Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Patrícia da Silva Cardoso (UFPR)

Minicurrículo

    Graduou-se em Letras pela Universidade Estadual de Campinas (1988), onde também fez Mestrado (1994) e Doutorado (2002) na área de Teoria e História Literária. Desde 1997 é professora da Universidade Federal do Paraná. Foi professora visitante na Universität Leipzig (2007), na Alemanha, fez pós-doutorado na Universidade Nova de Lisboa (2007-2008) e na University of Surrey (2014). Atualmente é coordenadora da Pós-graduação em Letras da UFPR

Ficha do Trabalho

Título

    ‘Toda felicidade é memória e projeto’ – o tempo em Aquarius e Horas de verão

Seminário

    Cinemas em português: aproximações – relações

Resumo

    Esta comunicação discutirá os diálogos entre Coisa ruim e O estranho caso de Angélica a partir do conceito de Estranho, que para Freud é produto da inserção de um elemento amedrontador num contexto familiar. A hipótese é a de que haja um tipo de narrativa que se restringe aos efeitos superficiais do uso do Estranho e outro que privilegia seu emprego para conduzir o espectador à reflexão quanto à solidez dos valores nos quais sua segurança se baseia, a começar pela noção do que seja o real.

Resumo expandido

    Em “O estranho” Freud dedica-se a refletir sobre O homem da areia, conto de E. T. A. Hoffman, a partir justamente do conceito de estranho, que considera como sendo o produto da inserção de um elemento amedrontador num contexto que, na sua base, constitui-se como familiar. Como bem observa o autor a propósito dessa obra de Hoffman, “é verdade que o escritor cria uma espécie de incerteza em nós, a princípio, não nos deixando saber, sem dúvida propositalmente, se nos está conduzindo pelo mundo real ou por um mundo puramente fantástico, de sua própria criação. Ele tem, de certo, o direito de fazer ambas as coisas; e se escolhe como palco da sua ação um mundo povoado de espíritos, demônios e fantasmas, como Shakespeare em Hamlet, em Macbeth e, em sentido diferente, em A Tempestade e Sonho de uma Noite de Verão, devemo-nos curvar à sua decisão e considerar o cenário como sendo real, pelo tempo em que nos colocamos nas suas mãos.” Trata-se, à partida, da descrição do processo de suspensão da descrença. Para que se obtenha o efeito esperado, é preciso que o público faça esse pacto. No que diz respeito às modalidades cinematográficas contemporâneas que operam na sintonia do horror/terror é grande o apelo do uso de estratégias ligadas ao conceito de estranho.
    Mas o fato de aceitar o pacto que lhe é proposto não necessariamente livra o espectador – ou o leitor, no caso dos textos literários como o de Hoffman – da tensão resultante daquela articulação, responsável por fazê-lo debater-se com a sensação de que a convenção de realidade com a qual opera está sendo minada por algo que ameaça destruí-la, levando junto sua convicção do que seja ou não seja possível de suceder em seu mundo. É possível mesmo arriscar a dizer que enquanto há um tipo de narrativa que se restringe aos efeitos superficiais do uso do estranho – o susto sem maiores consequências, por exemplo – há outro que privilegia seu emprego para conduzir o espectador à reflexão quanto à solidez dos valores nos quais sua segurança se baseia, a começar pela noção do que seja o real.
    É o que se nota em dois filmes portugueses de linhagens bastante distintas que, no entanto, aproximam-se pela proposta que apresentam relativamente ao tratamento reservado ao que se poderia chamar de transfiguração da realidade. Em Coisa ruim (2006), de Tiago Guedes e Frederico Serra, o enredo clássico da família que herda uma casa no interior e, ao se instalar no imóvel, vê-se envolvida pelo sobrenatural, é o ponto de partida para se discutir a permanência de valores do passado no presente e, com isso, colocar em xeque a convicção dos personagens da cidade grande quanto ao grau de realidade dos fenômenos que passam a experimentar. Na esteira desse elemento comum à modalidade em que o filme se inscreve observa-se um complexo entrelaçamento dos valores do “tempo antigo” – em que a manifestação do sobrenatural fazia sentido apenas por ele ser cultivado como crença em comunidades nada esclarecidas – com os modernos, os quais, apesar de pautados na abordagem científica do mundo, não escapam de manter, muitas vezes cuidadosa e inconscientemente escondidas forças supostamente obscuras que arrastam a mentalidade esclarecida do presente de volta para um estado de coisas que ingenuamente se acreditava superado.
    Já em O estranho caso de Angélica (2010), de Manoel de Oliveira, se o enredo foge ao que se poderia classificar como característico do modelo cinematográfico de horror, observa-se esse movimento que articula presente e passado de forma a provocar no espectador o mesmo tipo de insegurança sobre os limites entre um e outro e, principalmente, entre os seus valores e os de um tempo recuado cujos tentáculos projetam-se em sua direção, como para voltar à ação. Esta comunicação propõe-se a discutir o diálogo possível entre estes dois filmes.

Bibliografia

    FREUD, Sigmund. O estranho. Edição Standard Brasileira das obras de Freud, Vol. XVIII, pág. 13, IMAGO Editora, 1976.
    GUEDES, Tiago e SERRA, Frederico. Coisa ruim. Madragoa, 1h37′, 2007 (dvd)
    OLIVEIRA, Manoel de. O estranho caso de Angélica. Zon/Lusomundo, 93′ aprox., 2011 (dvd)

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).