Prezados (as),

Durante o primeiro semestre de 2020, a Socine solicitou a participação dos associados em uma pesquisa para compilar pela primeira vez os dados de quem compõe a Sociedade. Informações como gênero, raça, faixa etária, titulação, localização, vinculação acadêmica, entre outras, foram respondidas por 510 associados entre 03 de fevereiro e 21 de julho. A pesquisa intitulada Censo Socine 2020 está disponível em nosso site, no Menu, em Quem Somos, para consulta dos associados e da sociedade em geral. Compreendendo a importância de discutir os dados e pensar ações a partir deles, a Socine realizará uma Assembleia Extraordinária no primeiro semestre de 2021. Mais informações sobre essa assembleia serão divulgadas oportunamente no futuro. Agradecemos a todos os associados que participaram da pesquisa. Quaisquer dúvidas ou sugestões podem ser enviadas à nossa Secretaria pelo email socine@socine.org.br

Atenciosamente,

Diretoria SOCINE

03/11 – Terça-feira – 19h

Sylvio Lanna –  o cinema de invenção preservado ou deteriorado se reinventando no mundo digital

Francisco José Pereira da Costa Júnior

Entrevista com o cineasta Sylvio Lanna para percorrer sua carreira que se inicia junto ao núcleo mineiro do Cinema Marginal que se baseava no Rio de Janeiro, no final dos anos sessenta, passando pelo lançamento em 2019 do DVD de seu longa-metragem censurado pela Ditadura Militar, e finalizando com seus projetos digitais de cineclube, videoteca e filmes de celular. Versaremos sobre sua primeira produção, o curta-metragem “”O Roteiro do Gravador””, perdido na Cinemateca do MAM e refilmado no documentário “”IN MEMORIAM – O Roteiro do Gravador””, rodado em digital no ano 2019; a amizade com o cineasta paulista Andrea Tonacci que proporcionou a filmagem do longa “”Sagrada Família””; seu filme rodado no continente africano que se deteriorou e foi recuperado em parte; os anos 1980 e o retorno ao Brasil produzindo curtas em cores. Finalizaremos com a sua volta ao universo cinematográfico agora dentro da esfera digital e suas recentes parcerias, entre elas a com o cineasta e produtor Cavi Borges.

Link da live:  https://youtu.be/24g_3hDygFI

 

04/11 – Quarta-feira – 19h

De O Cangaceiro a Bacurau: quatro Nordestes e quatro Cangaços

Leandro Afonso

A proposta a seguir busca realizar uma breve análise de quatro filmes: O Cangaceiro (1953, Lima Barreto), Lampião, o Rei do Cangaço (1963, Carlos Coimbra), O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969, Glauber Rocha) e Bacurau (2019, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles). Até que ponto podemos defender que referências além do cangaço (Dioguinho em SP, Jesuíno Brilhante no NE) chegam nos filmes? Como dialogam o professor de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro com o de Bacurau? Em que o pernambucano Lunga, habitante de um futuro distópico, se aproxima do Lampião do paulista Coimbra? Como o mito imaginário da abertura de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, do baiano Glauber filmando no seu estado, conversa com os outros longas? De que mais podemos falar do cangaço de Galdino Ferreira, interpretado pelo mineiro Milton Ribeiro, com seu rival na pele de Alberto Ruschel, um gaúcho – na dupla que consolidou o primeiro imaginário cinematográfico de cangaço?

Link da live: https://youtu.be/VWABrvP8PU0

 

05/11 – Quinta-feira – 19h

Dramaturgias da Memória – Da matéria bruta da experiência às simulações de si em documentários autobiográficos

Márcio Henrique Melo de Andrade

Esta palestra apresenta uma pesquisa de doutorado em torno dos atos narrativos autobiográficos nos documentários A imagem que falta (2014, Rithy Pahn), Isto não é um filme (2011, Jafar Panahi) e Elena (2013, Petra Costa). Tomando como objeto as operações entre narrativa e imagem desenvolvidas pelos cineastas, parte-se dos gêneros narrativos em sua concepção mais clássica – épico, dramático e lírico – para  pensar como os processos de criação de narrativas de si no documentário autobiográfico (SHERMAN, 1998; LANE, 2002; MACDONALD, 2013) podem levantar questões em torno dos processos, poéticas e autorias na escrita cinematográfica (SAYAD, 2008; MARAS, 2009; JOHANN, 2015). Partimos das distinções entre os modos de narrar desses três filmes para entender como os cineastas cristalizam um desejo de, ao invés de representar ‘objetivamente’ uma imagem de si, imaginar a própria interioridade. Assim, eles nos permitem pensar em como, ao nos narrar, não nos representamos, mas nos simulamos.

Link da live:  https://youtu.be/hKt-8OCE3b8

 

06/11 – Sexta-feira – 19h

Olga Preobrazhenskaya, As mulheres de Ryazan e a censura soviética

Camila Cattai de Moraes

Nossa proposta é a de apresentar o filme mais famoso da cineasta Olga Preobrazhenskaya (1881 – 1971), As mulheres de Ryazan, 1927, encomendado pelo Comitê Estadual de Cinematografia da URSS, a Sovkino em comemoração aos 10 anos da Revolução Russa. A URSS, sob o comando de Stalin, encomendou seis filmes de diferentes cineastas para que fossem exaltados o Estado soviético e a Revolução. Das seis obras, Preobrazhenskaya foi a única cineasta que encontrou problemas no lançamento de seu filme que foi censurado e lançado meses mais tarde, com alterações na montagem. O motivo da censura foi o de que a obra não exaltava da maneira esperada o papel do Estado na vida da mulher camponesa. Preobrazhenskaya em 1927 já havia dirigido seis filmes e pelo menos um deles já havia sofrido censura em seu lançamento. A cineasta até o lançamento da obra de 1927 era considerada uma cineasta de filmes infantis e a obra em questão foi a primeira oportunidade de Olga para lançar filmes para o público geral.

Link da live: https://youtu.be/QZb6f9PUjuQ

CONVOCAÇÃO

Nos termos do Estatuto, convocamos as associadas e associados da Socine (Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual) para a reunião da Assembleia Geral Ordinária, a realizar-se de forma remota na plataforma Zoom, no dia 30/11/2020, segunda-feira, às 16h, para o fim de tratarem de assuntos de interesse da entidade. O link da sala virtual será enviado por email aos sócios e também estará disponível na Área do associado em nosso site, socine.org.

Contamos com a participação de todas e todos,
atenciosamente,

A Diretoria

27/10 – Terça-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Um filme sem diretor de arte possui uma direção de arte?

Elizabeth Motta Jacob

A Direção de Arte é exercida há muito tempo no cinema brasileiro, no entanto, sua historiografia é constantemente atualizada. Neste encontro entre os pesquisadores Elizabeth Jacob (UFRJ) e Benedito Ferreira (UERJ) se discutirá as origens da função no Brasil, sua especificidade e diálogos com outras cinematografias. Durante muito tempo profissionais assinaram como cenógrafos e figurinistas em um mesmo filme. O crédito como diretor de arte vai aparecer mais tarde. Nos interessa debater os limites das atribuições que nos permitem considerar trabalhos não creditados como de direção de arte, o momento em que tal função passa a ser desta forma nomeada e as implicações no campo profissional a partir do momento em que se passou a abordar no Brasil a direção de arte como campo fundamental para a estruturação da visualidade fílmica. A presente proposta resulta de iniciativa individual mas dialoga com outras ações no âmbito do recém-formado ST Estética e Teoria da direção de arte audiovisual.

Link da Live: https://youtu.be/7Ou7zCkL3HI

 

28/10 – Quarta-feira – 19h

Labirintos do Excesso

Mariana Baltar / Erly Vieira Jr / Erica Sarmet

Excesso é um conceito dúbio e no senso comum se confunde com exagero, o que, de acordo com a moral da assepsia burguesa, deve ser contido e drenado. Esta live pretende pensar sobre o excesso para além do exagero, como estratégia estética fundamental para analisar a experiência fílmica. Inscrevendo-se no e através do corpo, ele funciona tanto como elemento disruptivo quanto de adesão, mobilizando o espectador com base numa lógica de reiteração/ saturação que ambivalentemente serviram, na história do audiovisual, a discursos moralizantes mas também a forças desestabilizadoras desse mesmo discurso.  Ao endereçar-se ao sensório e sentimental de seu público, o excesso convida a um engajamento afetivo cada vez mais desejado pelo espectador que habita o contemporâneo, marcado pela centralidade das sensações e do corpo e pela moral do espetáculo. Pensar sobre o excesso, propor-se a refletir sobre suas materializações no corpo fílmico e convocações no corpo espectador é entrar um labirinto.

Link da Live: https://youtu.be/mqx8-AV9m3s

 

29/10 – Quinta-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Pode a direção de arte gritar?

Iomana Rocha / Benedito Ferreira / André Antônio / Tavinho Teixeira

A proposta é uma conversa com os realizadores André Antônio e Tavinho Teixeira, envolvendo o projeto de arte dos filmes “A seita” (André Antônio, 2015) e “Sol Alegria” (Tavinho Teixeira, 2018). Ligados a uma produção brasileira que se destaca pela inovação estética, estes filmes constroem sentido por meio de elementos visuais que se configuram como potentes alegorias. Destaca-se na construção dos espaços a presença de elementos marcados por certa “artesanalização” imagética,  adentrando a esfera da estética do artifício. Diante disso, enfocando aspectos que seriam próprios da direção de arte (objetos, cores, figurinos, adereços, etc) busca-se, nesta conversa, observar como se deu a concepção das ideias e referências para a direção de arte, problematizando a função expressiva e catártica dos espaços cênicos e a utilização de elementos visuais simples, naturalistas, “gambiarrísticos”, com forte poder alegórico e simbólico.

Link da Live: https://youtu.be/SsdYTPiQ7m4

 

30/10 – Sexta-feira – 19h

Enigmas da direção de arte: Direção de arte é coisa de mulher?

Tainá Xavier / Maíra Mesquita

“Partindo da pergunta “Direção de Arte é coisa de mulher?” a pesquisadora Tainá Xavier irá dialogar com a diretora de arte Maíra Mesquita sobre os atravessamentos deste campo de criação por questões de gênero, tanto no exercício da prática profissional, enquanto mulher responsável pela cocriação da imagem, quanto nos processos de construção de representações implicados na criação dos universos diegéticos das obras em que atua. O trabalho de Maíra em Boi Neon (Gabriel Mascaro, 2015), Corpo Elétrico (Marcelo Caetano, 2015), dentre outros, dá forma a personagens e espaços que tencionam códigos preestabelecidos de lugares fixos para homens e mulheres na sociedade, ao mesmo tempo em que apresenta a direção de arte como espaço de invenção e contribuição ativa com a estética e significação dos projetos em que atua. A presente proposta resulta de iniciativa individual mas dialoga com outras ações no âmbito do recém formado ST Estética e Teoria da direção de arte audiovisual.

Link da Live: https://youtu.be/O2J-Zy2L1ws

 

31/10 – Sábado – 17h

Inventários [queer] para mundos impossíveis

 Tenda Cuir

O inventário é uma fabulação metodológica através da qual procuramos investigar a relação entre audiovisual e desejos dissidentes. Não se trata apenas de inventariar imagens prontas, mas de reagrupar essas imagens como parte de uma intervenção no mundo tal qual nos foi dado a ver/viver, a partir de uma mobilização de desejos latentes que nos levou a um deslocamento de olhar/sentir. O gesto é de uma possível (ou impossível) poética da falha que se inscreve na fabulação de um inventário queer (sapatão, bicha, não-binárie, afeminado, masculina, butch, fancha, boiola…) audiovisual: a interrupção da narrativa, a aparição repentina do defeito (sexo-estético-político), a falha que se instaura na superfície do filme como algo produzido por um terremoto, um abalo sísmico entre o corpo de quem olha/sente e o corpo do filme/audiovisual. Diante das im/possibilidades gestadas pela pandemia, Inventários para Mundos Impossíveis ocorrerá de forma plural, multitelas, espalhado, em curto-circuito; sobreposições de telas e imagens, de gestos, falas e silêncios; um anti-filme, pós-vídeo, um sonho.

 

Link da Live: https://youtu.be/LcW0dDPDGoc

21/10 – Quarta-feira – 19h

Educação e Cinema no Brasil

Diogo José Bezerra dos Santos / Ana Karla Tzortzato Almeida

Apresentaremos dados da produção acadêmica brasileira sobre cinema realizada em Programas de Pós-Graduação em Educação nos últimos 40 anos. Em um segundo momento, conversaremos sobre aspectos da relação entre a educação brasileira e o cinema. Estreitaremos a discussão percorrendo recortes históricos, tomando por base os momentos em que a utilização do cinema, pela educação, foi objeto de política pública oficial, como a Reforma Fernando de Azevedo, no Distrito Federal, em 1927; a criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), em 1937; e a Lei 13.006 de 2014, que ficou conhecida como a Lei do Cinema.

Link da live: https://youtu.be/VfTQqojY7NY

 

22/10 – Quinta-feira – 19h

Uma leitura reversa sobre The Silver and the Cross, vídeoinstalação de Harun Farocki para a exposição Princípio Potosí (2010)

Ana Daniela de Souza Gillone / Yanet Aguilera Viruez Franklin de Matos

Harun Farocki recorta e reconstrói admiravelmente o quadro Descripción del Cerro rico e Imperial Villa de Potosí (1758), do boliviano Gaspar Miguel de Berrío, na sua videoinstalação The Silver and the Cross. O artista refaz a superfície da pintura como o território de um novo sistema mundial baseado na lógica da acumulação e do assassinato. Os recortes tornam mais impactantes as imagens pintadas de montanhas, lago, ruas, casas, colonizadores, mitayos e trabalhadores em geral, buscando tecer com a voz off um discurso arqueológico. Apesar de ser um trabalho visual memorável, o texto recria um Farocki “consciente” que denuncia os componentes simbólicos opressores do quadro de Berrío, o pintor americano a soldo dos opressores. De modo que uma visão ainda colonizadora permanece. Propomos uma leitura reversa dessa relação entre o alemão e o boliviano, com o objetivo de fazer uma narrativa que seja um basta a este tipo de imagem que os europeus ainda têm a coragem de criar sobre nós.

Link da live: https://youtu.be/9Y-Fe6n_sgs

 

23/10 – Sexta-feira – 19h

A fisionomia da metrópole no cinema de curta-metragem

Richard dos Anjos Tavares / Camila Alberti Bellaver / Jeferson Silva / Renato de Novaes Oliveira

Trata-se de um debate virtual sobre  cinema e urbanismo. Explorando a imagem das cidades nos filmes brasileiros de curta duração, a fisionomia da metrópole moderna no cinema brasileiro contemporâneo estará em pauta. De que forma os espaços das cidades são descritos e narrados pelas realizadoras e realizadores ao longo dos últimos anos? E como essas abordagens refletem a complexidade política e social dessa época? Serão discutidos temas como: as inserções publicitárias diegéticas que disputam o espaço com o afeto nos filmes de André Novais Oliveira e a identidade do conflito urbano através das discussões familiares no cinema de Nathália Tereza. O fio condutor da discussão será o alinhamento entre os conceitos de fantasmagoria e texto-cidade presentes na obra de W. Benjamin e a ideia de território abordada pelo geógrafo Milton Santos.

Link da live: https://youtu.be/GwMTX7FY2ms

13/10 – Terça-feira – 19h

O Masculino e o Feminino no Noir

Luiza Lusvarghi / Fernando Mascarello

O objetivo desta live é oferecer uma reflexão sobre as representações de masculino e feminino no Noir, o multifacetado ciclo de filmes estadunidenses de começo dos anos 1940 a meados dos anos 1950, e em sua retomada, igualmente heterogênea, no Neonoir internacional contemporâneo. Habitualmente, o protagonista das narrativas noir clássicas é masculino, em crise com o patriarcalismo e com o sistema social, enquanto sua coprotagonista personifica para muitos pesquisadores a femme fatale, que surge como representação metafórica da mulher moderna. Será debatida a contemporaneidade do Noir no que diz respeito a gênero e sexualidade, incluindo as suas diversas e contraditórias modulações ideológicas no Neonoir.

Link da live: https://youtu.be/v-g4f-akCWU

 

14/10 – Quarta-feira – 19h

Cinema testemunhal, cineastas sobreviventes e o diferendo   

Raquel Valadares de Campos / Andressa Caires

Uma conversa sobre cinema e trauma, com base nos filmes e na experiência de vida de Lúcia Murat e Rithy Panh. Trauma catástrofe são conceitos marcados pelo diferendo (LYOTARD, 1988) – aquilo que não se deixa inscrever, aquilo impossível de provar e de apresentar, sinalizado pelo silêncio, pelo não enunciável, pelo não inteligível e pela ausência de referentes. Testemunhar, porém, é esse esforço dos sobreviventes em encontrar “uma palavra por mais defectível ou disjunta que seja em comparação com o real vivido […] e contar apesar de tudo o que é impossível contar totalmente” (DIDI-HUBERMAN, 2012), inscrevendo as invisíveis marcas da violência e performando a identidade de vítima e de sobrevivente. Destarte há prerrogativas e implicações próprias a um cinema realizado por cineastas sobreviventes, tais como Murat e Panh, cujas filmografias são indissociáveis da experiência da prisão e tortura vivida pela brasileira, e dos campos de matança, vivida pelo cambojano.

Link da live: https://youtu.be/choyPAcnt4M

 

16/10 – Sexta-feira – 19h

Bacurau: a emergência de uma nova política     

Vladimir Lacerda Santafé

“Bacurau”, filme singular de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, instaura uma nova percepção da política no cinema e no cenário atual das tramas sociais brasileiras. Não só pelo “uso” de atores e personagens que retratam nosso “Brasil profundo”, a marca e a cara que expressa a pluralidade étnica e racial do nosso povo, e também de suas contradições e divisões hierárquicas, o racismo estrutural baseado em nosso passado escravagista, como no desnudamento do genocídio praticado pelas elites nacionais durante toda a nossa história, e agora, com o governo Bolsonaro e a pandemia, em sua afirmação trágica. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, no entanto, também nos aponta “saídas”, linhas de fuga, novos modos de vida emergentes das subjetividades assoladas pela miséria e pelo medo, a multidão dos pobres que define uma nova política, uma nova percepção do mundo.

Link da live: https://youtu.be/iwLfzqUI1xg

06/10 – Terça-feira – 19h

Homonstros: a (des)construção da homossexualidade negra em produções fílmicas africanas contemporâneas de temática LGBTQIA+       

Alex Santana França

Embora filmes com temática LGBTQIA+ não sejam incomuns nos cinemas de países do Ocidente, tais produções ainda são raras ou inexistentes na maioria dos países africanos, por diversos motivos, incluindo a homofobia legalizada em muitos deles. Em um levantamento inicial para um atual projeto de pesquisa foram identificadas obras produzidas desde o final do século XX à filmes mais recentes, a exemplo de “Inxeba – Os iniciados” (2017), produção sul-africana dirigida por John Trengove, e “Rafiki” (2019), filme queniano dirigido por Wanuri Kahiu, ambos com grande visibilidade e boa repercussão no Brasil. Diante desse cenário e da necessidade de ampliar a discussão deste tema, a partir da experiência africana, a proposta desta palestra é justamente possibilitar um debate sobre essa questão, analisando e contextualizando uma relação de filmes selecionados, em sua maioria da África do Sul, através do estudo e reflexão que vem sendo desenvolvida pelo então professor, pesquisador e proponente.

Link da live: https://youtu.be/vjgrXHT-bzU
07/10 – Quarta-feira – 19h

Pesquisa em audiovisual e afetos: é preciso falar sobre como trabalhamos

Sancler Ebert / Nina Giácomo

Esta proposta pretende abordar dinâmicas afetivas que atravessam a formação de pesquisadores do audiovisual por meio do compartilhamento de experiências e aprendizados. Apesar de a escrita ocupar um lugar central no trabalho de pesquisa acadêmica em ciências humanas, pouco falamos sobre o tema. Não sabemos como nossos colegas, professores e autores escrevem. A instabilidade financeira, os sentimentos de solidão e de incompletude do cotidiano de pesquisa, a cobrança (e autocobrança) por produtividade e outras pressões podem gerar muito sofrimento para os alunos de pós-graduação. Mas não estamos sozinhos e compartilhar esses afetos é fundamental no enfrentamento de nossas dificuldades, que são coletivas.

Link da live: https://youtu.be/YCHoxLI8dUM
08/10 – Quinta-feira – 19h

Abordagens contra-coloniais do audiovisual e da arte

 Andy Marques Real e Felipe Merker Castellani/ Larissa Macedo

A partir de perspectivas diversas, Larissa Macêdo, Felipe Merker e Andy Marques Real refletem sobre abordagens das linguagens da arte e do audiovisual a partir de uma perspectiva contra-colonial. Será abordada, por exemplo, a obra Ponte sobre abismos, uma vídeo-instalação de Aline Motta, a partir do conceito de quilombo, compreendido enquanto processo de auto-inscrição corpórea da memória social e da identidade negra brasileira. Também será proposta uma análise crítica dos silenciamentos estruturais e das poéticas de (re)existência afro-indígenas brasileiras, a partir do trabalho Onde você ancora seus silêncios? #1 e #2, de Charlene Bicalho, estabelecendo conexões com os pensamentos de Audre Lorde e de Grada Kilomba.

Link da live: https://youtu.be/QnKGlV19B38
09/10 – Sexta-feira – 19h

Corpos desterritorializados e espaços pós-coloniais – um debate sobre os sujeitos em crise no cinema de Pedro Costa.

Catarina Andrade / Mariana Cunha / Michelle Sales

A partir dos filmes Cavalo Dinheiro (2014) e Vitalina Varela (2019), propomos um debate sobre como o cinema de Pedro Costa inscreve os corpos e subjetividades racializadas e diaspóricas no espaço do deslocamento, com base nas noções de corporeidade, olhar e gesto, pensando a construção dos espaços enquanto lugares de uma memória do trauma, bem como seus efeitos nesses sujeitos em crise. Denise Ferreira da Silva lembra que a única solução para a subjugação racial oferecida pela sociologia foi o desaparecimento dos “outros” da Europa. O que significam os rostos, os corpos e as vidas desterritorializadas e suspensas de Ventura e Vitalina? Trata-se, assim, de analisar a maneira como os efeitos do colonialismo são postos em cena, mais especificamente, em relação a uma certa imobilidade da câmera, a estaticidade dos corpos em cena e um tempo em suspensão – o que esses aspectos nos dizem sobre as múltiplas espacialidades e temporalidades tanto histórica quanto fílmica, como também política.

Link da live: https://youtu.be/2AB-J3H7m04

30/09 – Quarta-feira – 19h

Experiências Estéticas e Narrativas do Insólito no Audiovisual

Tiago Monteiro / Ana Acker / Filipe Falcão

Com o objetivo de articular questões de ordem política, social, tecnológica, filosófica e estética, o Insólito audiovisual é um conceito de amplo espectro que abrange nuances como o estranho/inquietante, o maravilhoso, o horrífico, o grotesco, o realismo mágico, o fantasismo e a ficção-científica/especulativa. Tais narrativas de subversão das matrizes realistas têm se revelado cada vez mais expressivas nas produções contemporâneas em diversas plataformas. Em 2020, a urgência de reflexão acerca do insólito se faz ainda mais profícua frente às instabilidades cognitivas e sensíveis catalisadas pela pandemia da covid-19 quando, não raro, termos, imagens e percepções associadas ao universo do horror, da ficção científica, e do estranho são acionadas pela imprensa ou mesmo nas conversas cotidianas, em uma tentativa de dar conta do cenário turbulento que atravessamos, evidenciando, assim, a pertinência das discussões acerca do insólito e suas modulações.

Link da live:  https://youtu.be/etRoiOFx_wY

 

01/10 – Quinta-feira – 19h

Diálogos sobre espectatorialidades femininas no audiovisual  

Regina Gomes / Letícia Moreira / Enoe Lopes Pontes

Mediação – Andy Jankowski

Nossa proposta é de uma roda de conversa sobre a espectatorialidade feminina partindo de três eixos que serão conduzidos pelas integrantes da mesa. O primeiro introduzirá reflexões sobre as contribuições das pioneiras a partir de intervenções críticas de teóricas feministas nos anos de 1970 e 1980, cujas teorias convocam a psicanálise e a semiótica como chaves interpretativas para avaliar a experiência feminina no cinema hegemônico, repensando conceitos importantes como o “male gaze”, vouyerismo e “mascarede”. O segundo eixo apresenta as perspectivas críticas que apontam para a interseccionalidade do gênero com outras categorias, tensionando o binarismo que marca as perspectivas anteriores. Já o terceiro aporte busca pensar a atividade espectatorial das fãs, problematizando o papel que as mulheres ocupam quando estão inseridas em fandoms organizados, já que estudos demonstram que as figuras femininas habitam estes grupos em maior quantidade e em número mais forte de participação.

Link da live: https://youtu.be/Z9pa7JYmTcQ

 

02/10 – Sexta-feira – 19h

Mulheres à margem no audiovisual

Hanna Henck Dias Esperança / Virgínia Jangrossi / Susana Aparecida dos Santos

Por meio de três obras audiovisuais brasileiras, o debate tem como intuito analisar criticamente a representação de mulheres que se desviam do padrão imposto pela sociedade patriarcal.

O recorte temporal, entre o final dos anos 1950 até meados dos anos 1980, compreende certos aspectos da sociedade brasileira que se perpetuam como questões relevantes até os dias de hoje.

– “Como um olhar sem rosto (As presidiárias)”, documentário de Maria Inês Villares (1983), registra a situação das mulheres presidiárias.

– “As bellas da Billings”, filme de ficção de Ozualdo Candeias (1987), aborda a temática da prostituição.

– “Coisa Mais Linda” série de Heather Roth, Giuliano Cedroni (2019), trabalha a questão do aborto, realizado após um estupro conjugal.

Link da live: https://youtu.be/I-ABMU6Rjng

 

[CARTA ABERTA EM DEFESA DO CENTRO TÉCNICO AUDIOVISUAL E DA CINEMATECA BRASILEIRA]

No dia 07 de agosto de 2020, a Secretaria do Audiovisual (SAv), vinculada ao Ministério do Turismo, recebeu as chaves da Cinemateca Brasileira. Desde então, mesmo após encontros com associações do setor e promessas de resolução do impasse administrativo, os rumos da instituição permanecem incertos e o acervo segue desprotegido. No dia 16 de setembro, Edianne Paulo de Abreu foi nomeada para a Coordenação Geral do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), entidade federal também vinculada à SAv. As duas entidades pertencentes ao Ministério do Turismo, responsáveis pela preservação do patrimônio audiovisual brasileiro estão com as suas estruturas de gestão fragilizadas. De um lado, um órgão público sem comando especializado, nem recursos para gerir o maior acervo audiovisual do país; de outro, uma instituição que passa a ser comandada por uma profissional sem conhecimento e preparo técnicos específicos para gerir um órgão com tamanha complexidade e importância.

O CTAv foi criado em 1985, a partir de um acordo de cooperação técnica entre a Embrafilme e o National Film Board do Canadá, com a missão de apoiar, capacitar, difundir e preservar o audiovisual brasileiro. Desde então, o CTAv apoia a produção de filmes e séries com cessão de equipamentos de filmagem e finalização, além de alguns serviços, em parcerias estabelecidas através de editais. Seu valioso acervo audiovisual inclui materiais que remontam aos anos 1930 e é constituído por cerca de 6 mil títulos e 30 mil rolos de filmes, além de 20 mil negativos fotográficos e quase 2 mil cartazes. Entre as obras, a maior parte da filmografia do pioneiro Humberto Mauro e clássicos da animação brasileira. A nova reserva técnica, lançada em 2013, possui os parâmetros climáticos ideais para a conservação de filmes e tem capacidade para 100 mil rolos. Sua existência é fundamental para a comunidade audiovisual e, devido às suas competências específicas, a instituição precisa ser comandada por profissional com experiência no setor.

As associações aqui subscritas vêm manifestar enorme preocupação com os rumos tomados pela Secretaria do Audiovisual em relação aos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio audiovisual brasileiro e pelo apoio à produção independente. Produtores, cineastas, artistas, curadores, pesquisadores e programadores de salas e mostras de cinema dependem do acesso a esses acervos e instituições para a continuidade de seus trabalhos. Não é somente a preservação audiovisual que se fragiliza neste momento, mas toda a cadeia da produção audiovisual brasileira se vê em risco. A ausência de ações concretas para a resolução do vácuo administrativo da Cinemateca Brasileira e a nomeação de uma coordenadora sem experiência para a gestão do CTAv fragilizam o audiovisual brasileiro.

Em um Estado democrático de direito, as políticas públicas devem ser formuladas com o setor produtivo e a sociedade civil – e jamais estar a reboque de interesses eleitorais. Defendemos, portanto, a importância de um princípio fundamental da gestão pública: a necessidade de nomeações de caráter técnico para órgãos públicos, com o reconhecimento das características técnicas, administrativas e culturais das instituições vinculadas ao audiovisual brasileiro e do mérito dos profissionais especializados da área.

São Paulo, 21 de setembro de 2020.

ABPA – Associação Brasileira de Preservação Audiovisual
ABRACI – Associação Brasileira de Cineastas
APAN – Associação dxs Profissionais do Audiovisual Negro
ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema
SOCINE – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema
ABCA – Associação Brasileira de Cinema de Animação
ANDAI – Associação Nacional Distribuidores Independentes
API – Associação das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro
ABD-SP – Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas de São Paulo
ABD-DF- Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Distrito Federal
ABD-GOIÁS – Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas de Goiás
APTC-RS – Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do RS
SOS Cinemateca-APACI – Associação Paulista de Cineastas
Movimento Cinemateca Acesa
ABCV – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo
STIC – Sindicato Interestadual dos  Trabalhadores na Cinematográfica e do Audiovisual  – RJ
SINDCINE – Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica e do Audiovisual dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal

SIAESP – Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo

22/09 – Terça-feira – 19h

Por uma curadoria educativa em tempos de distanciamento social: pesquisa, cinema e diversidade

Cíntia Langie / Fernanda Omelczuk / Ana Paula Nunes de Abreu

Realização de uma roda de conversa online com a participação de três mulheres professoras de universidades públicas, de três regiões periféricas do Brasil: Pelotas/Sul; São João del Rei/Sudeste e Cachoeira/Nordeste. O objetivo é que cada uma apresente brevemente as pesquisas e projetos em desenvolvimento, no que se refere a realização de uma curadoria educativa no audiovisual, da infância à idade adulta. Além de abordar desdobramentos pedagógicos e sociais do campo da curadoria, o debate também busca compartilhar conteúdos e plataformas para acesso a filmes não hegemônicos, com o objetivo de descentralizar o olhar e de afirmar a importância das singularidades, da diferença e da diversidade no que se refere ao consumo – hipertrofiado – de imagens em tempos de pandemia.

Link da Live – https://youtu.be/e6TEaW0j2IY

 

23/09 – Quarta-feira – 21h

Os Estatutos do Samba em Rio, Zona Norte (1957)

Guilherme Maia / Leonardo Vidigal / Marcos Pierry

Em alinhamento com a emergência de um giro cancionista nos estudos fílmicos, notável principalmente nos EUA e na Inglaterra, mas que vem se manifestando com vigor crescente na pesquisa de outros países europeus e da América Latina, esta mesa reúne três investigadores que há algum tempo têm se dedicado ao estudo desse fenômeno, com o objetivo de analisar as dinâmicas expressivas do samba em Rio, Zona Norte (1957) – segundo longa-metragem Nelson Pereira dos Santos (1928-2018). A proposta reconhece a canção popular enquanto elemento ativador de memórias, afetos e processos identitários no ato de fruição, e analisa o design de canções da obra em suas dimensões intratextuais e contextuais, sob uma perspectiva interdisciplinar interessada tanto nos aspectos estéticos e poéticos quanto em questões históricas, culturais, sociais e políticas. Ao eleger como objeto a canção popular, esperamos que essa abordagem contribua para novas audiovisões na fatura estética da cinematografia brasileira.

Link da Live – https://youtu.be/8MFFWOr1JKw

 

24/09 – Quinta-feira – 17h

Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos – Uma Conversa  com Margarida Cardoso e Diana Andringa

Cid Vasconcelos / Paulo Cunha / Teresa Cristina Furtado Matos

O campo cinematográfico proporcionou um importante diálogo com todos os momentos da acidentada história recente dos países africanos colonizados por Portugal, assim como fomentador da própria autonomia nacional, já ocorrendo um relevante número de títulos ficcionais e documentais. Pretende-se efetivar uma conversa com as realizadoras Margarida Cardoso e Diana Andringa, duas das mais relevantes cineastas a se debruçar sobre o passado recente (e também presente) dos países africanos que foram colonizados por Portugal, notadamente em filmes como Kuxa Kanema e Yvone Kane, no caso de Cardoso e As Duas Faces da Guerra e Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta, de Andringa. Dentro do escopo da entrevista aspectos da elaboração e abordagem dos temas pelos filmes em questão, a memória, o uso de imagens de arquivo, a guerra colonial, a experiência socialista e o momento contemporâneo.

Link da Live –  https://youtu.be/6ksYAUe_Gcs

 

25/09 – Sexta-feira – 19h

Partida do Metrô da estação: caminhos do cinema universitário brasileiro         

Wellington Gilmar Sari / Milena Szafir / Eduardo Novelli Valente

Mediação: Alexandre Rafael Garcia

A mesa “Partida do Metrô da estação” tem como proposta discutir caminhos e tendências do cinema universitário observadas no Metrô – Festival do Cinema Universitário Brasileiro, realizado na cidade de Curitiba desde 2017. A mesa será composta por Eduardo Valente, Milena Szfair e Wellington Sari, com mediação de Alexandre Rafael Garcia. O objetivo é debater o cinema em pleno movimento, tratando o presente de forma crítica e projetando possibilidades futuras. Os curtas programados no festival servem como ponto de partida para um debate que concerne o audiovisual como um todo. Dentre as questões evidenciadas nas edições do Metrô, destacam-se nos filmes: a autoficção; o interesse pelo dispositivo de câmera de segurança como possibilidade de ficção; a ressignificação crítica de imagens tidas como “vulgares” (publicidade, propaganda eleitoral) ou “caseiras”. O Metrô terá a quarta edição, em formato online, transmitida de 22 a 27 de setembro de 2020.

Link da Live – https://youtu.be/dWMdaxeempE

 

Creative WordPress theme suitable for blogs, personal, magazines on www.edgedoll.com.