Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Pedro de Andrade Lima Faissol (ECA/USP)

Minicurrículo

    Doutorando em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), com pesquisa em andamento sobre a representação do milagre no cinema. Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP com pesquisa sobre o cinema de Eugène Green. Bacharel em Comunicação Social (habilitação Cinema) pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ficha do Trabalho

Título

    A poética cinematográfica de Eugène Green

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    Em “Poétique du cinématographe”, o cineasta Eugène Green expõe um conjunto de ideias que caracterizaria a gênese e a natureza do cinema. O cinematógrafo, segundo sua cosmovisão, teria como vocação dar visibilidade ao Verbo, reconciliando o presente da obra de arte (reformada pelo espírito no ato da criação) com o elo divino perdido no passado. A comunicação consiste em confrontar seus postulados estéticos com as operações descritas para resolver problemas concretos ligados à práxis do cinema.

Resumo expandido

    “Poétique du cinématographe” é um livro publicado em 2009 pelo cineasta radicado na França Eugène Green. O conjunto de ensaios que compõe o livro é redigido inteiramente em parágrafos curtos, muito sintéticos, beirando o aforismo. Green resgata uma tradição literária um pouco perdida no tempo: a tradição das poéticas. Como disciplina teórica, a poética é o estudo das obras que define suas características gerais, criando conceitos que podem ser generalizados para a compreensão de outras obras do gênero. Assim, retomando o tom assertivo das poéticas do passado, e se juntando – no gesto e na erudição – aos cineastas Robert Bresson (“Notas sobre o cinematógrafo”) e Raúl Ruiz (“Poétique du cinéma”), Eugène Green dá vazão a um conjunto de ideias objetivas que caracterizaria a gênese e a natureza do cinema – chamado aqui, tal como fizera Robert Bresson no passado, de “cinematógrafo”.

    O livro de Green é dividido em duas partes. Na parte 1, intitulada “A Ideia”, Green inicia uma digressão que remonta ao Antigo Testamento, refratando a oposição iconoclasta entre a palavra e a imagem. Segundo Green, essa dicotomia – manifestação do puritanismo vigente – ignora a tradição das Escrituras, já que a aparição de Deus para Moisés se dá tanto pela visão quanto pela escuta. A sua reflexão teórica está filiada a uma tradição da ortodoxia cristã que não distingue a imagem da palavra falada. Segundo o Evangelho de João, Jesus Cristo é a encarnação do verbo divino, e a matéria desse verbo é feita de luz. Há, portanto, uma sugestão de equivalência entre a Luz e o poder criador do Verbo.

    Ao longo do texto, enquanto desenvolve o conjunto de crenças que compõe sua cosmovisão, Eugène Green atravessa a história da filosofia cristã trazendo para seu lado nomes como São Paulo, Mestre Eckhart, Giordano Bruno, Blaise Pascal, Padre Antônio Vieira etc. O apogeu e o declínio dessa tradição mística teria se dado durante o período barroco, época em que o homem era ainda dominado pelo desejo contraditório de revelar o “Deus Escondido”, ao mesmo tempo em que gradualmente criava um modelo do universo que O excluía.

    O postulado estético de Green consiste em dar visibilidade ao Verbo, reconciliando o presente da obra de arte (reformada pelo espírito no ato da criação) com o elo divino perdido no passado. O cinematógrafo, ou seja, o cinema ideal segundo a sua particularíssima concepção artística, seria “o verbo feito imagem” (GREEN, 2009, p. 15). Em franca oposição às outras artes (e, em larga medida, em oposição ao próprio cinema), o cinematógrafo teria o compromisso de – naquilo que o aproximaria de André Bazin – manter a integridade do mundo filmado; razão pela qual Green advoga pela proscrição de qualquer deformação que perturbe a apreensão estritamente material do quadro cinematográfico. Essa fidelidade ao mundo concreto, paradoxalmente, faria revelar uma “presença real” invisível. O cinematógrafo, a vocação metafísica do aparato, consistiria em dar visibilidade a um mundo espiritual sem o qual [o aparato em si] seria impossível acessar diretamente.

    Na parte 2 do livro (intitulada “A Prática”), Eugène Green expõe as soluções encontradas – enquanto realizador – para resolver problemas concretos ligados ao roteiro, à fotografia, ao som e ao trabalho com o ator. Ao longo da comunicação, objetiva-se avaliar em que medida as operações descritas na parte 2 de sua poética (operações ligadas à práxis do cinema) conseguem corresponder às ideias enunciadas na parte 1.

Bibliografia

    BAZIN, André. “O Que é o Cinema?” São Paulo: Cosac & Naify, 2014.

    BRESSON, Robert. “Notas sobre o cinematógrafo”. São Paulo: Iluminuras, 2005.

    GREEN, Eugène. “Présences”. Paris: Desclée de Brouwer, 2003.

    _________. “Poétique du cinématographe”. Arles: Actes Sud, 2009.

    RUIZ, Raoul. “Poétique du cinéma”. Paris: Éditions Dis voir, 1995.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).