Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Nizia Villaça (UFRJ)

Minicurrículo

    Professora Titular Emérita da Escola de Comunicação/UFRJ; pós-doutorado em Antropologia Cultural, Paris V, Sorbonne; pesquisadora do CNPq; coordenadora do Grupo ETHOS: Comunicação, Comportamento e Estratégias Corporais; autora e organizadora entre outros, dos seguintes livros: Em nome do corpo. 2 ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2014; A edição do corpo: tecnociência, artes e moda. 2 ed. São Paulo: Estação das Letras e Cores, 2011.

Ficha do Trabalho

Título

    OLHARES SOBRE A DIVERSIDADE PERIFÉRICA

Resumo

    O texto pretende focar a temática da periferia pop tão em voga na Idade midiática por meio de rápida análise de características exemplares presentes no filme “Sonhos roubados”, de Sandra Werneck.
    Grande parte dos relatos da mídia contemporânea sob a influência do imaginário do capitalismo flexível não apresenta um grau de processualidade que permita refletir sobre as interações entre a sociedade e as instituições estatais e/ou privadas que se dedicam a estas áreas.

Resumo expandido

    Diante do esfacelamento da realidade é comum ver a mídia produzir uma espécie de curadoria da cidade, conjugando a narrativa do Rio Maravilha, Rio do turismo e da moda e o Rio violento e marginal. Neste contexto é interessante apontar o aumento da variedade narrativa sobrre a cidade que vai encontrar na periferia protagonistas para uma infindável repaginação. Nesta dinâmica surge tanto a voz das comunidades, quanto a da indústria cultural.
    Carlos Diegues, promotor de “5 X Favela”, filme que vem agora dirigido por cinco habitantes da periferia fala da nova linguagem audiovisual do “cinema de retomada” sobre a periferia: “agora temos um ponto de vista diferente. Um ponto de vista de dentro está levando “5 X Favela” – agora por nós mesmos”. Este novo olhar sobre as favelas é uma constante onde a reurbanização substitui a erradicação e a exposição de abril deste ano no Museu da Casa Brasileira, “Cidades Informais do Século 21”, dá pistas sobre esta mudança.
    A superficialidade dos relatos da mídia parece sugerir o sucesso definitivo das periferias assediadas por diretores de filmes, artistas e turistas. O êxito está presente na manchete “Favelas viram as grandes estrelas”, mostrando que as favelas andam mesmo em alta na indústria cultural made in Rio. Por ocasião do carnaval na Marquês de Sapucaí as Escolas de Samba Portela, Unidos de Vila Isabel e Estação Primeira de Mangueira trouxeram carros alegóricos com representações bem particulares dos morros cariocas. Na Azul e Branco de Madureira, a favela simboliza com o carro “Conquistando a liberdade”, a inclusão digital como forma de contribuir para a paz no Rio. Também as UPPs são apontadas no enredo como solução para a cidade.

    Imagens periféricas
    O cinema hoje abdica em parte do fardo sociológico que carregava no cinema novo preocupando-se mais em captar o estilo pessoal dos atores sociais. Um bom exemplo é o filme “Sonhos roubados”, de Sandra Werneck, em que três amigas vivem o dia-a-dia da favela construindo seus destinos no cruzamento das relações familiares, amorosas e de trabalho. Tudo fazem pelo consumo e pelo “estilo” numa série de escolhas que nos faz pensar em Gilles Lipovetsky e seu O império do efêmero quando fala dos processos de personificação construídos incessantemente. As meninas e seus corpos oscilam numa constelação de valores e escolhas que parecem se equilibrar e equivaler num clima de deriva que, ao final do filme, parece resultar em liberdade prazerosa. São sequências que se sucedem ou se alternam num ritmo que exemplifica o capitalismo flexível a que se refere Sennett. Transar ou não transar, pintar o cabelo ou não, escolher este ou aquele objeto, procurar o pai, fazer festa de quinze anos, ajudar o avô, namorar presidiário etc, etc. Um exemplo perfeito da deriva a que se refere Sennett ao descrever o capitalismo flexível.
    Nossa hipótese é que a mídia no afã de criar novos olhares sobre a periferia continua alternando a demonização deste mundo com a crescente implementação de ficções românticas que se inclinam em variadas direções. No cinema, valores como liberdade de opções, estratégias de resistência e comportamentos estilosos na modelagem sex and the city são exemplos. Discutimos a real possibilidade de intervenção e recriação dos sentidos pelos atores sociais da periferia, as possíveis manipulações da indústria cultural. Grande parte dos relatos da mídia contemporânea não apresenta um grau de processualidade que permita refletir sobre as interações entre a comunidade e as instituições estatais e/ou privadas que se dedicam à criação da sustentabilidade destas áreas que na cidade começam a ser ocupadas/pacificadas pelas UPPs.
    Nosso propósito é tentar refletir como a periferia afirma, negocia ou recusa a imagem disseminada pela mídia, o que está sendo realizado em contatos não sistemáticos com algumas comunidades.

Bibliografia

    BOLLON, Patrice. A moral da máscara. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.

    BOURDIEU, P. Distinction: a social critique of the judment of taste. Cambridge: Harvard University Press, 1984.

    CALVINO, Ítalo. Cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

    CANEVACCI, Massimo. Culturas eXtremas: mutações juvenis nos corpos das metrópoles; tradução Alba Olmi. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.

    DAVIS, Mike. Planeta favela; tradução Beatriz Medina. São Paulo: Boitempo, 2006.

    IANNI, Octavio. A era do globalismo, 2 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996.

    LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas; tradução Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

    SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo; tradução Marcos Santarrita, 13 ed. Rio de Janeiro: Record, 2008.

    SODRÉ, Muniz. As estratégias sensíveis: afeto, mídia e política. Petrópolis, RJ.: Vozes, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).