Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Priscyla Bettim (Unicamp)
Minicurrículo
- Priscyla Bettim é mestra e doutoranda pelo Programa de Pós-graduacão em Multimeios, da Universidade Estadual de Campinas.
Ficha do Trabalho
Título
- Andrea Tonacci: 1966 – 1971
Resumo
- A presente comunicação pretende abordar os três primeiros filmes de Andrea Tonacci, e tecer relações com os momentos da história política do país em que foram realizados.
Resumo expandido
- A presente comunicação pretende abordar os três primeiros filmes de Andrea Tonacci, e tecer relações com os momentos da história política do país em que foram realizados: Olho por olho rodado em 1966, dois anos após o golpe militar; Blá, Blá, Blá lançado em 1968, meses antes do AI-5 ser instaurado; e Bang Bang, finalizado em 1971, num período de censura intensa no Brasil. Apesar de ficções, esses filmes podem ser considerados documentos históricos que refletem o sentimento e a juventude desse período. Tonacci realizou filmes radicais em plena ditadura militar, e não fez concessões estéticas ou narrativas por medo de represálias, se recusando a submeter seu processo de criação à censura imposta.
Olho por olho surgiria de uma pulsão quase inconsciente de descontentamento. Uma ânsia por violência sem saber ao certo para onde direcioná-la. No filme, um grupo de jovens perambulam dentro de um carro pela cidade de São Paulo, aparentemente sem um propósito definido.
Em meio a conversas corriqueiras, descobrimos que a personagem feminina serve como isca para atrair homens solitários para lugares vazios, para que o grupo possa espancá-los. Seria esta apenas uma ação perante um a certo tédio e a trivialidade de mais um dia na vida de jovens de classe média? Ou a violência, aparentemente gratuita, que parte dos personagens poderia ser interpretada como uma reação, mesmo que inconsciente, às privações de liberdade causadas pelo Estado sobre o indivíduo? Em nenhum momento questões sobre política ou a situação do país são abordadas propriamente, apesar do filme aludir a um niilismo profundo que parece emergir de alguma impossibilidade de ser.
Essa certa abdicação de Tonacci por uma abordagem mais diretamente política viria a mudar em Blá, Blá, Blá, obra realizada dois anos após Olho por Olho, e pouco antes de ser decretado o AI-5. Blá, Blá, Blá recebeu o prêmio de melhor média-metragem no Festival de Brasília, que aconteceu entre 25 de novembro e 2 de dezembro de 1968. O AI-5 foi decretado em 13 de dezembro daquele ano. Podemos dizer que o filme se tornaria por demais premonitório:
“Até 1968 ninguém (salvo quem mexia de fato com política) levara muito a sério o regime militar – no sentido que se imaginava tudo aquilo transitório. O AI-5 e o que veio depois mostraram que estávamos entrando em uma noite tenebrosa, da qual não se vislumbrava a saída.” (Araújo, 2009, p2.)
Sobre o filme, viria a escrever Paulo Emílio Salles Gomes:
“A personagem emana de uma terra em transe e não seria de espantar que essa ficção acabasse adquirindo um valor de documento histórico a respeito da debilidade do poder civil brasileiro. A temática de Blá, Blá, Blá é porém mais ampla e ultrapassa o tempo em que a fita foi produzida. Num país sem crise e sem poder civil, a eloquência ingênua e delirante que o filme satiriza continua triunfante” (Salles Gomes, 1973)
Em janeiro de 1971 o embaixador da Suíça no Brasil foi libertado de seu cativeiro pelo grupo guerrilheiro VPR , em troca da soltura de prisioneiros políticos. Pelé se despediu da seleção de futebol brasileira em julho, e em setembro Carlos Lamarca foi assassinado na Bahia. Nesse ano Andrea Tonacci finalizou seu primeiro longa-metragem, Bang Bang.
Composto por longos planos-sequência que, segundo o diretor, poderiam ser exibidos em ordem aleatória, Bang Bang é protagonizado por Paulo César Pereio no papel de um ator que é perseguido por estranhos personagens, como um mágico e um ladrão cego. O filme é permeado pelo nonsense em uma narrativa que não progride, pelo menos no sentido da narrativa clássica, linear.
Se em Blá Blá Blá, Tonacci esvazia o sentido das palavras através de um discurso esquizofrênico, em Bang Bang há um esvaziamento dos personagens e situações. Em face ao absurdo do mundo e a atrocidade de um governo ditatorial, o filme oferece como resposta o nonsense.
Bibliografia
- ARAÚJO, Inácio. No meio da Tempestade. Texto encontrado no livreto do DVD Bang Bang. São Paulo: Heco Produções, 2009.
FERREIRA, Jairo. Cinema de invenção. São Paulo: Max Limoad / Embrafilme, 1986.
_______________. Cinema de invenção. São Paulo: Limiar, 2000.
PUPPO, Eugênio; HADDAD, Vera (org.). Cinema Marginal do Brasil e suas fronteiras. Catálogo. São Paulo: CCBB, 2001.
RAMOS, Fernão. Cinema Marginal (1968/1973): a representação em seu limite. São Paulo: Brasiliense, 1987.
SALLES GOMES, Paulo Emílio. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
SALLES GOMES, Paulo Emílio. Os exibidores se esqueceram desse filme. Crítica publicada no Jornal da Tarde, de 21 de abril de 1973.
BRASIL, André; MESQUITA, Cláudia (org.). Dossiê Andrea Tonacci. In Revista Devires Vol 9, n2. Belo Horizonte: FAFICH, 2012.
XAVIER, Ismail. O discurso cinematográfico; opacidade e transparência. São Paulo: Paz e Terra, 2005.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
