Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marcos Pierry (UFMG)

Minicurrículo

    Professor de cinema, jornalista, crítico e curador. Doutorando pela Escola de Belas Artes da UFMG, mestre pela ECA/USP, graduado em jornalismo pela UFBA. Lecionou na PUC Minas e FTC Bahia. Atuou na TV pública (Rede Minas, TVE Bahia). Escreveu para Estadão, Folha SP, A Tarde, Gazeta Mercantil, Tribuna da Bahia, Bravo, Manchete e Reuters. Co-autor de A Cana e o Fusca (Goethe Institut, 2009) e A Vida Com TV (Senac-SP, 2003) e co-organizador de Escritos de Cinema (Azougue, 2010), de André Setaro.

Ficha do Trabalho

Título

    A Mulher de Todos – Canção e Invenção

Resumo

    A Mulher de Todos (1969), segundo longa-metragem de Rogério Sganzerla (1946-2004), ao retrabalhar elementos do cinema clássico e do filme experimental, apresenta uma banda sonora plurissemântica e metalinguística que adensa seu potencial expressivo. Como se articula a canção popular extradiegética – de Noel Rosa, Ray Charles etc. – com diálogos, offs radiofônicos, ruídos e performances de canto improvisado para narrar a saga de uma mulher casada irreverente e insaciável?

Resumo expandido

    Lançado em 1969, A Mulher de Todos, segundo longa-metragem do diretor Rogério Sganzerla (1946-2004), narra as peripécias de Ângela Carne e Osso, personagem voraz, irrequieta e insaciável, uma sedutora-em-série, interpretada por Helena Ignez. Os sons e imagens do filme transcendem o plot esquemático da sinopse divulgada à época do lançamento – mulher fatal, “ninfômana”, coleciona casos extraconjugais, sendo ao fim punida pelo marido rico (Jô Soares) – permite promissoras leituras de segundo nível que mostram a transgressão aplicada de Sganzerla, focada em registrar arquétipos de personagens e estilos sob um manejo e impulso de pegada antropofágica.
    A articulação autoral do diretor – posta em marcha dentro do que se entende por estética do cinema marginal – retrabalha elementos do cinema clássico e do cinema experimental, transformando-os por meio de uma renovação originada de sua combinação – por vezes, choque – do elemento estrangeiro (o rock, o soul e matrizes diversas do cinema) com emblemas da cultura brasileira – notadamente, a música, a paisagem natural e certo pathos comportamental pequeno-burguês. Nos letreiros do filme, os créditos da seleção musical são atribuídos à cineasta Ana Carolina. No portal cinemateca.gov.br, acrescentam-se os nomes do diretor do filme (“trilha sonora”) e de Julio Perez Caballar (“direção de som”).
    A expansão plurissemântica e metalingüística, em muito ativada pela presença de canções populares brasileiras e norte-americanas (Ray Charles, Elvis Presley, Noel Rosa, Gal Costa, Jorge Ben, Caetano Veloso) exercita-se na paródia com que as ações em quadro procuram mostrar o idílio da personagem de Helena Ignez e os coadjuvantes do enredo. Sganzerla abre-se com vigor à possibilidade de construção do sentido audiovisual nas sequências de A Mulher de Todos ao lançar mão, com extrema liberdade (no limite, transgressão), de recursos variados que tradicionalmente, em filmes de narrativa clássica, costumam vestir a banda sonora de realidade para a garantia da verossimilhança. Assim, foleys e hard-effects surgem com e sem sincronia; os sons ambientes, por vezes deslocados; grunhidos e ruídos soam caricatos e igualmente fora do tempo; anacolutos tornam ainda mais irônicos os diálogos e as breves, porém marcantes, performances vocais improvisadas por Helena Ignez.
    Em específico, o uso das canções na mecânica narrativa é múltiplo, ambivalente – desorganizado, por assim dizer, em sua superfície, de modo a corroborar o aspecto geral sujo e ruidoso do regime de imagens do filme (em que pese a plástica de fotogenia assumida nos closes e planos aproximados com Ângela Carne e Osso em tela). Lega, porém, camadas precisas de aproximação e distanciamento com níveis distintos de narratividade – a transparência da linguagem clássica; gêneros e intertextualidade; o comentário – e mesmo outros padrões do cardápio midiático, a exemplo do rádio, o jornalismo impresso e o universo das HQ’s
    Combinado a offs radiofônicos sensacionalistas e diálogos irônicos, a canção popular intervém com precisão no filme e requer apostas de análise que procurem dar conta de sua potência expressiva, algo mal explorado pelos estudos mesmo no cultuado e mais conhecido primeiro longa do diretor, O Bandido da Luz Vermelha (1968). O contraponto, teorizado pela vanguarda soviética nos anos 1920 (Eisenstein, Pudovkin e Alexandrov), o valor acrescentado e a síncrese (Michel Chion) são alguns dos conceitos a serem utilizados em uma possível decantação analítica de A Mulher de Todos.

Bibliografia

    BOUILLET, Rodrigo (Org.). O Som no Cinema (catálogo da mostra). Rio de Janeiro: Caixa Cultural/Associação Cultural Tela Brasilis, 2008.
    CANUTO, Roberta (Org). Encontros – Rogério Sganzerla. Rio de Janeiro: Azougue, 2007.
    CHION, Michel. A Audiovisão. Lisboa: Texto e Grafia, 2011.
    BRANCO, Lucio (Org.). A Luz e o Cinema de Rogério Sganzerla (catálogo da mostra). Rio de Janeiro: Caixa Cultural, 2011.
    KALINAK, Kathryn. Film Music – A Very Short Introduction. Nova York/EUA: Oxford University Press, 2010.
    RAMOS, Fernão Pessoa. Teoria Contemporânea do Cinema – Volume II (São Paulo: Editora SENAC SP, 2005. Org. Fernão Ramos).
    SGANZERLA, Rogério. Por um Cinema sem Limites. Rio de Janeiro: Azougue Editorial, 2001.
    ___________. Edifício Rogério – Ensaios Críticos 1 e 2 (2 vol.). São Paulo/Florianópolis: Itaú Cultural/Editora da UFSC, 2010.
    XAVIER, Ismail (Org.). A Experiência do Cinema. Rio de Janeiro: Graal/Embrafilme, 1991.
    ____________. Cinema Brasileiro Moderno. São Paulo: Paz e Terra, 2001

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).