Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriela Machado Ramos de Almeida (ULBRA)

Minicurrículo

    Gabriela Machado Ramos de Almeida é doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS, onde desenvolveu pesquisa sobre o ensaísmo no cinema a partir da série História(s) do Cinema, de Jean-Luc Godard. Realizou estágio doutoral na Universidad Autónoma de Barcelona, sob supervisão do professor Josep Maria Català. É professora nos cursos de Jornalismo e Produção Audiovisual da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), onde também é coordenadora adjunta do curso de Jornalismo.

Ficha do Trabalho

Título

    A iconografia do sofrimento na pintura e no cinema: Goya e Godard

Mesa

    Experimentações estéticas: entre cinema, pintura e videoinstalação

Resumo

    Este trabalho se propõe a compreender a apropriação da obra do pintor espanhol Francisco de Goya feita por Jean-Luc Godard na série História(s) do cinema, a partir dos conceitos de legibilidade e visibilidade segundo Georges Didi-Huberman. Parte-se da premissa de que há uma iconografia do sofrimento em Goya que interessa a Godard, convocada especialmente nos momentos da série em que o cineasta questiona a ausência do cinema na representação de catástrofes do século XX.

Resumo expandido

    Na série História(s) do cinema (1988 e 1998), um tema recorrente preocupa Jean-Luc Godard: a impossibilidade das imagens – especialmente do cinema – de representar devidamente determinados acontecimentos do mundo histórico, sobretudo catástrofes do século XX, como o Holocausto.
    Godard se refere algumas vezes na obra à ideia de “mostrar para fazer compreender”. Se o século XX é o século do cinema e “a grande história é a história do cinema, maior do que todas as outras porque ela se projeta” (como afirma o cineasta no episódio 2A), para ele também é imprescindível refletir sobre a ausência do cinema quando ele deveria ter se feito presente. Não é que Godard desconheça tudo o que foi produzido de imagens de catástrofes, mas é justamente por conhecê-las que considera que a existência de uma infinidade de discursos visuais e audiovisuais de diversas naturezas não significa que um episódio como o Holocausto tenha sido devidamente mostrado e, consequentemente, compreendido.
    Didi-Huberman (2010 e 2012) também se interessa pela questão e questiona: como dar legibilidade a imagens de violência que são paralisantes, imagens diante das quais muitas vezes não conseguimos nem mesmo repousar os olhos? Existe, para o autor, uma diferença entre visibilidade e legibilidade – que surge, inclusive, na fala de Godard transcrita acima. Ela corresponderia, numa explicação muito breve, à distinção entre o “mostrar” e o “mostrar para fazer compreender”.
    A partir de uma interpretação do conceito de “epifania negativa” formulado por Susan Sontag (2004), Didi-Huberman afirma que “é preciso olhar duas vezes para elas [as imagens] para extrair uma legibilidade histórica dessa visibilidade tão difícil de sustentar” (2010, p. 19). A noção de legibilidade é tomada emprestada de Benjamin e diz respeito a ler o que nunca foi escrito.
    Assim, se as imagens de catástrofes são capazes de paralisar em sua visibilidade, ao olhar para elas nos dias de hoje nos vemos presos a outro aspecto, que é a sua inerente falta de legibilidade, a dificuldade que temos de compreendê-las como imagens dialéticas.
    Ocorre que Godard, diante deste impasse que se coloca em nível ético e estético, recorre a alguns expedientes. Como apanhado não-historiográfico da história do cinema e, em alguma medida, também da Europa no século XX, a série História(s) do cinema é produzida com sequências de colagens em que são associadas imagens fotográficas e fílmicas (da ficção e do documentário); reproduções de pinturas, desenhos e gravuras; poesias, textos filosóficos e obras literárias; imagens do próprio Godard em sua biblioteca ou sentado diante de sua máquina de escrever, além de um conjunto de sons que inclui ruídos, vozes e músicas.
    Francisco de Goya é o pintor com mais obras expostas em História(s) do cinema (Scemama, 2006). A compreensão do interesse e da retomada de Goya por Godard a partir do instrumental teórico-analítico indicado é o que interessa especificamente ao trabalho.
    Se não há, para o cineasta, uma forma de visibilidade que tenha conferido a legibilidade necessária ao real que brota para além do dizível e do imaginável, como no caso do Holocausto, que contribuição Godard oferece, para além da sua crítica, na representação que ele próprio produz?
    Parte-se da premissa de que há uma iconografia do sofrimento em Goya que interessa a Godard, convocada especialmente nos momentos de História(s) do cinema em que o cineasta questiona o lugar do cinema frente à história. É como se a obra de Goya, especialmente algumas gravuras extraída das séries Caprichos e Desastres da guerra e os quadros Saturno devorando seu filho e 3 de maio de 1808 em Madri compusessem, para Godard, parte de uma iconografia possível para representar o sofrimento do qual ele considera que o cinema não deu conta – e, assim, ajudar a construir para alguns fatos históricos uma outra legibilidade. O trabalho se dedicará especificamente aos trechos da série em que estas obras de Goya aparecem, no episódio 1A.

Bibliografia

    DIDI-HUBERMAN, Georges. Remontages du temps subi – L’oeil de l’histoire, 2. Paris: Minuit, 2010.
    DIDI-HUBERMAN, Georges. Imagens apesar de tudo. Lisboa: KKYM
    DIDI-HUBERMAN, Georges. Diante da imagem – Questão colocada aos fins de uma história da arte. São Paulo: Editora 34, 2013.
    GINZBURG, Carlo. Medo, reverência, terror: quatro ensaios de iconografia política. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.
    HUGHES, Robert. Goya. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
    SCEMAMA, Céline. Histoire(s) du cinéma de Jean-Luc Godard: la force faible d’un art. Paris: L’Harmattan, 2006.
    SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.
    SONTAG, Susan. Sobre a fotografia São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
    TODOROV, Tzvetan. Goya: a sombra das luzes. São Paulo: Companhia das Letras, 2014.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).