Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Carla Ludmila Maia Martins (UNA)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação Social pela FAFICH/UFMG, com período sanduíche na Tulane University, em New Orleans/EUA. Integra o corpo docente do Instituto de Comunicação e Artes do Centro Universitário UNA. Faz parte do coletivo Filmes de Quintal, que realiza o forumdoc.bh: Festival do Filme Documentário e Etnográfico de Belo Horizonte.

Ficha do Trabalho

Título

    Destruir, dizem elas: uma revisita a Daisies, de Vera Chytilová

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Propomos voltar a “Daisies” (Vera Chytilová, 1966), filme emblemático para os estudos feministas, buscando identificar como a obra trabalha formalmente o conceito de destruição que ampara sua narrativa. O objetivo é tirar consequências desse trabalho, em que forma e conteúdo afetam-se mutuamente, para atualizar a força provocadora do filme, que apesar das quatro décadas passadas desde sua realização, permanece rara e urgente.

Resumo expandido

    Há muito sentido em considerar “Daisies” (Vera Chytilová, 1966), como uma das principais obras feministas do cinema, pela maneira como suas personagens são investidas de um potencial libertário e contestador que subverte as expectativas relativas ao gênero. Como afirma Lim, “para aqueles que consideram Daisies como uma alegoria feminista, essas heroínas são cativantes não apenas por sua habilidade de revelar a feminilidade como uma máscara naturalizada, mas por seu deliberado e malicioso jogo com esses signos”.
    As cenas de jantar com os cavalheiros mais velhos são exemplo desse jogo. No decorrer da narrativa, as duas Marias irão seduzir senhores mais velhos lançando mão de uma pretensa inocência, em situações que se repetem: o homem convida a morena para jantar, ela finge se surpreender quando sua irmã “flagra” a situação, chegando de surpresa, e assim jantam os três. A loira passa a pedir de tudo um pouco, diante do olhar estupefato do senhor e do falso embaraço da morena. Quando finalmente chega o momento de estarem a sós, partindo juntos no trem, a morena foge, vai ao reencontro da loira na plataforma, e o senhor, abandonado e desorientado, parte sozinho. O insaciável apetite das garotas torna-se análogo ao apetite sexual masculino mas, dessa vez, como numa revanche, apenas o primeiro é satisfeito. São elas que levam a melhor, que tiram vantagem dos homens. O filme busca implodir, dessa maneira, relações de opressão estabelecidas, e não apenas as de gênero: as cenas de despedida na estação, em que homens brancos e ricos são “deportados” em vagões de trem lotados, remetem, por inversão, a outras violências históricas (inevitável pensar, sobretudo num filme realizado no leste europeu, nos trens nazistas que conduziam os judeus aos campos de concentração).

    O filme é também pontuado por alegorias à castração, quando elas cortam comidas fálicas (uma salsicha, ovos) com a tesoura. Ademais, há uma contundente sátira aos ideais de beleza feminina construídos através dos séculos, seja pelo recurso de retratá-las como bonecas ou marionetes, seja pela desconstrução da imagerie feminina: a descompostura das jovens, a falta de modos à mesa, suas caretas, seus gestos inusitados e jocosos como cutucar o nariz, a maneira como não se interessam pelo amor romântico, são alguns operadores dessa desconstrução, que está bem distante de chegar a termo, ainda hoje.

    Como afirma sua diretora, trata-se de trabalhar a forma do filme a partir de uma base conceitual: “como o conceito do filme é a destruição, a forma se torna destrutiva também”, ela afirma. Através de uma série de procedimentos formais – jump-cuts, alterações bruscas de cor, descontinuidade espacial – e de uma rigorosa mise-en-scéne, “Daisies” implode os lugares estáveis da representação da mulher no cinema, inclusive aquele que permitiria, às espectadoras, uma identificação com as duas jovens “Marias”. A maneira grotesca ou bizarra como são caracterizadas – mimadas, cruéis, vaidosas e superficiais – dificulta bastante essa identificação.

    O trunfo do filme está justamente na possibilidade de convocar olhares e interpretações díspares, sem ponto fixo, como quem implode ou destrói, de dentro do jogo de representações, os padrões de feminilidade habitualmente vistos no cinema. A energia destrutiva que contamina “Daisies”, tanto conceitual quanto formalmente, oferece bases para refletir sobre como pode o cinema responder à necessidade de criar não apenas “outras” mulheres, mas outros sujeitos, estranhos à normalidade, e com eles outros sentidos, não exatamente determináveis – ou, para fazer referência à frase sussurrada por uma das personagens, sentidos que, como a vida, ou como o próprio desejo, restarão sempre voláteis.

Bibliografia

    LAURETIS. Figures of resistance. Essays in feminist theory. Urbana and Chicago: University of Illinois Press Chicago, 2007.
    LIM, Bliss Cua. Dolls in fragments: Daisies as feminist allegory. In: Camera Obscura, v. 16, n. 2. Duke University Press, 2001, p. 37-77.
    RAINFORTH, Dylan. This film’s going bad: collaborative cutting in Daisies. Senses of cinema. Disponível em: http://sensesofcinema.com/2007/cteq/daisies/

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).