Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Tetê Mattos (Maria Teresa Mattos de Moraes) (UFF/UERJ)

Minicurrículo

    É doutoranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UERJ, e professora do Departamento de Arte da Universidade Federal Fluminense desde 1997. É graduada em História, e mestre em Ciência da Arte pela UFF. Dirigiu os premiados documentários “Era Araribóia um Astronauta?”(1998), “A Maldita”(2007) e “Fantasias de Papel” (2015). Publica artigos em revistas e livros especializados em cinema. Atua como curadora de diversos festivais de cinema. Dirigiu o Araribóia Cine – Festival de Niterói.

Ficha do Trabalho

Título

    FESTIVAL DO RIO E O IMAGINÁRIO DA CIDADE

Resumo

    Buscaremos analisar o imaginário da cidade do Rio de Janeiro através dos discursos fílmicos e oficial do Festival do Rio, nos anos de 2014 e 2015. A visão de cidade produzida no discurso oficial se pauta na construção de um imaginário baseado no clichê da “cidade maravilhosa”. Porém, não podemos afirmar o mesmo em relação aos filmes exibidos no Festival. A nossa hipótese é a de que há uma eventual diferença na representação do Rio de Janeiro entre estes dois discursos.

Resumo expandido

    Nas últimas décadas, os festivais audiovisuais além de apresentarem um enorme crescimento no número de eventos, passam a ter uma forte importância na contemporaneidade devido à repercussão que estes exercem no imaginário das sociedades. Este fenômeno, de caráter internacional, atribui aos festivais além da função artística, uma função voltada ao marketing urbano.
    Para buscar entender este processo, centraremos a nossa análise no Festival do Rio, evento de grande repercussão na cidade do Rio de Janeiro, criado em 1999, a partir da fusão de dois eventos cinematográficos – o Rio Cine Festival e a Mostra Banco Nacional de Cinema. A junção destes dois festivais, atrelado ao forte patrocínio, fez com que o Festival do Rio, desde a sua primeira edição, se consolidasse como um evento de grande porte e com forte repercussão no país.
    Partindo do princípio de que os festivais são experiências de cidade, no caso do Festival do Rio, podemos afirmar que a cidade se faz presente como um personagem a ser investigado. Mais que isso: é a própria cidade, que ao lado da arte cinematográfica, se torna uma mercadoria. Para que este produto tenha eficácia de venda, é necessário a construção de uma imagem da cidade ideal, cosmopolita, global, moderna e tecnológica (ARANTES, 2012; SANCHEZ, 2010)
    Partimos da premissa de que os festivais são fenômenos de comunicação e constituem importantes espaços de sociabilidade e de trocas simbólicas. A experiência de assistir a um filme coletivamente, potencializam os festivais como possível ligação com o mundo imaginário. Através desta experiência estética existe uma produção de sentido sobre a própria realidade.
    Na nossa comunicação buscaremos analisar a representação da cidade do Rio de Janeiro através dos filmes e do discurso oficial do Festival do Rio. A visão de cidade que é produzida no discurso oficial do Festival se pauta na construção/manutenção de um imaginário que produz uma narrativa da cidade baseada no clichê da “cidade maravilhosa”, estetizada pela paisagem que apresenta um “simulacro” do real e reforça a imagem da cidade como espetáculo.
    Porém, se no discurso oficial do Festival do Rio (manifestado através do material gráfico, dos textos dos catálogos, das vinhetas e slogans) observamos uma pactuação com a cidade num jogo de poder que remete às representações hegemônicas da cidade, não podemos afirmar o mesmo em relação aos filmes exibidos na Première Brasil, sessão principal do Festival voltada para a produção nacional recente, com a maior visibilidade midiática. Acreditamos que existe uma confrontação na representação do Rio de Janeiro entre os discursos fílmicos e os discursos oficiais do Festival. Violência, desigualdades sociais, conflitos urbanos, uma outra geografia da cidade, representações das favelas, são alguns dos exemplos que podemos observar nos filmes que são exibidos no Festival, como por exemplo, as produções exibidas nas duas últimas edições de 2014 e 2015, que serão objeto de nossa análise. Alguns exemplos: CARIOCA ERA UM RIO, de Simplício Neto (2014), CASA GRANDE, de Fellipe Garamano Barbosa (2014), CRÔNICA DA DEMOLIÇÃO, de Eduardo Ades (2015), CAMPO GRANDE, de Sandra Kogut (2015) e MATE-ME POR FAVOR, de Anita Rocha da Silveira (2015).
    A nossa hipótese é de que há uma provável diferença entre a representação do Rio de Janeiro nos discursos fílmicos e no discurso oficial. Acreditamos que existe uma intencionalidade do discurso oficial do Festival que se mostra condizente com o discurso de cidade promovido pela Prefeitura, principal patrocinadora do evento. À nosso ver, esta discrepância nos discursos se dá pela necessidade de pactuação e articulação entre o Festival do Rio e os financiadores do evento. Por outro lado, no regime estético acreditamos que haja uma maior “liberdade” no discurso das obras exibidas.

Bibliografia

    AMANCIO, Tunico. O Brasil dos gringos: imagens no cinema. Niterói: Intertexto, 2000.
    ARANTES, Otília Beatriz Fiori. Berlim e Barcelona: duas imagens estratégicas. São Paulo: Annablume, 2012.
    BAUDRILLARD, Jean. Simulacro e Simulações. Lisboa: Relógio D´Água, 1991.
    DE VALCK, Marijke. Film Festivals: From European Geopolitics to Global Cinephilia. Amsterdam: Amsterdam Univ. Press. 2007.
    ELSAESSER, Thomas (2005). “Film Festival Networks: The New Topographies of Cinema in Europe.” European Cinema: Face to Face with Hollywood. Amsterdam: Amsterdam Univ. Press., 2005.
    IORDANOVA, Dina [org.]. The Flm Festival Reader. St Andrews, Escócia: St Andrews Film Studies, 2013.
    JAGUARIBE, Beatriz. Imaginando a “cidade maravilhosa”: modernidade, espetáculo e espaços urbanos. . Famecos. V. 18, n. 2 , 2011.
    SILVA, Jailson de S. e; BARBOSA, Jorge L. e FAUSTINI, Marcus V. O novo carioca. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).