Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Cristina Alvares Beskow (ECA-USP)
Minicurrículo
- Cristina Alvares Beskow é doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais na ECA-USP, mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP e jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Desde 2006, trabalha com produção audiovisual, com experiência na produção de documentários. Atualmente, é integrante do grupo de estudos “Cinema Latino-Americano e Vanguardas Artísticas” e pesquisa o documentário no Nuevo Cine Latinoamericano das décadas de 1960 e 1970.
Ficha do Trabalho
Título
- O humor político nos filmes do Grupo Cine de la Base
Seminário
- Cinema e América Latina: debates estético-historiográficos e culturais
Resumo
- O Grupo Cine de la Base surgiu com a proposta de utilizar o cinema como arma de contra-informação por meio da produção, exibição e distribuição de filmes militantes na Argentina. Um dos recursos utilizados em seus filmes era o humor político, que será analisado no longa-metragem de ficção “Los traidores” (1973) e no documentário em curta-metragem “Me matan si no trabajo y si trabajan me matan” (1974), que utilizam a sátira para explicitar contradições sociais e ridicularizar figuras do poder.
Resumo expandido
- A utilização do fator cômico para retratar as contradições sociais e ridicularizar figuras opressoras remonta o cinema silencioso, no início do século XX. Um de seus precursores é Charles Chaplin e seu famoso personagem Carlitos, que se consolidou como uma arquétipo cômico e crítico dos despossuídos, do lúmpen da sociedade capitalista. Os filmes do cinema soviético, como os de Sergei Eisenstein, também recorreram à figura satírica do burguês, como em “A greve” (1925), uma maneira eficiente de ressaltar os aspectos ridículos da aristocracia derrotada pela Revolução Russa. No entanto, apesar de termos alguns exemplos de humor político no cinema, pode-se dizer que o cinema militante, de maneira geral, pouco se apropriou desta ferramenta até os anos setenta. Na América Latina, em especial, temos alguns exemplos, como sátiras de figuras políticas em filmes de Glauber Rocha, como “Terra em transe” (1967), ou a crítica à burocratização do estado na comédia cubana “A morte de um burocrata”, de Tomás Gutierrez Alea. No entanto, a comédia política é escassa comparada às outras linguagens e gêneros mais utilizados pelo cinema militante, como o documentário e o drama.
O Grupo Cine de la Base, que tinha como principais integrantes os cineasta Raymundo Gleyzer, Nerio Barberis, Jorge Denti e Alvaro Melián, reconhecia a potência do humor nos filmes políticos. Em entrevista realizada em setembro de 1974 , seus integrantes observam a carência de humor nos filmes políticos latino-americanos e apontam para a importância deste recurso. O grupo, braço cinematográfico do Partido Revolucionario de los Trabajadores – Ejército Revolucionario del Pueblo (PRT-ERP), de tendência marxista, surge em 1973 com a intenção de usar o cinema como arma política de contra-informação e ferramenta de mobilização da classe trabalhadora. Apesar de priorizarem a linguagem documental nos filmes, o grupo fez algumas experimentações mesclando denúncia e sátira social nos filmes “Los traidores” (1973) e no curta-metragem “Me matan si no trabajo y si trabajan me matan” (1974), recursos fílmicos de humor político que ridicularizam a figura do burguês. Nestes dois filmes, há trechos que utilizam alegorias da burguesia e/ou autoridades sindicais e governamentais, tornando risível sua atuação política. Em ambos os casos, os trechos estabelecem uma ruptura na estrutura narrativa do filme, causando distanciamento entre o espectador e o filme. No documentário “Me matan si no trabajo y si trabajo me matan (1974)”, a sátira se dá por meio de uma animação didática, que ilustra o conceito de mais-valia a partir de uma caricatura do burguês (dono da fábrica) e dos operários. Já, na ficção “Los traidores” (1973), há uma sequências onírica-satírica, em que um sonho do personagem principal traz à tona, de maneira burlesca, representações caricaturais do então presidente da Argentina e do dirigente sindical da Confederación General de los Trabajadores (CGT), expondo ao ridículo seus discursos, por meio da sátira e da paródia.
Ambos os filmes abordam a luta da classe trabalhadora a partir de diferentes enfoques. “Los traidores” (1973) denuncia a burocratização sindical peronista e “Me matan si no trabajo y si trabajo me matan” (1974) aborda a luta direta dos operários da fábrica Insud por direitos e por melhores condições de trabalho. Os trechos que se utilizam de ferramentas cômicas são maneiras de expor o opressor ao ridículo e deslegitimá-lo socialmente, provocando o que Georges Minois (2003, p.471) chama de “riso de dessacralização”, este que desmistifica os poderes instituídos. Assim, podemos dizer que estas sequências que se utilizam do humor político também cumprem uma função pedagógica nos filmes militantes, pois encenam o absurdo das relações de poder no sistema capitalista e estimulam o riso de contestação, o “riso partidário” que “caçoa do adversário político e social” (MINOIS, p. 471) e estimula o riso de “coesão social”, estabelecendo solidariedade e identidade de classe.
Bibliografia
- BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012.
BAKHTIN, Mikhail Mikhailovich. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
MESTMAN, Mariano. Mundo del trabajo, representación gremial e identidad obrera en Los traidores (1973). Nuevo Mundo, Mundos Nuevos. Paris, Dezembro de 2008.
MINOIS, Georges. História do riso e do escárnio. Tradução Maria Elena O. Ortiz. Assumpção. São Paulo: Editora UNESP, 2003.
PEÑA Fernando Martin e VALLINA, Carlos. El Cine Quema: Raymundo Gleyzer. Buenos Aires, Ediciones de la Flor, 2000.
PIEDRAS, Pablo. Los traidores, de Raymundo Gleyzer. Estilos y estrategias de actuación en el cine político. En: Revista Afuera, n.4, mayo 2008.
RUSSO, Pablo Mariano. Representaciones de los trabajadores y sus conflictos en el cine argentino: Los traidores de Raymundo Gleyzer, Revista electrónica Questión (UNLP), número 19, 2008.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
