Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    denise tavares da silva (UFF)

Minicurrículo

    Doutora em Integração Latino-americana pelo PROLAM/USP, professora do Departamento de Comunicação Social da UFF e Coordenadora daPós-Graduação Mídia e Cotidiano.

Ficha do Trabalho

Título

    Na trilha da poesia, leituras luminares: Heddy e Gabriela fabulam cine

Seminário

    Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais

Resumo

    Traduzir ou “transcriar” a plasticidade engendrada pela poesia tem sido um veio fértil para o doc latino-americano. Aqui, a proposta é discutir as trilhas escolhidas por Heddy Honigmann em O amor natural (1995), e a que percorre Gabriela Yepes em Vivir es una obra maestra (2008), considerando suas escolhas distintas em diversos aspectos – formais, narrativos, estilísticos – que desenham um território atravessado por sombras que rodopiam em torno do fabular cinema a partir do real.

Resumo expandido

    Na relação do cinema com a poesia, o cenário desenhado só poderia ser múltiplo ou multifacetado, ressalvando-se, sempre, que suas delimitações (tal qual a poesia), só poderiam ser plásticas, flexíveis, linhas sempre em movimento. Isto porque o impacto que provoca o encontro com a poesia transborda-se em diversos retornos que se aninham às tradições documentárias marcadas, no cenário contemporâneo, pela desconfiança contínua da relação com o real, entre outras questões. Ora, se poesia é o que diz Octavio Paz (1984, p. 11), ou seja, “A operação poética consiste em uma inversão ou conversão do fluir temporal; o poema não detém o tempo: o contradiz e o transfigura” (1984, p. 11), o encontro poesia e cinema só ocorre quando há esta disposição de ser atravessado por ambos, em um processo de fabulação que, quase sempre, anula as distinções temporais e espaciais, concentrando a articulação nas possibilidades do inesperado, da entrega.
    Trata-se de engendrar uma narrativa em espiral que vai e vem, tracejada sob o ritmo da descoberta, como ocorre em O amor natural (1995), documentário da peruana radicada na Holanda, Gabriela Yepes, que se inicia tateando um artifício de quem visita terras distantes – no caso, o Rio de Janeiro, que abrigou Carlos Drummond de Andrade. Mas, às interrogativas abaixo do tom que marcam as primeiras cenas do filme – “você sabe quem é Carlos Drummond de Andrade?”, pergunta ela, a feirantes, pequenos comerciantes, etc – seguem as reinvenções do encontro direto com os poemas eróticos do poeta. E aqui o documentário vai delimitando novo caminho que subverte a narrativa e até mesmo o protagonismo que parecia tão determinante no começo do filme. Agora, o que se mapeia revela o vigor semeado pelo cinema, dispositivo inconteste das novas possibilidades que se abrem no repensar a vida, rememorar, saborear as lembranças e a nudez de uma intimidade que se deixa compartilhar a partir da leitura de um poema. Neste sentido, o documentário, realizado em externas, oferece outras camadas disponíveis à leitura/interpretação, tal qual a poesia, em um processo que também expõe a força da imagem e do som – do cinema – multiplicando os encontros que, tão singelamente, percorrem a tela. Um ritmo e intensidade bem distintos de Vivir es una obra maestra (2008), de Gabriela Yepes, um curta (26 minutos) que busca apresentar a relação da cineasta com o poeta peruano Jorge Eduardo Eielson.
    No curta documental de Yepes o eixo é sua relação com o poeta. Uma relação marcada pela reverência ressaltada na voz da cineasta, em off no filme. E também pela tentativa contínua do encontro entre os dois, algo que sempre desliza no tempo, tornando o vínculo entre ambos algo distante, frágil. Situação que, por sua vez, contrapõe a resistência de Eislson em partilhar sua intimidade enquanto acompanhamos o esforçado e contínuo desnudar do desejo de Yepes ir em sua direção, maravilhada pelo mistério da motivação criativa do poeta. Neste jogo marcado pela subjetividade de ambos a poesia dança pela tela, enrodilhada nas criações plásticas do poeta-artista, ou no tateio sem descanso da cineasta em busca de congelar um presente que lhe escapa a todo momento. Pois, voltando a Paz (1984, p.11), “O poema é uma máquina que produz anti-história” e em Vivir es una obra maestra – também título de um dos livros de Jorge Eduardo Eielson – que inicia epistolar (para muitos, já fora da história: quem escreve cartas hoje?) e depois mostra o contato entre ambos através do telefone, o poeta, em muitos instantes, é o próprio poema, é o caminho que garante o desencontro estrutural deste filme-testemunha, marcado pela antítese.
    São duas obras de autoria feminina – como lembraria a cineasta e pesquisadora Karla Holanda – que se debruçam sobre a poesia de dois homens. E, pode-se dizer, que enquanto um filme é solar, aberto, extasiado pelo processo do “ir além do poema”, o outro é lunar, ensimesmado, reverente e íntimo. Dualidade que diz muito do continente latino-americano.

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. “O narrador”. In Textos Escolhidos. São Paulo: Abril Cultura, 1983.
    GAUTHIER, Guy. O documentário. Um outro cinema. Campinas(SP): Papirus, 2011.
    GODOY, Mauricio. 180º gira mi cámara. Lo autobiográfico em El documental peruano. Lima: PUCP, 2013.
    LEFEBVE, Maurice-Jean. Estrutura do discurso da poesia e da narrativa. Coimbra: Livraria Almedina, 1976.
    NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. Campinas/SP: Papirus, 2005.
    PAZ, Octávio. Os Filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
    PIEDRAS, Pablo. El cine documental en primera persona. Buenos Aires: Paidós, 2014.
    RENOV, Michael (Org.) (1993). Theorizing Documentary. New York: Routledge, 1993.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).