Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Glaura Cardoso Vale (UFMG)

Minicurrículo

    Doutora em Estudos Literários pela FALE/UFMG, mestra em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC Minas e residente pós-doutoral em Comunicação Social pelo PPGCOM/UFMG, com bolsa PNPD da Capes. Atua como pesquisadora nas áreas de literatura e de cinema, tendo ministrado oficinas de audiovisual e auxiliado na pesquisa e produção de documentários. É coordenadora de produção da Revista Devires – Cinema e humanidades, atuando também como organizadora. Colaboradora do forumdoc.bh desde 2003.

Ficha do Trabalho

Título

    Aloysio Raulino, leitor de Borges

Seminário

    Cinema e literatura, palavra e imagem

Resumo

    Conhecidamente, um dos traços de Jorge Luís Borges é o de criar espelhamentos, o eu e o outro imbricados numa trama labiríntica na qual o ler e o escrever são processos marcados pela reversibilidade. Igualmente labiríntico, Inventário da Rapina (1986), de Aloysio Raulino, coloca em movimento esses dois gestos, presentificados na tela pela grafia, pelo livro, pela leitura em voice over, friccionando cinema e literatura. É sobre esse movimento que esta apresentação versará.

Resumo expandido

    Suponho ser lugar comum afirmar que Jorge Luís Borges tenha uma escrita labiríntica e atravessada por enigmas. Referindo-se, dentre outros, a’O Aleph, Ricardo Piglia diz que na literatura “aquele que lê está longe de ser uma figura normalizada e pacífica (…) antes, aparece como um leitor extremo, sempre apaixonado e compulsivo” (2006, p. 21). Maurice Blanchot, ao suspeitar que Borges recebeu o infinito da literatura, afirma que esta “não é uma simples trapaça, é o perigoso poder de ir em direção àquilo que é, pela infinita multiplicidade do imaginário” (2005, p. 139). Esse jogo, marcado pela reversibilidade entre o ler e o escrever, não se trata de um falar de si ensimesmado, mas de colocar em diálogo os gestos próprios da leitura e da escrita, refletir sobre as referências literárias e culturais, e sobre a devolução das palavras e imagens ao mundo. Igualmente labiríntico, Inventário da Rapina (1986), de Aloysio Raulino, coloca em movimento esses dois gestos, presentificados na tela pela grafia, pelo livro em cena, a máquina de escrever, pela leitura em voice over, apropriando-se de textos do poeta Cláudio Willer, dentre outras estratégias. Em busca de O livro de areia do escritor argentino, ao voltar a câmera para si mesmo, o cineasta narra o encontro numa livraria com um personagem enigmático e introduz uma atmosfera tipicamente borgiana, friccionando cinema e literatura.

    É comum na literatura encontrarmos a leitura e a escrita encenadas através de personagens que escrevem e leem cartas, livros, diários e da própria estrutura textual se apropriar de um gênero (diário, ensaio, epistolar, teatral, cinematográfico) para organizar a narrativa. No cinema, a presença desses gestos é também comum, seja na ficção ou documentário, destacando aqui alguns estudos no Brasil sobre o tema: o conhecido livro de José Carlos Avellar (O chão da palavra, 2007), os livros de Mário Alves Coutinho (Escrever Com a Câmera a Literatura Cinematográfica de Jean Luc Godard, 2010) e Maurício Salles Vasconcelos (Jean-Luc Godard – História(s) da literatura, 2015), as dissertações de Marilia Rocha (O ensaio e as travessias do cinema documentário, 2006) e Carla Italiano (Senti que me partia em mil pedaços: aproximações entre as escrituras fílmicas de David Perlov e Jonas Mekas, 2015) e a tese de Ilana Feldman (Jogos de cena: ensaios sobre o documentário brasileiro contemporâneo, 2012), bem como seus estudos recentes sobre os diários de David Perlov. Com esse espectro, nos afastamos dos estudos que elaboram seus argumentos estritamente a partir das adaptações literárias, para discutir a árdua tarefa do escritor-cineasta e o seu trabalho de leitura. Como diz Raulino em um de seus haikais: “O cinema/ se oculta se/ expande/ no coração da/ desordem” (In: Celeste, separata que acompanha o Catálogo do forumdoc.bh.2013).

    Para esta apresentação, procurarei aprofundar as reflexões que acompanham o Fotograma comentado, “Escrita e leitura do movimento no cinema de Aloysio Raulino”, publicado na revista Devires, quando tento, à luz de Jair Fonseca e outros autores, investigar a presença da escrita e da leitura como aspectos fundantes da mise-en-scène em Inventário da Rapina. Com uma fortuna crítica ainda restrita – destacando as recentes reflexões de Victor Guimarães sobre as figuras do povo nesse cinema em diálogo com a cinematografia latinoamericana desde Fernando Birri –, Aloysio Raulino parece buscar no enigma borgiano uma dobra em seu filme (como a dobra de um livro) ao nos apresentar um personagem literário misterioso dentre os demais personagens que sua câmera encontra. É em torno deste enigma – e de Raulino leitor – que pretendo discorrer.

Bibliografia

    ARBEX, Márcia (org.). Poéticas do visível – ensaios sobre a escrita e a imagem. BH: FALE UFMG, 2006.
    ARRIGUCCI JR., D. Alexandre, leitor de Borges. Remate de Males, Unicamp, 2009.
    BLANCHOT, M. O livro por vir. SP: M. Fontes, 2005.
    BORGES, J. L. O livro de areia. Porto Alegre: Ed. Globo, 1978.
    DUMANS, J. A sinfonia dos pobres (ou a modernidade de Aloysio Raulino). In: Forumdoc.bh, Filmes de Quintal, 2013.
    FONSECA, Jair. Cinepoesia: a dança da música da luz. In: Forumdoc.bh, Filmes de Quintal, 2013.
    GUIMARÃES, César; SEDLMAYER, S. A vespa e a orquídea: encontros entre o cinema e a literatura. Rev. Devir, BH, p. 83-89, dez. 1999.
    GUIMARÃES, Victor. Noites Paraguayas, de Aloysio Raulino (Brasil, 1982). Cinética, dez. 2013.
    PIGLIA, R. O último leitor. SP: Cia das Letras, 2006.
    SEDLMAYER, Sabrina. Pessoa e Borges, quanto a mim, eu. Lisboa: Vendaval, 2004.
    VALE, Glaura C. Escrita e leitura do movimento no cinema de Aloysio Raulino. Devires, V. 10, N. 2, P. 78-87, JUL/DEZ 2013.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).