Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Ricardo Tsutomu Matsuzawa (UAM)

Minicurrículo

    Possui graduação em Comunicação Social – Habilitação Radialismo e Especialização em Fundamentos das Artes e Cultura pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP. Mestre em Comunicação Contemporânea, Doutorando em Comunicação Audiovisual e professor da Universidade Anhembi Morumbi. Atua na área de Comunicação, com ênfase em Audiovisual. http://lattes.cnpq.br/9120849992278402

Coautor

    Ivan Ferrer Maia (UAM)

Ficha do Trabalho

Título

    STAR TREK: 50 ANOS. IMAGEM COMETA E A PARTILHA DA ACEITAÇÃO

Resumo

    Esta comunicação tem o objetivo de abordar o modo como a série de televisão Star Trek (1966) e as suas produções derivadas discutem e apresentam temas como preconceito racial e xenofobia, por meio de narrativas estéticas, imagens intermitentes e composições plásticas estruturadas pela Direção de Arte e pela Fotografia. São imagens cometas que atravessam o horizonte, eclodem como bola de fogo, de cunho social que levantam questões sobre discriminação, produzidas em pleno período da Guerra Fria.

Resumo expandido

    Didi-Huberman (2011), na sua obra “Sobrevivência dos Vaga-Lumes”, evoca Walter Benjamin e Giorgio Agamben para estabelecer a distinção entre imagem e horizonte. A imagem caracteriza-se pela sua intermitência, pelos seus intervalos de aparições, enquanto o horizonte é imenso e imóvel. “A imagem é lucciola das intermitências passageiras; o horizonte banha na luce dos estados definitivos, tempos paralisados” (p. 115). A imagem é um cometa que transita em toda a imobilidade do horizonte. De aparição súbita, preciosa, como uma bola de fogo que queima, coisa que cai.
    O horizonte é estendido, é maior que nós – é galáctico. Enxergar o horizonte é contemplar uma jornada, os múltiplos planos, camadas e universos. Em analogia ao horizonte, é possível citar a série Star Trek (1966-1968), atravessada por imagens, cometas ou bolas de fogo, que completa cinco décadas de existência em 2016.
    Durante a jornada interestelar, as imagens intermitentes misturam-se com a ordem do horizonte, eclodem como bolas de fogo, transitam no céu, colidem no chão e deixam rastros. São imagens de impacto social que levantam questões sobre discriminação, produzidas em pleno período da Guerra Fria.
    Diante desse contexto, esta comunicação pretende abordar o modo como a série televisiva Star Trek e suas produções derivadas discutem e apresentam temas como preconceito racial e xenofobia por meio de narrativas estéticas, imagens intermitentes e composições plásticas estruturadas pela Direção de Arte e pela Fotografia.
    A série destaca-se pelo caráter humanista e por oferecer visibilidade a personagens de diferentes culturas e etnias como protagonistas, além de mostrar o primeiro beijo interracial da televisão norte-americana – Plato’s Stepchildren (1968). Percebe-se que este debate é atual, pois há uma universalização radical do mercado, preconceitos e ações de xenofobia em evidência em todo o mundo e obras audiovisuais que ainda transmitem discursos ideológicos e excludentes.
    Como escreveu Rancière (2009), “O real precisa ser ficcionado para ser pensado” (p. 58). E a ficção pode estar no mesmo status que o real ou, de outra forma, Star Trek evoca um futuro e cria um universo nos quais os preconceitos estão resolvidos na humanidade. Em sua primeira exibição, deu visibilidade a uma mulher negra em uma ficitícia ponte de comando em nave capitânia da humanidade, em pleno 1966, quando eclodiam os movimentos dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, ano que, em alguns Estados Americanos, ainda era proibido o casamento interracial. Ainda em Rancière (2009), “a partilha do sensível faz ver quem pode tomar parte no comum em função daquilo que faz, do tempo e do espaço em que essa atividade se exerce” (p. 16).
    A estética partilhada em Star Trek são cometas intermitentes cujos rastros trazem discursos de tolerância racial e de gênero, ao mesmo tempo em que escancaram problemas de aceitação. Por exemplo, no episódio Let That Be Your Last Battlefield (1969), a tripulação da nave encontra dois alienígenas praticamente idênticos, cuja diferença se dava pela coloração invertida visível em seus rostos. De um lado, pigmentos brancos, de outro, pretos. Ambos pertencem à mesma espécie, no entanto, acreditam ser diferentes devido à coloração invertida nos rostos. Pela intolerância, estão em luta há 50 mil anos, com desprezos mútuo.
    São narrativas que comungam o sensível e revelam, ao mesmo tempo, “a existência de um comum e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas” (RANCIÈRE, 2005, p. 15). Partilhas de espaços e tempos, mas, antes de tudo, de atividades que estabelecem modos e comportamentos comuns ou excludentes e além de evidenciar como uns e outros se envolvem nessa partilha. São imagens que queimam, de aparições, de desaparecimentos, de reaparições e de redesaparecimentos incessantes, que partilham sentidos ainda necessários para os tempos atuais.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. O que é o dispositivo & o amigo. Chapecó :Argos, 2014.
    BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: Magia e técnica, arte e política. V.1. São Paulo: Brasiliense, 2012.
    BORDWELL, David. The way Hollywood tell it: Story and style in modern movies. Los Angeles: Universitiy of California Press, 2006.
    DELEUZE, Gilles. Cinema II: a imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 2005.
    DIDI-HUBERMAN, Georges. Sobrevivência dos vaga-lumes. Belo Horizonte: UFMG, 2011.
    DUBOIS, Philippe. Cinema, vídeo e Godard. São Paulo: Cosac Naif, 2004.
    GARDIES, René. Compreender o cinema e as imagens. Lisboa: Texto e Grafia, 2008.
    HAN, Byung-Chul. Sociedade do Cansaço. Petrópolis: Editora Vozes, 2015.
    OLIVEIRA JR, Luiz Carlos. A mise em scène no cinema: Do clássico ao cinema de fluxo. Campinas: Papirus, 2013.
    RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível; estética e política. São Paulo: Editora 34, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).