Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Patricia Furtado Mendes Machado (UFRJ)

Minicurrículo

    Doutora em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ, com passagem (doutorado sanduíche) pela Université Sorbonne Nouvelle Paris III. Mestre em Comunicação pela PUC-RJ. Pesquisa assuntos relativos ao documentário, memória, história, imagens de arquivo e ditadura militar. Publicou artigos e capítulos de livros sobre os temas.

Ficha do Trabalho

Título

    Eduardo Coutinho, os camponeses e os rastros de histórias esquecidas.

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    Propomos uma análise estética e histórica das imagens realizadas por Eduardo Coutinho em 1962 e retomada em Cabra Marcado para Morrer (1984). Analisaremos a tomada, o que se produz da relação entre o cineasta e os camponeses, assim como o que se produz desse gestos: inscrições na película de gestos, expressões e olhares de quem foi filmado. Cruzaremos os arquivos visuais a documentos da polícia política a fim de reescrever histórias de homens e mulheres comuns que foram sufocadas pela ditadura.

Resumo expandido

    Quando escreve sobre o reencontro do cineasta Eduardo Coutinho com os camponeses em Cabra Marcado para Morrer (1984), Consuelo Lins chama atenção para o fato de que é “a luz do cinema que recupera fragmentos dessas existências que estavam destinadas a não deixar rastro, a desaparecer” (2004, p.32). A partir dessa observação, propomos pensar em possibilidades que tem o cinema de tirar existências do esquecimento, de iluminar histórias de homens e mulheres anônimos e, de outro, na função do pesquisador de buscar os rastros que eles deixaram. Assim, encaramos o desafio de dar continuidade a um compromisso com a história recente do país, levando em conta que a preservação da memória sobre as décadas autoritárias da ditadura militar ainda é uma tarefa atual.
    Partimos do mesmo pressuposto de Georges Didi-Huberman quando ele sugere que a responsabilidade política do historiador da arte (do filósofo, do artista) é a de recuperar a história, os rostos, os nomes, os destinos e as intenções dos corpos que se colocam diante e atrás das câmeras. Como bem coloca Didi-Huberman, “as imagens reclamam uma descrição, uma construção discursiva, uma restituição de sentido”. (2012, p.18). Para tanto, é preciso “reconhecê-las, criticá-las, tentar conhecê-las tão precisamente quanto possível”. (2012, p. 21).
    A partir desse pressuposto, a nossa hipótese é a de que o cinema é capaz de acrescentar camadas à disputa de memória de tempos sombrios ao retomar imagens esquecidas, clandestinas, perdidas e criar com elas novas narrativas. Recuperando essas imagens, os filmes convocam o pesquisador a portar sobre elas um novo olhar. A tarefa política da pesquisa, portanto, seria investigar os detalhes desses vestígios do passado, reconhecer os rostos filmados, analisar os traços da tomada e da retomada e buscar os fios que possam cruzá-los a outros documentos para dar visibilidade a histórias de pessoas comuns desaparecidas, assassinadas, perseguidas pelo autoritarismo.
    Foi em 1962 que Coutinho segurou uma câmera e filmou pela primeira e única vez em sua vida. Sem saber manejar o equipamento, registra na Paraíba o protesto contra a morte de um líder camponês. Por conta do golpe militar, dois anos depois, o material foi escondido e só retomado em 1984. Quando nos voltamos para o processo da filmagem nesse dia, nos deparamos com as dificuldades que o cineasta encontrou para produzir as imagens no momento em que ele mesmo se torna, além do responsável pela existência desses registros, uma testemunha dos acontecimentos. Seguindo o método da historiadora francesa Sylvie Lindeperg, que procura reconquistar a historicidade do momento da tomada na pesquisa sobre imagens da Segunda Guerra Mundial, nossa proposta é pensar sobre a tomada, sobre o olhar que enquadrou o acontecimento histórico e de que modo essas imagens podem ser atualizadas a partir do cruzamento com documentos da Política Política Brasileira.
    Em um plano que dura poucos segundos, Coutinho filma João Alfredo Dias, hoje reconhecido pelo governo brasileiro como um dos 362 mortos e desaparecidos políticos da ditadura. O líder rural foi preso dias após o golpe, teria sido liberado pelo exército e, no mesmo dia, desapareceu. As imagens de Coutinho nos levaram aos arquivos do DOPS de Pernambuco, onde encontramos farta documentação – relatórios secretos, IPMS, e até uma carta escrita de próprio punho- que trazem parte dessa história sombria à visibilidade. O que revelam esses documentos em cruzamento com esses arquivos visuais?
    Coutinho não sabia, mas estava, através do cinema, produzindo imagens que poderiam (e ainda podem) ser usadas para incluir novas camadas de sentidos à trajetória de João Alfredo Dias. Diante da câmera, o líder rural discursou com euforia. O que as imagens qdesse dia mostram do homem que a ditadura queria invisível, morto, apagado? Como a análise estética e histórica desse material de arquivo contribuem para a elaboração da memória de uma período ainda obscuro da nossa história?

Bibliografia

    AVELLAR, José Carlos. O Vazio do Quintal. IN: Eduardo Coutinho, Milton Ohata (org). São Paulo: Cosac Naify, 2013.
    COMOLLI, Jean Louis. Les temps des fantômes. IN: LINDEPERG, Sylvie. La voie des imagens: quatre histoires de tournage au printemps-été 1944. Paris: Editions Verdier, 2013
    COUTINHO, Eduardo. O real sem aspas. In: Eduardo Coutinho, Felipe Bragança (org.). Rio de Janeiro, Beco do Azougue, 2008.
    DIDI-HUBERMAN, George. Peuples Exposés, peuple figurants. L’oie de l’histoire, 4. Les Editions de Minuits, 2012.
    LINDEPERG, Sylvie. La voie des imagens: quatre histoires de tournage au printemps-été 1944. Paris: Editions Verdier, 2013
    ________________. Nuit et Brouillard- un film dan l´histoire. Odile Jacob, Janvier 2007.
    LINS, Consuelo. O documentário de Eduardo Coutinho: televisão, cinema e vídeo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).