Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Mauricio Cardoso (FFLCH-USP)

Minicurrículo

    Formado em História pela USP (1996), finalizou o mestrado em História (USP, 2002) sobre o filme de Leon Hirszman, São Bernardo (1972). Concluiu, em 2007, o doutorado sobre o cinema de Glauber Rocha pela USP e pela Université Paris X-Nanterre. É professor no Departamento de História da USP, onde ministra disciplinas sobre Ensino de História e Narrativas Audiovisuais e realiza pesquisas sobre produção audiovisual brasileira, indústria cultural e história pública.

Ficha do Trabalho

Título

    Percursos do subdesenvolvimento : uma leitura de Paulo Emilio S. Gomes

Mesa

    Atualidades de Paulo Emílio

Resumo

    A comunicação se propõe a analisar o debate em torno do conceito de subdesenvolvimento no cinema brasileiro, formulado por Paulo Emilio Salles Gomes, em 1973, apontando as estratégias e apropriações deste crítico, em relação à “teoria do subdesenvolvimento”. Pretende-se também apontar a atualidade desse debate tendo em vista as reflexões contemporâneas sobre a permanência ou superação do subdesenvolvimento a partir das últimas duas décadas.

Resumo expandido

    A publicação de “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento” no primeiro número de Argumento, em outubro de 1973 trouxe à ordem do dia um balanço de grande invergadura sobre a formação do cinema brasileiro. Preocupado com o sentido geral da produção cinematográfica nativa, Paulo Emílio Salles Gomes recorre ao conceito de “subdesenvolvimento”, em voga nas análises econômicas forjadas pelos cepalinos, desde os anos 1950, e difundida, posteriormente, na militância de esquerda, pelo menos até os anos 1980.
    Em Paulo Emílio, o “subdesenvolvimento” técnico-econômico caracterizava, no cinema brasileiro, uma condição até então insuperável que impedia o voo livre e original dos cineastas. Marcados pela “dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro”, estaríamos condenados, segundo diagnóstico do autor, a repor a precariedade técnica e a dependência estética, num mercado ocupado pelo colonizador. No entanto, ele apontava em certos gêneros e movimentos cinematográficos, algumas possibilidades históricas de superação: a chanchada, o Cinema Novo, o Cinema Marginal, por razões distintas, refletiam o esforço de criatividade e se lançavam para o embate com o público e o mercado.
    Em que medida, porém, o texto dialogava com a “teoria do subdesenvolvimento”, presente no livro de Celso Furtado, Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, publicado em 1961? O artigo de Paulo Emilio, suscinto e denso, não investia em análises sistemáticas, nem tampouco apresentava alguma ancoragem teórica que delineasse o uso dos conceitos. Todavia, o perfil ensaístico do artigo, marcado pelo caráter sintético de inúmeras considerações, desdobrava-se em impasses estruturais que explicitavam as marcas do subdesenvolvimento na produção cinematográfica do país.
    Por outro lado, como apontou Ismail Xavier, o artigo se inspirava, ainda que sem explicitar, na concepção de sistema, formado pela dinâmica autor-obra-público tal como a formulou Antonio Candido, em Formação da Literatura Brasileira, publicado em 1959. Assim, Paulo Emilio identificava o centro neuvrálgico do impasse na constituição de um sistema cultural capaz de se consolidar como indústria cinematográfica, isto é, como veículo de comunicação de massa, com público cativo e continuidade de produção. A reposição de ondas de produção sempre marcadas por crises, falências, interrupções, problemas técnicos de toda ordem compunham o dilema cinematográfico do subdesenvolvimento, vulnerável aos ataques do estrangeiro, inseguro diante do mimetismo e da subordinação cultural e econômica.
    Afinal, teríamos superado aquele diagnóstico sombrio? A continuidade da produção dos últimos anos se apresentaria como norma ou seria apenas uma nova onda cujo declínio estaríamos prestes a verificar com o novo governo e a extinção do Ministério da Cultura? O debate sobre originalidade e criação artística ainda se impõe pelas fronteiras do nacional ou a globalização da cultura definiria a vitalidade de produções locais?
    O conjunto dessas questões conduziu nossa reflexão a suposta superação do subdesenvolvimento, tendo em vista a uma inserção específica do país na economia-mundo. André Singer e Alexandre Barbosa, entre outros autores, defendem, sob enfoques distintos, que apenas uma parcela reduzida da economia se modernizou, enquanto o país permaneceu dependente e subordinado à financeização globalizada. Exclusão social, desigualdades regionais intensas e industrialização sem transferência de tecnologia, associam-se ao esforço de atração de capitais financeiros e a exportação de produtos de baixo valor agregado.
    Nessa comunicação pretende-se, portanto, analisar de que modo o ensaio de Paulo Emilio se apropriou dos conceitos de “subdesenvolvimento” e “sistema literário” e identificar o impacto político do artigo no campo cinematográfico dos anos 1970, bem como sua atualidade na interpretação do cinema brasileiro e, de modo geral, o campo cultural.

Bibliografia

    BARBOSA, Alexandre de Freitas . O Anti-Herói Desenvolvimentista. Novos Estudos CEBRAP, v. 94, p. 1, 2012.
    CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. 5a ed. Belo Horizonte, Itatiaia, São Paulo, EDUSP, 1975.
    FURTADO, Celso. Desenvolvimento e subdesenvolvimento. 3a ed. RJ: Fundo de Cultura, 1965.
    GOMES, Paulo Emilio Salles. Cinema: trajetória no subdesenvolvimento. In: Argumento. no. 1, out 1973.
    SINGER, André. Os sentidos do lulismo. Reforma gradual e pacto conservador. SP: Companhia das Letras, 2010.
    XAVIER, Ismail. O cinema moderno brasileiro. RJ: Paz e Terra, 2001.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).