Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Isabella Regina Oliveira Goulart (USP)
Minicurrículo
- Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), sob orientação do Prof. Dr. Eduardo Victorio Morettin. Mestre em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA-USP. Foi bolsista CAPES durante o mestrado. Graduada em Comunicação Social, com habilitação em Cinema, pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professora dos cursos de graduação em Rádio, TV e Vídeo e Tecnologia da Produção Audiovisual do Centro Universitário FIAM-FAAM.
Ficha do Trabalho
Título
- Hollywood para América Latina: versões em espanhol no início do sonoro
Resumo
- Analisaremos, a partir de pesquisa historiográfica realizada nas revistas Cinearte e Cena Muda, a recepção de versões em língua espanhola de filmes em inglês produzidas em Hollywood no início do sonoro. Entre 1930 e 1935, essas publicações citaram várias versões em espanhol de filmes originais em inglês, que consideraram inferiores a esses. Avaliaremos como viu-se nas versões uma esperança para o cinema brasileiro, ao mesmo tempos em que eram criticadas como ofensivas a uma identidade nacional.
Resumo expandido
- A voz chegou ao cinema ao mesmo tempo em que as duas “estrelas à brasileira” vencedoras do concurso de beleza fotogênica da Fox Film, realizado em nosso país em 1926, desembarcavam em Nova York. Em 6 de outubro de 1927, acontecia a estreia de “O cantor de jazz” naquela cidade. No dia 12 do mesmo mês, Cinearte publicava “a primeira fotografia oficial da Fox, tirada nos Estados Unidos” do casal Lia Torá e Olympio Guilherme. Inaugurava-se com o filme de Alan Crossland um período de mudanças que passariam por todos os braços da produção industrial hollywoodiana e atingiriam também a carreira dos apreciados Latin lovers, assim como a de tantos atores imigrantes naquele país.
Aqui no Brasil, em Cinearte, além da curiosidade e otimismo patriótico sobre as carreiras de nossas duas “estrelas” nos Estados Unidos, essa obscura novidade da fala, ainda distante de nossas telas, começa a preocupar o grupo de Adhemar Gonzaga. Num primeiro momento, em 1928, a barreira da língua, na iminência de chegarem no país filmes falados em inglês, e especulações feitas a partir de críticas em publicações estrangeiras ou das impressões de colaboradores da revista no exterior movimentaram a imaginação da revista, que olhava para os talkies com desconfiança. A partir de 1929, quando da exibição do primeiro filme com som e imagem em sincronismo, em São Paulo, e com a adaptação do circuito exibidor que seguiria até 1931 nas grandes cidades, as críticas a essas produções, que agora podiam ser vistas em nossas salas, continuariam – embora a possibilidade de realizarmos filmes sonoros aqui trouxesse algum otimismo em relação ao som.
A partir de 1930, outra questão associada ao cinema sonoro, e que colocaria em evidência novos padrões vinculados à nacionalidade e velhos modelos estéticos de qualidade dos filmes afirmados pelo grupo de Gonzaga (o mimetismo em relação ao cinema norte-americano, conforme esboçou Jean-Claude Bernadet), entraria em jogo na pretensa negociação cultural entre a produção hollywoodiana e sua recepção no Brasil: as versões em espanhol. Em abril de 1930, um ano após a inauguração do sonoro na capital paulista, a Cena Muda apontava para a intenção de se produzirem filmes falados em espanhol nos estúdios norte-americanos.
De acordo com autores como Robert Sklar (1978) e Donald Crafton (1999), nos grandes estúdios, como a MGM e a Paramount, reuniram-se elencos estrangeiros completos, que tomavam conta dos cenários originais quando os artistas em língua inglesa acabavam de usá-los, para fazer versões dos longas-metragens norte-americanos. Do mesmo modo, Antonio Rios-Bustamante (1992) se refere ao estabelecimento de departamentos de produção de filmes em língua espanhola por grandes estúdios, como Paramount, Fox, RKO e Warner.
Com a chegada das versões, Cena Muda e, sobretudo, Cinearte, engajada num certo ideal de cinema, o do progresso da indústria brasileira, apontarão para aquele que é nosso principal problema de pesquisa: como a categoria identitária totalizante “latinos” poderia representar uma polifonia de grupos sociais e étnico-nacionais que caracterizam a América Latina, de acordo com o olhar dos produtores hollywoodianos? Em nossas revistas, a exibição das versões em espanhol no Brasil suscita discussões sobre uma ideia de latinidade, sobre o estrelismo (no sentido de possuirmos ou não atores aptos à tela, questão que já havia aparecido durante o concurso da Fox) e afirma padrões de qualidade do cinema pautados, há mais de uma década, pelos filmes hollywoodianos. Na predileção pelo filme original, se o inglês era sempre mais interessante do que o espanhol (como obra cinematográfica e, mesmo, como idioma), isso pode demonstrar uma inferioridade com que certos grupos ligados ao cinema no Brasil viam a América Latina e, ainda, um espelhamento nos Estados Unidos, que, nessa “negociação”, teve no cinema um de seus primeiros aparatos de influência cultural.
Bibliografia
- BERNARDET, Jean-Claude. Cinema brasileiro: propostas para uma história. São Paulo: Paz e Terra, 1978
CRAFTON, Donald. The Talkies: American Cinema’s transition to sound 1926-1931.
Berkeley: University of California, 1999
FREIRE, R. L. A febre dos sincronizados: os primeiros meses da exibição de filmes sonoros no Rio e em São Paulo em 1929. In: SOUZA, G. et al (orgs.). XIII Estudos de Cinema e Audiovisual Socine. São Paulo: Socine, 2012. 2v
RÍOS-BUSTAMANTE, Antonio. “Latino participation in Hollywood: 1911-45”. In: NORIEGA, Chon A. (ed.). Chicanos and film: representation and resistance. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1992
RODRÍGUEZ, Clara E. Heroes, lovers and others: the story of Latinos in Hollywood. Nova York: Oxford University Press, 2008
SHOHAT, Ella & STAM, Robert. Crítica da imagem eurocêntrica. São Paulo: Cosac Naify, 2006
SKLAR, Robert. História social do cinema americano. São Paulo: Cultrix, 1978
XAVIER, Ismail. Sétima arte: um culto moderno. São Paulo: Perspecti
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
