Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Wagner Perez Morales Junior (ED 267)

Minicurrículo

    Wagner Morales é artista visual, pesquisador e documentarista. Possui mestrado em Comunicação Social na ECA-USP (com orientação professor Rubens Machado Jr.). Atualmente, é doutorando da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 no departamento de Arts & Medias (com orientação do professor Philippe Dubois) e co-dirige o espaço de arte independente La Maudite, em Paris.

Ficha do Trabalho

Título

    Imagens amadoras de guerras e conflitos – usos na arte contemporânea

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Através da análise da produção de artistas como Coco Fusco, Rabih Mroué, Thomas Hirschhorn, Clarisse Hahn entre outros, pretende-se traçar como as imagens amadoras de guerras e conflitos passam a ser matéria-prima em uma certa produção visual da arte contemporânea e analisar como o estatuto dessas imagens muda, principalmente após os ataques de 11 de setembro de 2001, em New York.

Resumo expandido

    Neste momento, quando há tantos conflitos armados em curso que nem conseguimos enumerá-los, circulam pela rede horas e horas de imagens mostrando combates, tropas avançando, rebeldes atirando, cidades destruídas, destroços de explosões, corpos desfigurados, cadáveres. É um material bruto disponível para quem quiser ver; os tais rushes, como dizemos no jargão cinematográfico. São registros de guerra, representações do conflito, documentos da violência.
    Nessa oferta visual, há uma mudança de estatuto da imagem de guerra. Se antes elas eram produzidas por órgãos oficiais e governamentais ou equipes especializadas, hoje elas são fruto do trabalho amador. Desde o início do século XX, tínhamos um registro visual daquilo que se passava nos campos de batalha e em locais de conflito através das “atualidades cinematográficas” originadas pelo trabalho de cineastas credenciados. A partir dos anos 1990, com a popularização das câmeras de vídeos e do formato mini-DV, consolida-se uma outra economia de imagens, a do videografista amador. Testemunhas, passantes, soldados, agentes de segurança, policiais, enfermeiros. São essas pessoas que, munidas de câmeras não profissionais, registram as guerras e os conflitos atuais. São elas que distribuem e difundem, gratuitamente ou não, nas redes digitais e nos canais de televisão, tais imagens. Do estatuto de coisa rara e secreta, estas imagens tornaram-se onipresentes e familiares. Estes registros, em sua ambivalência e desmaterialização são, paradoxalmente, os documentos da guerra contemporânea. Ao mesmo tempo, o estatuto da imagem amadora também ganha novos contornos: de registro caseiro feito por aquele que não tem experiência profissional ao único registro possível dos conflitos armados, já que lá, na zona de tiro, raramente há repórteres dos canas de TV. As imagens amadoras se converteram no único regime visual da destruição terrestre, deixando aos drones, o papel aéreo das imagens oficiais.
    A possibilidade caseira de produção digital de imagens e a sua consequente troca e distribuição através da internet converteram tais imagens em registros errantes, que circulam e se movimentam em várias direções. Registros caracterizados pela baixa resolução, pelo fato de serem captados nos mais diferentes formatos (mov, mpeg, gif) e por diferentes dispositivos (celulares, câmeras fotográficas, câmeras de vídeo amadoras, tablets, etc.). São imagens sem autoria, distribuídas pela rede, imagens que são de todos e de ninguém que, ao circularem, radicalizam o caráter não original do registro, assim como a potencialização ao infinito da sua possibilidade de cópia. São “imagens pobres”, as poor images, como as denomina Hito Steyerl.
    Dentro de um universo amplo de artistas (dentro do qual podemos destacar Pier Paolo Pasolini, Harun Farocki, Jean-Luc Godard, além de outros mais jovens como a americana Coco Fusco, os libaneses Rabih Mroué, Akram Zaatari e Walid Raad, o israelense Omer Fast, a francesa Clarisse Hahn, o suíço Thomas Hirschhorn, entre outros), o presente trabalho pretende, analisar o uso que alguns artistas contemporâneos fazem destas imagens em seus processos criativos.
    A partir de conceitos empregados por Hito Steyerl, Jacques Rancière, Georges-Didi-Huberman e valendo-se do modo pelo qual os artistas de nosso “corpus” de pesquisa reempregam essas imagens, nossa análise visa redimensionar alguns termos correntes na crítica das artes visuais contemporânea tais como “imagens amadoras”, “arte política”, “remploi d’image/found footage” e “arquivo”, além de refletir sobre algumas questões: seria possível ainda falarmos de imagens amadoras de guerra? Não estaríamos, ao invés disso, diante da produção de uma nova categoria de imagens, as “imagens não-oficiais dos conflitos”? É possível pensarmos na oposição entre imagens de conflitos versus imagens conflituosas? Haveria um gesto político do artista quando este decide se valer de tais imagens em seus trabalhos e propostas estéticas?

Bibliografia

    BENJAMIN, Walter. “O autor como produtor” (1934), in Magia e técnica, arte e política, Obras escolhidas, v. 1, org. E trad. Sergio Paulo Rouanet. São Paulo : Brasiliense, 1987.

    COMOLLI, Jean-Louis. Cinéma contre spectacle. Paris: Éditions Verdier, 2009.

    DIDI-HUBERMAN, Georges. Quand les images prennent position. Paris : Les Éditions de Minuit, 2009.

    FUSCO, Coco. A field guide for female interrogators. New York: Seven Stories Press, 2008.

    GODARD, Jean-Luc. Jean-Luc Godard: Documents. Paris: Éditions du Centre Pompidou, 2006.

    HIRSCHHORN, Thomas. “Pourquoi est-il important, aujourd’hui, de montrer et regarder des images de corps humains détruits ?”, in Que peut une image ?. Paris: Éditions Textuel, 2014.

    RANCIÈRE, Jacques. “Les paradoxes de l’art politiue”. In: Le spectateur émancipé. Paris: La Fabrique, 2008.

    STEYERL, Hito. “In defense of the poor image”. In: The wretched of the screen. Berlin: Sternberg Press, 2012.

    SONTAG, Susan. Regarnding de pain of others. New York, 2003.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).