Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    LUIZ GUSTAVO VILELA TEIXEIRA (UTP)

Minicurrículo

    Crítico de Cinema e Jornalista formado na PUC-MG (2006). Mestrando em Comunicação e Linguagens (UTP) e especialista em Comunicação e Cultura (UTFPR). É redator, editor e idealizador do site Cronico de Cinema (cronicodecinema.com). Colunista semanal na Rádio CBN Curitiba e Transamérica Light sobre Cinema e Audiovisual.

Ficha do Trabalho

Título

    A violência em Tarantino: uma abordagem pela Teoria dos Cineastas

Seminário

    Teoria dos Cineastas

Resumo

    O cinema de Quentin Tarantino é marcado pela exploração estética da violência. Seus personagens não apenas vivem em um mundo violento, como a praticam para resolver seus problemas. A violência é em si uma forma de expressão. Mas o que ele próprio vê de violência em seus filmes? A proposta deste painel é explorar o uso da violência de Tarantino partindo de sua própria visão sobre o assunto. A Teoria dos Cineastas, de Jacques Aumont, servirá como fio condutor teórico para as considerações.

Resumo expandido

    Logo nos primeiros parágrafos da introdução de seu livro As Teorias dos Cineastas, Jacques Aumont lança a definição que norteará seu estudo: “o cineasta é um homem que não pode evitar a consciência de sua arte, a reflexão sobre seu ofício e suas finalidades, e, em suma, o pensamento” (AUMONT, 2002, p. 7). No parágrafo seguinte, o pensador sistematiza o que considera “reflexão” e “pensamento” ao justificar o foco dado pelo livro.

    Isso significa que ele [o livro] privilegia os cineastas que tiveram a ambição senão a mais elevada, pelo menos a mais profunda e a mais consequente: para teorizar, para simplesmente refletir, é preferível aprofundar opiniões estáveis do que mudá-las o tempo todo ou permanecer na superfície. (AUMONT, 2002, p. 7).

    A noção de manutenção das ideias ao longo do tempo nos coloca em direção ao cinema de Quentin Tarantino e, principalmente, ao pensamento sobre sua arte. Mais notadamente em relação a uma declaração sua em uma entrevista de divulgação para a promoção de Django Livre (2012). Depois de dizer que seu uso de violência era duplo no filme – operando no nível da representação e no da catarse –, o entrevistador, Krishnan Guru-Murthy, insistiu em questionar a relação entre violência real e violência cinematográfica. A resposta do diretor é tão exemplar de sua personalidade quanto do nosso primeiro passo em direção à Teoria dos Autores.

    Eu recuso sua questão. Não sou seu escravo e você não é meu mestre. Você não pode me fazer dançar para sua música. Não sou um macaco (…) A razão pela qual não respondo isso é porque eu já disse tudo o que tinha para dizer sobre isso. Se alguém se importar com o que tenho para dizer sobre isso, podem procurar no Google. E eles podem ver 20 anos sobre o que tenho a dizer. Não mudei minha opinião nem um pouco. (TARANTINO, 2013).

    Para a sorte deste trabalho, o The Wire, site de notícias de entretenimento, à época da entrevista, fez uma coletânea das declarações de Tarantino sobre como o cineasta usa a violência em seus filmes. Algumas são exemplares, como esta de 1994, em uma coletiva de imprensa para o lançamento de Pulp Fiction (1994):

    Violência é apenas uma das muitas formas de fazer cinema. As pessoas me perguntam, ‘de onde vem toda esta violência em seus filmes?’ e eu respondo, ‘de onde vem toda a dança dos filmes de Stanley Donen?’ se você me pergunta como eu me sinto em relação à violência na vida real, bem, tenho muitos sentimentos sobre isso. É um dos piores aspectos da América. Nos filmes violência é legal. Eu gosto. (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Ou esta para o Chicago Tribune, de 1993, sobre a violência em Cães de Aluguel (1992), quando diz que “ainda é um filme. No limite eu não sou responsável pelo que uma pessoa faz depois de ver um filme. Tenho uma responsabilidade. Minha responsabilidade é em criar personagens os mais verdadeiros que eu possa” (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Vinte anos depois ele, de fato, seguiu dizendo as mesmas coisas, como mostra esta declaração de 2013, depois do lançamento de DJANGO LIVRE, para o site Fresh Air:

    Eu assistiria um filme de Kung Fu três dias depois do massacre de Sandy Hook? Eu assistiria um filme de Kung Fu? Talvez, porque eles não tem nada a ver um com o outro (…) Sim. Fico muito incomodado [com este tipo de pergunta]. Acho que é um desrespeito com a memória deles, na verdade (…) Com a memória das pessoas que morreram ao relacionar com filmes [suas mortes]. Acho que é totalmente desrespeitoso para sua memória. Óbviamente a questão é controle na venda de armas e saúde mental. (TARANTINO apud ZUCKERMAN, 2016, s/p).

    Fica claro, então, que Tarantino não é um cineasta que usa a violência como forma de encantar o público. Sua preocupação está no uso dela como recurso visual e narrativo: a catarse mencionada na entrevista à Guru-Murthy. Para ele a violência do mundo real não pode e não deve se relacionar com a da ficção, sempre contextualizada e caricatural.

Bibliografia

    AUMONT, Jacques. As Teorias dos Cineastas. Campinas, SP. Papirus, 2004.

    TARANTINO, Quentin in ZUCKERMAN, Esther. Everything Quentin Tarantino Really Thinks About Violence and the Movies. The Wire. Disponível em Acesso em 18 de maio de 2016.

    Filmes

    CÃES de Aluguel. Direção: Quentin Tarantino. Fotografia: Andrzej Sekula. TVSBT Canal 04 de São Paulo S/A./Columbia Tristar, 1992. 1 DVD (98 min), NTSC, color. Título original: Reservoir Dogs.

    DJANGO Livre. Direção: Quentin Tarantino. Fotografia: Robert Richardson. Columbia Tristar Buena Vista Films of Brasil Ltda., 2012. 1 DVD (145 min), NTSC, color. Título original: Django Unchained.

    PULP Fiction: Tempo de Violência. Direção Quentin Tarantino. Fotografia: Andrzej Sekula. Buena Vista Home Entertainment, Inc. / Videolar S/A, 1994. 1 DVD (154 min), NTSC, color. Título original: Pulp Fiction.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).