Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Álvaro Renan José de Brito Alves (UFPE)
Minicurrículo
- Bacharelado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal de Pernambuco, atualmente é mestrando no curso de Pós-Graduação em Comunicação Social, também na UFPE.
Ficha do Trabalho
Título
- Cartografias da memória: Chris Marker e W.G. Sebald
Resumo
- Partindo da noção de cartografia da memória, proposta por Chris Marker, o presente ensaio esboça caminhos possíveis para entrada e leitura de sua obra e da obra do escritor alemão W.G. Sebald. Pretende-se levantar questões de como os autores manejam conceitos de memória e história não como grandes narrativas, tais como a história oficial, mas como mapas de fronteiras cambiantes construídos na errância e no deslocamento de seus personagens. Enfatiza-se também o trabalho com imagem, som e palavra.
Resumo expandido
- No encarte da edição original em inglês de Immemory (1997), uma compilação de imagens reunidas num CD-ROM e comentadas em texto, o bricolleur Chris Marker traz uma noção bastante peculiar de memória. Com frequência, diz o artista, pensamos a memória como um livro de história que conta as vitórias e derrotas de nossas batalhas, a descoberta de impérios e seus descalabros, no qual somos “personagens de uma novela épica” . Para ele, existiria uma forma mais “modesta e talvez mais frutífera” de pensar a memória: a partir de seus fragmentos, tomando-os como termos da geografia. Diz o encarte: “Em cada vida, encontraríamos continentes, ilhas, desertos, pântanos, territórios superpovoados e terrae ignitae”. A aventura ensejada a cada um que empreendesse um tal resgate dos fragmentos de memória que flutuam no oceano do esquecimento assemelhar-se-ia a uma busca enredada por descaminhos, desencontros e extravios, cujo traçado sinuoso resultaria num verdadeiro mapa do tesouro.
A presente pesquisa retoma tal concepção – a ideia de uma cartografia da memória – para pensar as possibilidades conceituais que dela emergem nas obras aqui estudadas. Como Marker traça, por exemplo, uma memória histórica, política e afetiva em Sans soleil (1983), ou seja, de que forma a utilização de registros heterogêneos, de lugares, países e paisagens diferentes, justapostos um ao outro, serve para compor um certo discurso histórico, forjar possíveis associações, encontrar conexões invisíveis e, ao fim e ao cabo, definir possíveis mapas de uma memória? Façamos pergunta semelhante à obra de W.G. Sebald, Austerlitz (2001), na qual o protagonista homônimo deambula de cidade a outra numa busca atordoante por um passado que não cessa de escapar. Admitimos aqui, portanto, o espaço como um lugar de memória bem como a memória como um espaço composto de acidentes geográficos, faixas de terra e oceanos desconhecidos – mas além de tudo, um espaço que se constitui a partir da fabulação, do ato de narrar, de refletir e colecionar experiências.
Trazemos também a noção de ficção da memória, proposto por Jacques Rancière, para intuir o esforço memoralístico que as obras aqui investigadas tentam erguer sobre a dupla condição imanente a que se submetem aqueles que morreram anônimos, a saber, a do esquecimento e a dos discursos historiográficos que sobre eles e na falta de suas vozes, de suas palavras, forja uma história estranha e infiel. Os dispositivos lançados por cada um dos autores aqui investigados lançam mão de estratégias diversas, ora são diários pessoais, íntimos, de uma adaptação em terra estrangeira, ora são relatos de viagem, resgate de histórias de povos africanos, japoneses, com breves intuições do sentido da História, ora é um romance que conta a história de um judeu, refugiado de sua cidade natal ainda criança, por motivos de dominação nazista. Todas essas obras, com suas peculiaridades, tentam erguer um monumento de uma memória na iminência do desaparecimento.
Bibliografia
- BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito de história em Magia e Técnica, Arte e Política. Traduzido do alemão por Sergio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 2011.
DE CERTEAU, Michel. História e Psicanálise: Entre Ciência e Ficção. Tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.
DIDI-HUBERMAN, Georges. A imagem sobrevivente: história da arte e tempo dos fantasmas segundo Aby Warburg. Traduzido do francês por Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Contraponto Editora, 2013.
GAGNEBIN, Jeanne Marie. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2009.
GERVAISEAU, Henri Arraes. O Abrigo do Tempo: Abordagens cinematográficas da passagem do tempo. São Paulo: Alameda, 2012.
RANCIÈRE, Jacques. A ficção da memória in Arte & Ensaios Revista do PPGAV/EBA/UFRJ n.21 Dezembro 2010, Rio de Janeiro.
SEBALD, W.G. Austerlitz. Tradução de José Marcos Macedo. São Paulo: Cia das Letras, 2008.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
