Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Daniela Giovana Siqueira (ECA/USP)
Minicurrículo
- Doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais (ECA/USP); professora com passagem pela graduação em Cinema da PUC Minas e do Centro Universitário UNA e pela pós-graduação da Fesp-SP, Universidade de Brasília e SESC. Coordenadora entre 2003 e 2009 do Projeto Cine-Pop: cineclubismo e produção audiovisual com pessoas em trajetória de vida nas ruas de Belo Horizonte. Coordenadora responsável pelo acervo fílmico e audiovisual do Centro de Referência Audiovisual de Belo Horizonte entre 2000 e 2009.
Ficha do Trabalho
Título
- Da tela à câmera: educação do olhar, subjetivação e política
Seminário
- Cinema e educação
Resumo
- Esta proposta parte da análise da vivência de duas práticas cinematográficas: cineclubismo e crítica cinematográfica que amalgamaram jovens das décadas de 1950 a 1970, na cidade de Belo Horizonte, resultando nas primeiras experiências de realização cinematográfica de uma geração. Acreditamos que este exemplo nos permite pensar a presença do cinema na sociedade como prática educadora de um olhar político e estético para a vida, conformadora de uma cena que enuncia a subjetivação do sujeito.
Resumo expandido
- Esta proposta se dedica a apresentar um intricado processo, constituído pela prática cineclubista e pelo desenvolvimento de uma crítica cinematográfica altamente especializada entre as décadas de 1950 e 1970 na cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, para refletir sobre as relações entre educação audiovisual e produção cinematográfica.
O foco de análise se concentra em cinco cineastas e seus primeiros longas-metragens. São eles: Maurício Gomes Leite com A Vida Provisória (1968); Carlos Alberto Prates Correia com Crioulo Doido (1970); Geraldo Veloso com Perdidos e Malditos (1970); Sylvio Lanna com Sagrada Família (1970) e Schubert Magalhães com O Homem do Corpo Fechado (1972).
Os diretores integraram durante anos o Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC), fundado em 1951, pelo crítico Cyro Siqueira. As sessões de sábado seguiam um ritual sagrado: apresentação do filme, exibição e debate entre os críticos, sócios e espectadores. Discussões que continuavam noite adentro pelos bares do Edifício Maletta, reduto da boemia de esquerda, no centro da capital.
Para Maurício Gomes Leite (1979, s.p apud Ribeiro, 1997, p. 44) “o CEC era a busca ‘do outro’ e ele estava talvez menos na tela do que nas panorâmicas que fazíamos em volta de nós mesmos, numa espécie de desafio e competição que acabaram dando numa ação coletiva extremamente original”.
Eles também tiveram fortes ligações com a crítica cinematográfica veiculada na cidade de Belo Horizonte no período. Para o influente crítico Paulo Emílio Salles Gomes em texto de 29 de junho de 1961 no Suplemento Literário de O Estado de S. Paulo: “O Brasil só possui duas publicações cinematográficas periódicas dotadas de ambição intelectual, e ambas são editadas em Belo Horizonte, a Revista de Cinema e a Revista de Cultura Cinematográfica”. (GOMES, 1981, vol.2, p. 353-354).
Em meados dos anos 60, instaura-se uma polêmica geracional dentro do cineclube do CEC, sobre a necessidade ou não de se realizar filmes. De um lado, o grupo dos fundadores capitaneados por Cyro Siqueira, árduos defensores do rigor da crítica. De outro, uma segunda geração de cequianos, cada vez mais excitados pelo desejo de produção.
Sobre esse debate torna-se flagrante o depoimento de Geraldo Veloso (2001, p. 185) que afirma “Pertenço a uma geração que começou, no CEC, um discurso que manifestava a intenção de realização de filmes. Os textos dos substitutos eventuais de Cyro Siqueira no Estado de Minas, sobretudo Maurício Gomes Leite e Flávio Pinto Vieira, nos chamavam a atenção para um universo de produção de cinema que começava a incendiar o exercício crítico e de realização no mundo inteiro: a Nouvelle Vague francesa. (…) Mas havia um prevalecimento do pensamento e do criticismo escrito. A reflexão sobre o cinema tinha a prioridade sobre o fazer filmes”.
Esta proposta é guiada pela busca de entendimento de um conceito teórico central, denominado cena de dissenso, postulado por Jacques Rancière. Para o autor, nas trocas políticas dadas em sociedade é preciso que se estabeleça uma cena de dissenso que permita uma redescrição e reconfiguração do mundo comum da experiência. Dentro desta perspectiva, para Rancière (2012, p. 48), “dissenso quer dizer uma organização do sensível na qual não há realidade oculta sob as aparências, nem regime único de apresentação e interpretação do dado que imponha a todos a sua evidência”. Segundo Rancière (2010), essa cena só pode ser constituída por sujeitos políticos, operadores de dispositivos particulares de subjetivação, que constroem cenas de enunciação e de manifestação.
Filmar o primeiro longa-metragem, operando com isso dispositivos particulares de subjetivação, como nos aponta Rancière, conforma a partir do conjunto da experiência apresentada, cenas de enunciação e manifestação de um dissenso passível de ser investigado naquele conjunto histórico e, no presente, pensar as relações entre educação do olhar e prática audiovisual em nossa atual sociedade.
Bibliografia
- GOMES, Paulo Emílio Salles. Crítica de Cinema no Suplemento Literário. Volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
LEITE, Maurício Gomes. “A vida provisória ou a crítica filmada”. Jornal de Brasília, Brasília, s.n, 14 de agosto de 1975.
MIRANDA, Marcelo e CICCARINI, Rafael. (org.). Revista de Cinema: antologia, volumes 1 e 2. Rio de Janeiro: Azougue, 2014.
RANCIÈRE, Jacques. “Ten Theses on Politics”, Theory & Event, v.5, n.3, 2001.
_________________. Política, policía, democracia. Santiago: LOM Ediciones, 2006.
VELOSO, Geraldo. “CEC e cinema brasileiro. In: COUTINHO, Mário Alves, GOMES, Paulo Augusto (org.). Presença do CEC – 50 anos de cinema em Belo Horizonte. Belo Horizonte: Crisálida, 2001, p. 183-197.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
