Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Geisa Rodrigues (UFF)

Minicurrículo

    Geisa Rodrigues é Graduada em Comunicação Social pela UFES, Mestre em Comunicação e Imagem pela UFF e doutora pela PUC-Rio. Professora Adjunta do Departamento de Comunicação Social da UFF, publicou, além de diversos artigos, capítulos e ensaios, o livro As múltiplas faces de Madame Satã: Estéticas e políticas do Corpo, pela EDUFF, em 2013.

Ficha do Trabalho

Título

    Subjetividades femininas negras em devir em Kbela, de Yasmin Thainá

Seminário

    Cinema Queer e Feminista

Resumo

    Partindo da perspectiva da teórica feminista Rosi Braidotti, em sua abordagem da diferença sexual como prática política e da potência do nomadismo de corpo (inspirada no pensamento Deleuziano), o curta Kbela, de Yasmin Thainá, 2015, será analisado, com o objetivo de desvendar estratégias políticas contemporâneas produtivas de empoderamento de mulheres negras.

Resumo expandido

    Dentre as teorias feministas contemporâneas pós-estruturalistas, destaca-se o trabalho de Rosi Braidotti, ao propor uma perspectiva de abordagem da diferença sexual como prática política. Esta perspectiva permite um olhar sobre atos de resistência que conjugam as diferenças componentes dos próprios sujeitos do feminismo, como no caso das estratégias de ¬¬empoderamento de mulheres negras. Buscando desvendar movimentos de resistência produtivos na contemporaneidade, esta comunicação se debruça sobre o curta Kbela, de Yasmin Thainá, 2015. Propõe-se aqui uma reflexão sobre a combinação entre questões raciais e de gênero no filme por meio de uma abordagem experimental, capaz de promover desvios em identidades engessadas . Inspirada no pensamento Deleuziano, Rosi Braidotti aponta o nomadismo como uma forma eficaz de resistência na contemporaneidade. Para além da concepção espacial e geográfica do termo, o nomadismo a que se refere é um tipo de consciência crítica que resiste a uma normatização, a lugares estabelecidos e formas fixas de comportamento. O sujeito nômade é visto como uma forma de resistência aos microfascismos a que somos submetidos, na lógica atual de poder. Apesar das ressalvas da autora a certos entraves na concepção Deleuziana , principalmente no que tange ao reconhecimento da incidência da diferença sexual e à historicidade do gênero, a releitura crítica que a autora promove permite uma aproximação entre a filosofia em Deleuze e a filosofia feminista contemporânea. Em particular ao proclamar a potência de experiências estéticas capazes de abandonar categorias de representação, promover rupturas de formas discursivas canônicas e produzir novos formatos de inserção do desejo, por meio de um nomadismo de corpo. Tal potência é o que se revela em Kbela, na medida em que implode identidades fixas e submissas atribuídas ao corpo da mulher negra, inserido numa montagem pulsante de performances. Convém observar que a violência a que são submetidos os corpos negros no filme se explicita sem que se faça uso da representação direta de atos violentos, mas revelando a violência em hábitos cotidianos, rotineiros, que se enraízam no dia a dia e no discurso. O cabelo surge como símbolo e vítima maior do impacto do racismo e ao mesmo tempo da imposição de traços e hábitos de beleza eurocêntricos, impostos às mulheres de uma maneira geral. Levanta-se aqui também uma reflexão sobre a apropriação e (adaptação?) do pensamento Deleuziano para promover estratégias e mesmo abordagens produtivas no contexto contemporâneo. Arán, por exemplo, aponta aspectos produtivos da perspectiva apresentada em Anti-édipo e em Mil platôs (Deleuze e Guattari), em que “diferença e sexualidade não são pensadas a partir da ideia de filiação ou de dualidade sexual, e sim como um processo de afetação e contágio” . Neste processo de constante transformação, é pelos afetos que o corpo vai se definir, muito mais que pela sua substância. Em Kbela, a performance dos corpos postos em cena sugere uma relação muito mais pautada nos afetos e promove uma estética nômade, capaz de subverter e reconfigurar os padrões naturalizados e expor a violência de tal processo de naturalização. Para Braidotti, feministas nômades:

      nunca cessam de expor e explodir o racismo, o masculinismo, a violência masculina, (…), sem fazer concessões, nem para crenças essencialistas na superioridade das mulheres, nem na possível homologação, dentro do suposto fluxo de identidades pós-moderno que impõem o gênero. Elas tentam combinar complexidade com compromisso ao projeto de empoderamento das diferenças que o feminismo pode fazer.(2002, p.15).

    O filme é composto por uma amálgama de experiências trocadas em forma de projeto, em que mulheres negras com biografias parecidas se encontram pra criar um projeto coletivo que se multiplica, se transfigura. Tudo é experiência estética pura, marcada na carne, na pele e nos cabelos.

Bibliografia

    ARÁN, Márcia. Políticas do desejo na atualidade: o reconhecimento social e jurídico do casal homossexual. Lugar Comum: estudos de mídia, cultura e democracia, nº21-22, Julho-dezembro 2005. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro. P. 73-87.
    BRAIDOTTI, Rosi. Affirming the affirmative: on nomadic affectivity.Rhizomes
    11/12, fall2005/spring 2006. Disponível em http://www.rhizomes.net/issue11/braidotti.html
    ______________. Nomadic subjects: embodiment and sexual difference in
    contemporary feminist theory. New York: Columbia University press, 1994.
    ______________. Diferença, diversidade e subjetividade Nômade. (trad. Roberta Barbosa). Revistalabrys, estudos feministas número 1-2, julho/ dezembro 2002 http://www. unb. br/ih/his/gefem
    DELEUZE, G. , GUATTARI, F. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 5. São Paulo: Editora 34,1997,
    LAURETIS, Tecnologias do gênero. In HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Tendências e Impasses: O feminismo como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).