Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Victor Ribeiro Guimarães (UFMG)

Minicurrículo

    Doutorando em Comunicação Social pela UFMG. Crítico na revista Cinética desde 2012, foi professor do curso de Cinema e Audiovisual do Centro Universitário UNA, um dos coordenadores de programação do Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte (2014) e integrante das comissões de seleção do forumdoc.bh (desde 2012). Tem críticas e ensaios publicados em revistas como Lumière (Espanha), Senses of Cinema (Austrália), Desistfilm (Peru) e La Furia Umana (Itália).

Ficha do Trabalho

Título

    Esboços de uma teoria do documentário em Aloysio Raulino

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    O trabalho pretende extrair reflexões de natureza teórica sobre o cinema documentário a partir da análise imanente de O Tigre e a Gazela (1976), filme em que Aloysio Raulino investiga, de forma metacinematográfica, as relações entre o artista e o povo. Aproximando-o de alguns ensaios canônicos sobre o documentário brasileiro, pretendemos tratar o filme como um ato teórico singular, que tem o potencial de oferecer insights sobre a tradição e contribuições para o pensamento contemporâneo.

Resumo expandido

    Em O Tigre e a Gazela, curta-metragem fotografado, montado e dirigido por Aloysio Raulino em 1976, as imagens documentais – especialmente aquelas forjadas no encontro com sujeitos marginalizados no espaço urbano – são constantemente intercaladas com um conjunto de fragmentos literários, provenientes (sobretudo, mas não exclusivamente) da obra de Frantz Fanon. As conexões e os atritos produzidos entre as imagens, o texto e a música (de Luiz Melodia a Milton Nascimento, passando por hinos patrióticos brasileiros) são da ordem da fricção, e resultam não apenas em um belíssimo poema dedicado aos moradores de rua, aos loucos e aos foliões que povoam a cidade, mas em um “ato teórico” (AUMONT, 2008) que busca investigar as relações – tensas, intrincadas, conflituosas – entre o artista e o povo.
    Esse binômio, tão crucial para o pensamento sobre o documentário no Brasil – tradição que tantas vezes buscou interrogar a linguagem “como o palco de conflitos ideológicos e estéticos dos cineastas na sua relação com a temática popular” –, como escreveu Jean-Claude Bernardet (2003, p. 9) –, está presente em toda a obra de Raulino, mas é encampado de forma explícita e tratado como reflexão metacinematográfica em O Tigre e a Gazela. É curioso, nesse sentido, que o filme tenha escapado à filmografia de Cineastas e imagens do povo, uma vez que sua envergadura teórica é tão evidente quanto a de Congo (1972), de Arthur Omar. Um dos objetivos do trabalho é justamente contribuir para saldar essa dívida histórica, que vem sendo reconhecida pelo próprio Bernardet em intervenções recentes.
    Diferentemente de Congo, no entanto, O Tigre e a Gazela não foi acompanhado à época de um manifesto publicado pelo autor, como é o caso de “O anti-documentário, provisoriamente” (OMAR, 1978). Essa ausência de um texto reflexivo também é um fator que nos compele à análise imanente, que busca extrair da obra uma elaboração de natureza conceitual. Partimos da necessidade, enunciada por Nicole Brenez, de “colocar sempre confiança no filme, assumindo sempre que um filme pode pensar tão bem quanto um texto teórico” (BRENEZ, 2010, p. 70).
    Logo no início, sobre a imagem da limpeza de um par de óculos, a narração enuncia: “O cálculo, os silêncios insólitos, as segundas intenções, o espírito subterrâneo, o segredo, tudo isso o intelectual vai abandonando à medida que imerge no povo”. O desnudamento e a entrega preconizados por Fanon serão encampados materialmente pela câmera 16mm, que imerge na multidão pedestre de forma epidérmica. A encenação rechaça tanto a distância observacional quanto a entrevista, e se entrega peremptoriamente a um embate campal com os corpos, em uma proximidade visceral que atinge a granulação e o desfoque na figuração tátil da pele negra pela fotografia em preto e branco, altamente contrastada.
    De um lado, há um investimento em traduzir formalmente, em termos cinematográficos, as ideias de Fanon (intelectual importante para toda uma geração do cinema latino-americano, de Glauber Rocha a Fernando Solanas), como na acentuação do contraste que esbranquiça a negritude e remonta às teses de Pele negra, máscaras brancas (FANON, 2008). De outro, o filme excede largamente a circunscrição fanoniana e formula uma reflexão própria, que conjuga o ímpeto documental às intervenções ensaísticas da montagem vertical. Na encenação da frontalidade singular dos olhares dos transeuntes, há tanto a fulguração do encontro quanto a reflexividade proporcionada pelo atrito com os excertos musicais e literários.
    O olhar-câmera, figura-chave da obra de Raulino, aparece aqui em sua elaboração mais reflexiva, tomado como um laboratório constante para investigar, a cada plano, as tensões entre quem é filmado, quem filma e quem olha. O Tigre e a Gazela vislumbra o cinema documentário como um mergulho sensível na espessura das distâncias, uma dança vertiginosa sobre a superfície das cisões, um salto de corpo inteiro no abismo entre os cineastas, o povo e o espectador.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. “Pode um filme ser um ato de teoria?”. In: Revista Educação e Realidade, nº 33 (1), jan/jun 2008, PP. 21-34.
    BERNARDET, Jean-Claude. Cineastas e Imagens do Povo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
    ______________________. “A discreta revolução de Aloysio Raulino”. In: CARDOSO VALE, Glaura (org.). Catálogo do 17º Forum.doc BH. Belo Horizonte: Associação Filmes de Quintal, 2013.
    BRENEZ, Nicole. “Paris, 18 de agosto de 1997”. In: ROSENBAUM, Jonathan & MARTIN, Adrian (coord.). Mutaciones del cine contemporáneo. Madrid: Errata Naturae, 2010, pp. 77-86.
    FANON, Frantz. Os condenados da terra. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.
    _____________. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.
    OMAR, Arthur. “O antidocumentário, provisoriamente”. In: Revista de Cultura Vozes nº 6, ano 72, 1978, p. 405-418.
    TEIXEIRA, Francisco Elinaldo. Documentário no Brasil: tradição e transformação. São Paulo: Summus, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).