Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Ana Lucia Lobato de Azevedo (UFPA)
Minicurrículo
- Professora do Curso de Cinema e Audiovisual e professora colaboradora do Programa de Pós-graduação em Artes da UFPA. Publicou artigos e capítulos de livro sobre cinema, entre os quais “Da exibição dos filmes da Comissão Rondon” (Doc On-line, n. 18), “Líbero Luxardo e a produção de cinejornais no Pará nas décadas de 1940 e 1950”. (Significação, v. 42, n. 44). Coordena o projeto de pesquisa “A produção de cinejornais no Pará nas décadas de 1940, 1950 e 1960”, que conta com apoio do CNPq.
Ficha do Trabalho
Título
- A ESPACIALIDADE EM ÓRFÃOS DO ELDORADO
Resumo
- O objetivo deste trabalho é abordar a espacialidade no longa-metragem Órfãos do Eldorado (2015), dirigido por Guilherme Coelho. A análise se concentrará na forma como o espaço é construído, qual o significado de que se reveste, levando-se em conta suas dimensões visuais e sonoras, bem como a relação espaço/tempo. Será abordada a maneira como a dimensão espacial concorre para compor o perfil do protagonista, para expressar suas vivências e estado interior.
Resumo expandido
- A proposta deste trabalho é abordar a espacialidade no longa-metragem Órfãos do Eldorado (2015), dirigido por Guilherme Coelho. O filme, que enfoca a volta do filho à casa paterna, se passa no estado do Amazonas, em uma pequena cidade ribeirinha, tanto em suas ruas e espaços interiores – sobretudo aqueles da casa da família -, quanto em meio à natureza – entre o rio e a floresta -, em amplos espaços exteriores. A análise se concentrará na forma como a espacialidade é construída, qual o significado de que se reveste, levando-se em conta seus aspectos visuais e sonoros, o partido estilístico do filme, a fotografia, sua paleta de cores, a montagem, bem como a diversidade de sons que compõem a trilha sonora, aspecto este de extrema importância para a dimensão espacial do longa-metragem.
O espaço é, sem dúvida, um aspecto central de uma produção fílmica, levando Henri Agel, em seu livro sobre o espaço cinematográfico, a afirmar, de forma “um tanto categórica”, no entender de Cristian Borges (BORGES, 2007:183), que “um filme é, antes de mais nada, definição de um espaço, inserção de personagens em um cenário natural ou reconstituído em estúdio” (AGEL, apud BORGES, 2007:183). Agel propõe duas categorias espaciais: espaço contraído e dilatado. O espaço contraído se caracteriza pela hostilidade, encerramento, reclusão, enquanto o espaço dilatado pode provocar uma desconstrução libertadora, um respiro, uma abertura (AGEL, apud BORGES, 2007:183-184).
Em Órfãos do Eldorado, o espaço diegético é carregado de conotações afetivas, que reverberam o estado interior do personagem principal, Arminto Cordovil (Daniel Oliveira), suas vivências familiares, sua história de vida, sua constituição como indivíduo em meio àquele ambiente. Todos os lugares, sejam os ambientes privados – a casa da família -, sejam os ambientes naturais – as águas do rio, a praia, a floresta -, estão impregnados de forte tom emocional. Há uma espécie de paralisia no ar, uma sensação de sufocamento que se espraia pelos diversos locais; é como se tudo estivesse em suspensão, o ar se revela pesado, de forma quase tátil.
Levando em conta as categorias propostas por Agel, minha hipótese, a ser desenvolvida no trabalho ora proposto, vai no sentido de considerar o espaço construído pelo filme como, fundamentalmente, da ordem do espaço contraído, forma como são apresentados, na maioria das situações, tanto os ambientes interiores quanto os vastos exteriores, constituindo-se em um dos veículos de expressão das emoções e sentimentos que o protagonista nutre por aquele território cultural e afetivo, com o qual se encontra irremediavelmente enredado. Arminto não vislumbra saída naquele espaço amazônico, mostra-se encurralado, os ecos de suas vivências ressoam por toda parte como uma fatalidade. Esse estado de coisas atravessa ambientes diversos, passa dos interiores aos exteriores, que muitas vezes figuram em planos contíguos, incluídos em uma mesma sequência. Este trabalho buscará entender como isso de dá, como tal atmosfera perpassa diferentes espaços, como opera a montagem em tais situações, bem como a edição de som.
Os espaços são atravessados por temporalidades diversas, aqui e ali vêm à tona as memórias do protagonista, despontam marcas inscritas em seu ser. A dimensão temporal do filme e sua relação com o espaço será abordada recorrendo-se à noção de cronótopo, proposta por Mikhail Bakhtin (1997b), que diz respeito à interligação fundamental entre as categorias espaço e tempo.
Bibliografia
- AGEL, Henri. L’Espace cinématographique. Paris: Jean-Pierre Delarge, 1978.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997b.
__________. Forms of time and of the chronotope in the novel. In: BAKHTIN, M. The dialogic imagination: four essays. Trad. Caryl Emerson, Michael Holquist. Austin: University of Texas Press, [1975] 1988, p. 84 a 258.
BORGES, Cristian. Vers un cinéma en fuite: le puzzle, la mosaïque et le labyrinthe comme clés de composition filmique. Tese de doutorado. Paris: Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3, 2007.
FLÔRES, Virginia Osorio. O cinema: uma arte sonora. São Paulo: Annablume, 2013.
__________. “Identidade e alteridade no cinema: espaços significantes na poética sonora contemporânea”. Significação, São Paulo, v. 42 , n. 44, dez. 2015.
OLIVEIRA, Luiz Carlos. A mise en scène no cinema – do clássico ao cinema do fluxo. Camppoinas (SP): Papirus, 2013.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
