Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- César Takemoto Quitério (FFLCH)
Minicurrículo
- Doutorando pelo Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Minha pesquisa incide sobre objetos culturais do Brasil contemporâneo, mas também sobre cinema de maneira geral. Dissertação de Mestrado: ‘Cidade de Deus em perspectiva’. Escrevo para os blogs ‘chicpop’ (http://www.chicpop.com.br/) e cesarianas (http://cesarianas.wordpress.com/).
Ficha do Trabalho
Título
- Sergio Bianchi e a perversão
Resumo
- A partir de uma cena chave de ‘A causa secreta’ (1994), tentaremos uma aproximação do cinema de Sergio Bianchi, mais especificamente de algumas de suas molduras formais, a partir da categoria psicanalítica da perversão. Trata-se de tentar começar a compreender não apenas um tema pouco explorado pela crítica existente sobre o cineasta, mas a sua (em geral ignorada) pertinência e incisividade na análise de procedimentos e talvez da própria regra de composição de alguns de seus filmes.
Resumo expandido
- Estaria a perversão apenas confinada à proliferação de personagens perversos nos filmes de Bianchi? Ora, um dos traços mais salientes de seus filmes diz respeito a maneira com que sistematicamente o diretor expõe os defeitos, as obscenidades, as deformações e degradações das personagens e seus desejos. Em seus filmes, os de baixo, na escala social, não se apresentam necessariamente melhores do que os de cima, e os substituiriam, ou os abandonariam a si próprios, sem grande diferença, se possível. A hipótese que gostaria de testar é de que esse grande nivelamento por baixo característico de seus longas-metragens, e mais intensamente desde ‘Mato eles?’ (1982), não tem intenção e nem força realista, mas encenam situações tendo em vista o olhar de um Outro, no sentido de trabalhar para frustrar sistematicamente o olhar desse Outro. A maneira como Bianchi monta seus filmes, seus personagens e situações, não visa colocar o outro no lugar do Outro (HYLDGAARD, 2004). Seus personagens são objetos de manipulação e conhecimento, são instrumentos e meios para o que o diretor componha cenas que sistematicamente nivelam por baixo e degradam. Como os bumbuns do concurso, em ‘Cronicamente inviável’ (2000), ou os atores de Zé Maurício, em ‘A causa secreta’ (1994), eles são substituíveis ou simplesmente descartáveis. O mesmo contudo não pode ser dito do público que, este sim, ocupa o lugar do Outro e é chamado a assistir à exposição de degradações encenadas. As ousadias que compõem as múltiplas enunciações e situações funcionam assim como recusas da lei, tanto do bom senso estético e político do público quanto das “leis” do cinema bem feito nacional. É da repulsa, terror e do espicaçar desse Outro de que se alimentam seus filmes.
Até pelo menos ‘Quanto vale ou é por quilo?’ (2005), Bianchi trabalha sistematicamente para fazer ruir os alicerces e pilares da ideia de nação brasileira. Mas esse desmoronamento tem como alvo um público mais ou menos determinado: aquele em que se sedimentou uma ideia rigorosa de nação como uma comunidade imaginada, limitada e soberana, mas também, e aqui especialmente, como uma fraternidade horizontal (ANDERSON, 2006: 6-7). Mais precisamente a parcela desse público que tangencia e intersecciona os consumidores de cultura nacional brasileira, em especial o seu cinema. A hipótese que formularemos pode ser estruturada assim em torno da imagem do espelho distorcido, a de filmes feitos e refeitos para refletir distorcidamente os pressupostos obscenos desse público progressista e (a seus próprios olhos) esclarecido, que nos filmes aparece em geral figurado em uma classe média urbana. Esses pressupostos assumem duas formas fundamentais: a de uma voz e a de um olhar. O olhar se dá como uma espécie de reencenação bastarda do estágio do espelho lacaniano (LACAN, 1966: 93), em que o indivíduo se reconhece mas é repetidamente frustrado em suas aspirações narcísicas: a constituição de qualquer Eu estável – ou identificação não problemática, no plano do aparato cinematográfico – é solapada pela distorção e pela ventriloquia da agência narrativa, inviabilizando, no plano da representação, todas as relações interpessoais entre iguais. A voz materializa-se em grande medida como enunciação obscena, e em vários casos ela o é literalmente, pois se realiza como uma enunciação fora da cena. A voz, sendo mais elementar que o olhar em sua relação com um gozo (“jouissance”) que parece prescindir de um suporte exterior (como uma espécie de autoafeição imediata), direciona, perversamente, o insuportável do plano imagético para o insuportável das enunciações, complementando-o.
Cremos ser produtivo evitar a recusa a priori da perversão como mal absoluto ou condição irremediável, apostando em seu potencial, mesmo que limitado, de iluminar certas dinâmicas sociais brasileiras e de apontar para o seu papel necessário na constituição ou não constituição de um sujeito, ainda a especificar.
Bibliografia
- D’AUREVILLY, Barbey. Du dandysme et de George Brummel. Edição Kindle.
DOLAR, Mladen. “The object voice”. In: SALECL, Renata (ed.). Gaze and voice as love objects.
HYLDGAARD, Kirsten. “The conformity of perversion”. In: The Symptom, n. 5, 2014.
LACAN, Jacques. Écrits. Paris: Seuil, 1966.
______. Le séminaire, livre 7: L’étique de la psycanalyse. Paris: Seuil, 1986.
______. Le séminaire livre 11: Les quatre concept fondamentaux de la psychanalyse. Paris: Seuil, 1973.
RIVIERE, Joan. “Womanliness as a masquerade”. The International Journal of Psychoanalysis (IJPA), v. 10, 1929.
ZIZEK, Slavoj. The Paralax View. Cambridge (MA)/ Londres: The MIT Press, 2006.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
