerava por demais “construído” e não se interessou em fazê-lo circular. Depois de sua morte, em 1992, mais de vinte exemplares foram encontrados em seu espólio, ainda fechados e praticamente novos. O livro foi reeditado em 1996 pela editora Sette Letras em edição comemorativa com tiragem de duzentos exemplares; é desta edição que retiramos o poema “A grande curva” aqui analisado.
    Nesta comunicação buscamos traçar as correspondências “plástico-verbais” entre as escritas poética e cinematográfica de Mário Peixoto buscando pontos de contato entre essas duas linguagens artísticas. Para tal iremos comparar duas obras do autor: o filme longa-metragem de vanguarda Limite e o livro de poesia Mundéu, ambos, curiosamente, lançados no mesmo ano de 1931. Como não é possível, dentro do curto espaço, analisar o filme e o livro integralmente, para realizar este exercício comparativo hermenêutico elegemos três sequências de Limite que nomeamos: (1) A Imagem Proteíca, (2) A Costureira e (3) A Vertigem. Colocamos estas três sequências lado a lado dos versos e estrofes selecionados do poema “A grande curva”, que a nosso ver sintetizam, em teoria, o “cinematismo” das obras, onde os mesmo elementos e forças atravessam as duas obras.
    Ao realizarmos a escansão dos versos e uma decupagem minuciosa plano a plano, demonstremos como há uma superdeterminação formal que condensa a forma e o significante, onde em um mínimo espaço, material semântico e lexical se complementam. Veremos materialmente a equivalência ou analogia do movimento da estrutura ou plano formal do poema nos movimentos de câmera escolhidos por Peixoto, em que se destacam especialmente, os movimentos circulares, de ascensão, vertigem e queda. Para esta análise nos valemos do legado teórico sobre a linguagem cinematográfica de Sergei Eisenstein, em especial no que concerne às técnicas da montagem, vista por ele como o “nervo” do cinema. Veremos como o ritmo e movimento presentes nas obras de Peixoto são erigidas,como diria Eisenstein, por meio de uma “visão do olho interior” do artista. Nos valemos também de reflexões nos textos ensaísticos da crítica Flora Süssekind, em particular no livro “Cinematografo de Letras”, como também nos estudos de Teoria e Análise Poética do tradutor e professor Paulo Henriques Britto.

Bibliografia

    ANDRADE, Mário. Prefácio Interessantíssimo em Paulicéia Desvairada. Poesias Completas vol.2. Nova Fronteira; Edição: 1ª 2013.
    BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política. Volume 1.Editora Brasiliense, 1996.
    BRITTO, Paulo Henriques. Para uma Tipologia do Verso Livre em Português e Inglês in Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.19, em 2011.
    BÜRCH, Noel. Práxis do Cinema. São Paulo. Ed. Perspectiva, 2011.
    EINSENTEIN, Sergei. A Forma do Filme. Rio de Janeiro. Ed. Zahar. 2002.
    —–. O Sentido do Filme. Rio de Janeiro. Ed. Zahar. 1990.
    MELLO, Saulo Pereira de. Limite, Mário Peixoto – Catálogo da Exposição Limite. Edição FCRB – MinC. 1996.
    PEIXOTO, Mário. Mundéu. Rio de Janeiro. Sette Letras. 1996.
    ROCHA, Glauber. Revisão Crítica do Cinema Brasileiro. Ed. Cosac Naif. São Paulo. 2013.
    SÜSSEKIND, Flora. Cinematógrafo de Letras. Companhia das Letras Sao Paulo. 1987.
    STAM, Robert. Introdução a Teoria do Cinema. Editora Papirus. Campinas , SP. 2009.

O livro “XXII SOCINE: 50 anos do maio de 68”, organizado por Lisandro Nogueira e Cleomar Rocha já está disponível para download em nosso site. A obra é composta de 11 artigos que lidam com a temática do maio de 68 pela perspectiva do cinema, que foi o tema do XXII Encontro SOCINE realizado em Goiânia, em 2018. De acordo com os organizadores, “Não há dúvidas de que o tema foi, é, e será sempre instigante, ainda mais aos olhos de muitos que (sobre)viveram (a)os tempos de 68, especialmente no Brasil, e que durante o evento debateram e refletiram sobre o legado de tão importante período da história mundial para a contemporaneidade. Na presente coletânea de textos procuramos demonstrar um pouquinho do que foi a XXII SOCINE, bastante eclética, mas que correspondeu muito bem à chamada para trazer a reflexão dos acontecimentos políticos, sociais, culturais e artísticos do ano de 1968”. O livro leva o selo editorial da SOCINE e ficará disponível em nosso site para download na seção Livros.

XXII Socine 50 anos de maio de 68
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Tema do XXII encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE): “herança do maio de 1968 do ponto de vista do cinema, das novas redes de comunicação digital e da televisão”.