Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Juily Jyotsna Seixas Manghirmalani (UFSCAR)
Minicurrículo
- Formada em Audiovisual pelo Centro Universitário Senac, é mestre em Imagem e Som pelo Programa de Pós Graduação em Imagem e Som (PPGIS) da Universidade Federal de São Carlos. Desde 2014, faz parte do grupo BrIndArc, associação de estudos entre Índia e Brasil. Ministra aulas esporádicas sobre cinema indiano em casas de cultura e universidades. Integrante do Coletivo Lumika desde 2011, trabalha com a produção de obras audiovisuais com a temática de discussão de gênero e diversidade sexual.
Ficha do Trabalho
Título
- As mulheres hindus no cinema de diáspora indiano de Deepa Mehta
Seminário
- Cinema Queer e Feminista
Resumo
- Com os filmes ambientados entre os períodos de 1938 e início dos anos 1990, a “Trilogia dos Elementos” de Deepa Mehta discute os fenômenos pertencentes aos processos de modernização na Índia através da subjetividade feminina. A diretora particulariza, através de três momentos da história da Índia, tensões de gênero em meios a estruturas patriarcais e religiosas advindas do pensamento nacionalista hindu.
Resumo expandido
- A “Trilogia dos Elementos” da diretora Deepa Mehta, foi lançada entre 1996 e 2005 e trabalha de forma alegórica a relação do corpo e gênero feminino com a nação indiana e o hinduísmo.
O primeiro filme, “Fogo e Desejo” (1996), questiona a ideia coletiva de gênero imposta a todas as mulheres indianas e pela qual elas podem ser discriminadas em níveis de normatividade. Ao se passar diegeticamente no começo dos anos 1990, o filme apresenta as possibilidades de articulação do desejo feminino dentro da classe média hindu, em que frequentemente é repreendido ou condenado por normas sociais. Por outro lado, ele apresenta a afiliação e a ligação das protagonistas femininas de forma a reverter estas formas opressivas e recuperar a autonomia de suas sexualidades.
A existência e a união do casal Radha e Sita torna-se uma forma de resistência de gênero a regimes sociais, já que “Fogo e Desejo” não apresenta as protagonistas como lésbicas reprimidas, mas sim sujeitos resultantes da modernidade na Índia em processo de globalização.
Deepa Mehta pontua como a história indiana caracterizou as mulheres como uma massa coletiva, sem poder ou ambições individuais.
O segundo filme, “1947-Earth” (1998), problematiza de forma inovadora a Partilha, através do testemunho de uma visão feminina desse processo de divisão territorial entre a Índia e o Paquistão.
O filme é contado pela perspectiva de Lenny em sua fase adulta, sobre esse momento histórico que ocorreu em sua infância, em relação à culpa e à perda da inocência, dentro de um contexto histórico traumático.
Durante a Partilha, os corpos femininos foram utilizados como prêmios de guerra e conquista entre as comunidades étnicas. Um dos protagonistas masculinos, Dil Navaz, é um mulçumano enraivecido que utiliza a religião como ornamento, junto das forças nacionalistas emergentes, para conseguir o que deseja perante o momento de guerra no país. Com isso, ele acaba por relacionar o corpo de Shanta, a babá hindu de Lenny, como exemplo de prêmio da guerra sectária, ao abduzi-la de forma violenta ao final do filme.
O terceiro filme, “As Margens do Rio Sagrado” (2005), relata a tentativa de resistência de gênero de três mulheres, Chuyia, Kalyani e Shakuntala, que buscam questionar o ciclo imposto pelo hinduísmo à condição de viuvez.
O filme passa-se em 1938, em um mosteiro que é financiado por caridade e prostituição. Madhumati é a idosa viúva que comanda o local e que negocia a prostituição de Kalyani, uma das mais jovens viúvas.
Na primeira parte do filme, o foco se encontra na pequena Chuyia, de 8 anos, ao tornar-se viúva e entrar para o mosteiro. Após conhecer Kalyani, ambas se tornam as personagens condutoras dos conflitos do filme. Kalyani é vista metaforicamente como a flor de lótus, referida como a flor que sobrevive em águas sujas. O corpo da jovem não é apenas marginalizado como o das outras viúvas pela sociedade, mas também pela prostituição. Shakuntala é mais velha e alfabetizada que começa a questionar a sociedade e a religião em que está inserida em relação a vida em que são obrigadas a levar.
Rama Rani Lall (in JAIN, 2007, p. 236) elege três poderes estruturais responsáveis pela situação das viúvas. O primeiro seria o aspecto ideológico religioso. A interpretação feita por religiosos de poder, acaba por implicar juízo de valores em mulheres e viúvas. A segunda seria a hegemonia patriarcal dos donos de terra e pequena nobreza liderada por homens. Esta explora as viúvas que se encontram marginalizadas por instituições sociais para satisfazer seus desejos físicos. Por último, a falta de poder feminino, que sofrem continuamente com o jugo masculino. Elas acreditam que estas são as condições e limitações a quais estão designadas, vividas por gerações, sem qualquer opção ou esperança.
Como uma obra fechada, a “Trilogia dos Elementos” apresenta diversos problemas relacionados à sociedade, à cultura, à religião e ao corpo das mulheres.
Bibliografia
- BHABHA, Homi K. O Local da Cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013.
DESAI, Jigna. Beyond Bollywood: the Cultural Politics of South Asian Diasporic Film. New York/London: Routledge, 2004.
GAYATRI, Spivak Chakravorty. Pode o subalterno falar?. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.
GOPINATH, Gayatri (org.). Impossible Desires – Queer Diasporas and South Asian Public Cultures. Durham e Londres: Duke University Press, 2005.
HALL, Stuart. A Identidade Cultural na Pós-modernidade. Rio de Janeiro, DP&A, 2011.
___________. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG, 2013.
JAIN, Jasbir. Films, Literature and Culture: Deepa Mehta’s Elements Trilogy. Jaipur: Chaman Publications, 2007.
MAJITHIA, Sheetal. Rethinking Postcolonial Melodrama and Affect. Toronto: University of Toronto Press, Modern Drama, Vol. 58, 2005.
SAID, Edward W. Orientalismo – O Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
