Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Patricia Rebello da Silva (UERJ)

Minicurrículo

    Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) desde outubro de 2012. Membro do conselho da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE). Membro do comitê de seleção das mostras competitivas nacional e internacional do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade (ETV). Doutora (2012) e mestre (2005) em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ficha do Trabalho

Título

    Na experiência do limite, o ser, tal qual importa: The Act of Killing

Seminário

    O comum e o cinema

Resumo

    No documentário de Joshua Oppenheimer, “The Act of Killing” (2012), a presença de um estado de coisas subverte e se torna espetáculo de sua própria reflexão crítica. Em cena, confundido a própria história com a história de suas fantasias, personagens de um passado tão recente quanto nebuloso da Indonésia, apontam para o sentido do limiar como experiência do limite, palco de tensões e possíveis dobras sobre o tempo.

Resumo expandido

    “De resto, me é odioso tudo o que simplesmente me instrui, sem aumentar ou imediatamente vivificar a minha atividade”. Assim começa Nietzsche sua “Segunda Consideração Intempestiva”, prevenindo o leitor da lesão no conhecimento: o saber tomado como luxo, supérfluo, desrealizado como parte do contínuo histórico. Precisamos da história para a vida e para a ação, continua Nietzsche, “não para o abandono confortável da vida ou da ação” (p.5). O abandono confortável da vida e da ação permitiram Anwar Congo, antigo torturador da Indonésia, em “The Act of Killing” (2012), esquecer do cheiro do sangue, substituído pela memória do dispositivo por ele inventado para fazer o sangue desaparecer da cena do crime, um fio de arame retorcido. Apagamento de memórias ou criação de novas, numa tentativa de substituir o passado? Ou talvez seja o caso de sequer existirem memórias, e sim incômodos, sentimentos difusos que o tempo não ajuda a resolver. Não se trata mais de indagar qual a memória que se preserva da história, mas sim o que a memória escolhe preservar na história.

    Bem mais que a história de um passado próximo, ainda em aberto e que começa perigosamente a cair no esquecimento das narrativas cujos relatos permanecem esboçados em guardanapos usados, das “repúblicas sem histórias” (RANCIÈRE, 2012), o documentário de Joshua Oppenheimer convoca a cena de um cotidiano fantástico precisamente na riqueza dos fatos. Nos bairros miseráveis da Indonésia, em meio à criança, “que ainda não tem nada a negar de passado e brinca entre os gradis do passado e do futuro em uma bem aventurada cegueira” (NIETZSCHE, 2003), e o adulto, criatura da “narrativa de um desencontro e de uma luta entre a palavra oral e a escrita, entre o mundo do mito e o da literatura” (AGAMBEN, 2015, 174), se abre um presente em forma de fenda, um incomodo profundo de uma realidade habitada por gângsteres e paramilitares, ocupados em encenar suas próprias fantasias.

    “Sei de um local bom para a cena da tortura”, informa Herman Koto, paramilitar que acompanha, fiel como um lobo, o velho torturador ao longo do filme. Em “A comunidade que vem”, Giorgio Agamben, aquele que nos mostra o sentimento possível das palavras, nos fala de uma noção de “fora” que ilumina o aspecto definitivo do documentário, aquele que talvez faça as vezes de sursis para a história que está sendo contada. Em uma noção de fora, escreve, não estaria em questão um limite, “que não conhece exterioridade, mas um limiar (…) um ponto de contato com um espaço externo, que deve permanecer vazio” (p.63). Não mais uma alteridade, mas uma experiência do limite: talvez seja esse um nome provável para o incômodo. Não tão interessado em desvendar uma história do que em tornar visível o incômodo dessa experiência, intempestivos são os fantasmas a assaltar o velho torturador ao longo do documentário. Congo atravessa o filme tentando dar nome para uma certa angústia, que não encontra no espectador perdão, tampouco redenção.

Bibliografia

    AGAMBEN, Giorgio. A comunidade que vem. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013.
    _________________ . A potencia do pensamento: ensaios e conferências. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2015.
    LOPES, Silvina Rodrigues. A estranheza em comum. São Paulo: Lume Editor, 2012.
    NICHOLS, Bill. Irony, Cruelty (and a Wink) in The Act of Killing. In: Film Quarterly, vol. 67, no. 2 (winter, 2013), pp. 25-29, University of California Press.
    NIETZSCHE, Friedrich. Segunda Consideração Intempestiva: Da utilidade e desvantagem da história para a vida. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2003.
    RANCIÉRE, Jacques. A noite dos proletários: arquivos do sonho operário. Lisboa: Antígona, 2012.
    _________________ . Figures de l’histoire. Paris: PUF, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).