Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Tallyssa Izabella Machado Sirino Rezende (UNIOESTE)
Minicurrículo
- Doutoranda em Letras, pela Unioeste, pesquisando sobre a autora brasileira Carolina Maria de Jesus a as relações de suas obras com o cinema. Mestre em Letras, pela mesma instituição. Atualmente, é professora colaboradora na Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste.
Ficha do Trabalho
Título
- O encontro da palavra em Carolina Maria de Jesus e João Candido
Resumo
- Este estudo se propõe a refletir sobre as diferentes nuances assumidas pela palavra em O papel e o mar (2010), curta-metragem, de Luiz Antonio Pilar, que ficcionaliza um encontro entre a escritora brasileira Carolina Maria de Jesus e João Candido, o almirante negro, o líder da revolta da chibata. Para tanto, busca-se respaldo teórico em Hutcheon (2011), Deleuze (1989), Derrida (2009) e Bakhtin (2002).
Resumo expandido
- Carolina Maria de Jesus, em Quarto de despejo (1960), cita o almirante negro, João Candido. A partir desta citação, há a criação ficcional do encontro entre os dois, pelo curta-metragem O papel e o mar (2010). No curta, há apenas esses dois personagens, que caminham e discutem sobre suas relações distintas e similares com a palavra: Carolina, com o papel, João Candido com o mar. Carolina foi a escritora das margens que escreveu a partir dela, escrevia em cadernos usados encontrados no lixo que catava para sobreviver. João Candido foi o líder da revolta da chibata, portanto, ambos ocupam um lugar de contestação da posição social que lhes é imposta.
Nesse sentido, este estudo pretende refletir sobre as diferentes nuances assumidas pela palavra na ficcionalização literária e fílmica – Quarto de despejo (1960) e O papel e o mar (2010), no que se refere aos modos de engajamento das adaptações. Para tanto, buscamos suporte em Linda Hutcheon (2011):
Mas com a travessia para o modo mostrar, como em filmes e adaptações teatrais, somos capturados por uma história inexorável, que sempre segue adiante. Além disso, passamos da imaginação para o domínio da percepção direta, com sua mistura tanto de detalhe quanto de foco mais amplo. O modo performativo nos ensina que a linguagem não é a única forma de expressar o significado ou de relacionar histórias (HUTCHEON, 2011, p. 48).
Conforme a autora canadense, a diferença entre a leitura da obra literária e outras mídias que seguem adiante – como é o caso do cinema, é a transição da imaginação para transição direta, de modo que já não é possível abaixar o livro para o colo e refletir sobre como, enquanto leitores, imaginamos determinada cena ou que significação determinada narração terá em nossa reflexão sobre a leitura que fazemos.
Mas, qual é o fio condutor para a adaptação? Gilles Deleuze (1989) reforça que, quando se tem uma ideia em cinema, esta ideia é diferente da ideia que se tem em romance – ou literatura, em geral – mas, ao decidir adaptar uma obra literária, um cineasta tem ideias em cinema que fazem eco àquilo que o romance apresenta. No que se refere a O Papel e o mar (2010) e Quarto de despejo (1960), o eco entre as obras é a palavra como contestação e esta relação é construída de forma interrelacionada, porém diferente, nas duas obras.
A relação com a palavra é forjada no próprio texto que cada um desses personagens constrói. E ele é um jogo de adivinha ou de esconde-esconde com o leitor, conforme aponta o pai da desconstrução:
Um texto só é um texto se ele oculta, ao primeiro encontro, a lei de sua composição e a regra de seu jogo. Um texto permanece, aliás, sempre imperceptível. A lei e a regra não se abrigam no inacessível de um segredo, simplesmente elas nunca se entregam, no presente, a nada que se possa nomear rigorosamente uma percepção (DERRIDA, 2005, p. 7).
Esse jogo é trazido também para o modo mostrar – característico do cinema, uma vez que, para Derrida, tudo é texto, no sentido de que tudo é discurso, feito no e pelo discurso. Porém, é a forma como o jogo é construído que será diferente.
Considerando, portanto, a escritura um jogo, nele encontramos as personagens que guiam este estudo: Carolina e João Candido; cada qual à sua maneira, em seu jogo textual, como personagens intimamente ligados à palavra que, ora mostram ora escondem suas intenções e relações com o texto e a palavra. Consideramos, ainda, que o texto é um emaranhado de vozes, conforme postula Bakhtin (2002), portanto, tanto a obra fílmica se proveu da ligação proposta pela obra literária, quanto a obra literária, na voz da própria Carolina Maria de Jesus ao retomar a voz de João Candido, em Quarto de despejo (1960).
Assim, essas relações rizomáticas serão aprofundadas e questionadas, por meio da análise da construção estética da palavra nas duas obras, considerando a especificidade de seu modo de engajamento.
Bibliografia
- BAKHTIN, Mikhail Mikhaæilovich. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. Hucitec/Annablume, 2002.
DELEUZE, Gilles. Cinema 1 – A imagem-movimento. Tradução de Stella Senra. São Paulo: Brasiliense, 1985.
_________. Cinema 2 – A imagem-tempo. Tradução de Eloísa de Araújo Ribeiro. São Paulo: Brasiliense, 1990.
_________. O ato de criação. Folha de São Paulo, v. 27, p. 4, 1989.
DELEUZE, Gilles. GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. Vol. 2. São Paulo: Editora 34, 2005.
DERRIDA, Jacques. A escritura e a diferença. São Paulo: Perspectiva, 2009.
_________. Farmácia de Platão, A. Editora Iluminuras Ltda, 2005.
_________. Gramatologia. São Paulo: Perspectiva, 2008.
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
HUTCHEON, Linda. Uma teoria da adaptação. Ed. da UFSC, 2011.
Pilar, Luiz Antonio. O papel e o mar. Lapilar produções, 2010.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
