Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Regina Celia da Cruz (UTP)

Minicurrículo

    2015-2018 – Doutorado em andamento em Comunicação e Linguagens (Conceito CAPES 4). Universidade Tuiuti do Paraná, UTP, Brasil.
    2012 – 2014 – Mestrado em Teoria Literária (Conceito CAPES 3).
    Centro Universitário Campos de Andrade, UNIANDRADE, Brasil.
    Título: DO TEXTO À TELA: nunca encontrarei uma resposta que me satisfaça, 2014 Orientador: Luiz Roberto Zanotti. Palavras-chave: Valêncio Xavier; Intertextualidade; Intermidialidade; Adaptação fílmica; O mistério da Japonesa.

Ficha do Trabalho

Título

    Os Onze de Curitiba Todos Nós (1995): Se ele não tivesse lembrado …

Resumo

    Esta pesquisa refere-se a um documentário intitulado Os Onze de Curitiba Todos Nós (1995), produzido pelo cineasta Valêncio Xavier que retoma um episódio de 1978 que trata da prisão de onze professores acusados de ‘doutrinar crianças de uma a seis anos no marxismo’. Nosso foco se ocupa da montagem e da dimensão da tomada como um olhar para a história e revelar o estilo de Xavier na produção cinematográfica apoiando-se na pesquisa teórica de Ismail Xavier e Fernão Pessoa Ramos.

Resumo expandido

    A produção de Valêncio Xavier (1933-2008) passa pelo campo das artes visuais, da comunicação e da literatura que mostra, em sua obra literária e cinematográfica, uma narrativa multifacetada. Escritor, jornalista, historiador de cinema, cineasta, fotógrafo, cenógrafo, artista gráfico, assistente de direção artística, produtor, roteirista, diretor de novelas e de curtas-metragens em vídeos e na televisão onde desenvolveu múltiplas habilidades que se fundem num estilo próprio e inovador para o período.
    Produzido por ele, o documentário Os Onze de Curitiba Todos Nós (1995), narra um episódio polêmico durante a ditadura militar (março de 1978), traz a memória, 17 anos depois, a prisão de onze professores de uma escola infantil (6 homens e 5 mulheres), durante uma semana na sede da polícia federal em Curitiba. Cada um é apresentado somente ao final do filme – nome e formação acadêmica.
    Reconhecido como “experimental e arrojado” tanto no estilo como nos temas tratados em suas produções no campo da comunicação, o cineasta traz a tona esse episódio ‘estranho’ que não teve a devida apuração dos fatos por parte de autoridades, ou sequer esclarecimentos na repercussão da média. A obra contribui para a divulgação de fatos históricos da cidade e do país, uma vez que algumas das pessoas do documentário já haviam sido presas em São Paulo. Como Ligia Mendonça que dá seu depoimento para Beto Carminatti em outro documentário – As muitas vidas de Valêncio Xavier (2011):
    Em março de 78 eles nos prendem. Cinco caras com metralhadoras, vasculhando armários, tirando coisas das paredes. A principal acusação era em relação às crianças. Que a gente doutrinava as crianças no marxismo (criancinhas de um a seis anos que ficavam lá). E que a gente não tinha condutas apropriadas moralmente para educar crianças. Quase vinte anos depois (…). E pouca gente se preocupa em saber o que é para um ser humano essa experiência de ser perseguido de estar trancafiado. No caso ele queria saber mesmo o que é dessa experiência: de ficar confinado. (MENDONÇA, citada em CARMINATTI, 2011)
    No documentário de Carminatti, o cineasta Fernando Severo resume o evento e faz um paralelo com trabalho de outro cineasta:
    (…) criancinhas, segundo a visão da ditadura militar, estavam sendo doutrinadas na doutrina maxista/leninista. Porque é um documentário todo de entrevistas, todo armado ficcionalmente através da entrevista. Então você tem uma história que se desenrola diante dos teus olhos através dos depoimentos. Uma coisa que o Coutinho ia fazer mais tarde, todo mundo considera genial (e é mesmo!), mas que você já encontra embriões desse trabalho no Valêncio. (SEVERO, citado em CARMINATTI, 2011).
    O estilo de Valêncio se destaca na montagem cinematográfica. O pesquisador Ismail Xavier (1977), coloca a questão da “relação entre estilo cinematográfico e ideologia, ou a relação entre método de montagem e certas necessidades de um mundo ficcional particular carregado de uma função e de valores” (XAVIER, 1977, p. 40). (…) a montagem justa será aquela em que “o relacionamento demonstra a essência do fenômeno que nos cerca, pois por trás da montagem há sempre uma intenção de classe”. (KULECHOV, 1935 in: XAVIER, 1977, p. 40-41)
    A montagem revela seu posicionamento e apresenta os professores como testemunhas de um crime do qual foram vítimas e os fatos violentos de grande intensidade, não há o apelo à penalização. As experiências embaraçosas e absurdas, descritas como “sem sentido”, são mostradas com sutil ironia, através das entrevistas e das tomadas. A produção de Valêncio propõe também uma análise sobre o que Fernão Pessoa Ramos chama de “dimensão da tomada” e que a define: “A tomada é a circunstância de mundo a partir da qual, e no transcorrer da qual, a imagem é constituída para/pelo espectador pelo/para o sujeito que sustenta a câmera.” (RAMOS, 2005, p. 159).

Bibliografia

    AS MUITAS vidas de Valêncio Xavier. Direção de B. Carminatti. Brasil: Produção executiva Cristiane Lemos, direção de produção Rosane Lemos. Curitiba: Fundação Cultural de Curitiba, 2011. 1 dvd (90 min); son.
    OS 11 de Curitiba: todos nós. Direção V. Xavier. Brasil. Imaginarte Produções. Alma Sintética – Companhia de Arte. Kinoglas – cinema e vídeo, 1995. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=XYfpfWz3Jog. Acesso em jan/fev. 2016
    RAMOS, F. P. A Cicatriz da Tomada: documentário, ética e imagem-intensa. (in) ________. (org.) Teoria do Cinema Contemporâneo: documentário e narrativa ficcional. v. II. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2005. P. 159-226.
    XAVIER, I. Do Naturalismo ao Realismo Crítico. (in) _________. O Discurso Cinematográfico: opacidade e transparência. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977. P. 31-53

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).