Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Marcos César de Paula Soares (USP)

Minicurrículo

    Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Pós-doutorado nos Departamentos de Cinema da Universidade de Yale (2004) e Columbia (2012).

Ficha do Trabalho

Título

    A crítica à mercantilização do dissenso em Stanley Kubrick

Resumo

    Qual foi o papel da contracultura na consolidação de sua própria derrota? Qual foi o processo que fez com que os valores rebeldes dos anos 60 fossem o celeiro da nova cultura corporativa que passou a imperar a partir dos anos 80? Essas são algumas das perguntas que o cineasta Stanley Kubrick faz em filmes como Laranja Mecânica (1971) e o Iluminado (1980). Esta apresentação pretende discutir tais filmes a partir dessa perspectiva.

Resumo expandido

    Em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, lançado após os eventos de maio de 1968, o salto para o futuro delineava uma tese ousada: a passagem dos tempos dos homens das cavernas para o ano 2001 desenha uma trajetória histórica que parece ter passado ao largo das conquistas dos anos 60. A sociedade do futuro imaginada por Kubrick é dominada pelos interesses corporativos, sintetizados na fria voz do computador Hal e nos logos estampados em diversos ambientes; a ação expansionista e intervencionista é que dá ímpeto à “investigação científica”; as ditas “minorias” de gênero e raça permanecem alheias às esferas mais expressivas de poder, dominadas exclusivamente por homens brancos; e a estrutura familiar convencional permanece o único vínculo significativo entre os astronautas e o planeta Terra. Nada mais distante dos sonhos da década em que “tudo ainda era possível”, cuja rebeldia iconoclasta sobrevive nos espaços do filme apenas como estilo, seja nas roupas femininas, seja no design cool e minimalista dos móveis e ambientes. Seria esse, poderiam pensar os espectadores de 1968, o triste destino da revolução de costumes e da crítica estética proposta pelos novos sujeitos históricos aos quais os anos 60 deram visibilidade?
    Kubrick retornaria à questão em 1971, em Laranja Mecânica, cujo protagonista, o jovem Alex, faz parte de uma gangue de jovens cuja rebeldia se vê transformada em violência brutal contra todos, mas principalmente contra aqueles que seriam alguns anos mais tarde as principais vítimas da ascensão do governo Thatcher: os pobres e os militantes e intelectuais de oposição numa Londres que, distante da swinging London que alimentou os sonhos de uma geração de jovens artistas, se encontra degradada em prédios abandonados e pilhas de lixo. Aqui os traços geralmente associados ao estilo dos “sixties” se encontram rebaixados no kitsch insuportável das roupas, decorações e acessórios, que incorporam a estética da contracultura, mas esvaziada de seu sentido anticapitalista. A esse rebaixamento corresponde outro tipo de degradação, visível nas semelhanças evidentes entre a gangue de arruaceiros do filme e os membros dos Freikorps, as organizações paramilitares que se espalharam pela Alemanha derrotada na Primeira Guerra Mundial após 1918, e a juventude hitlerista. Entretanto, a incorporação dos jovens à “normalidade” dos aparelhos estatais de repressão, refletidos na transformação dos companheiros de Alex em policiais e na ascensão de Alex ao posto de figura central do governo conservador no poder, faz do grupo de rebeldes agentes ativos do Estado de exceção que viria a caracterizar as reviravoltas ideológicas da década posterior ao lançamento do filme.
    Em O Iluminado, lançado em 1983, no auge do governo Reagan, o processo de capitulação das conquistas dos anos 60 agem em pelo menos três esferas. A primeira tem a ver com as demandas do movimento feminista e a corresponde indagação do papel nuclear da família, que os grupos mais progressistas queriam questionar. A segunda tem a ver com a quebra do regime convencional das identidades, cuja ampliação era uma exigência dos movimentos ligados às minorias sexuais e raciais. Finalmente, a terceira remete às exigências mais consequentes das correntes críticas iconoclastas do início dos anos 60 que fizeram a crítica da canonização do modernismo literário, rejeitando não apenas o romance de enredo, mas exigindo que a literatura se aproximasse da “vida”, incluindo a repetição insuportável que caracterizava as formas de sociabilidade e as rotinas de trabalho que se consolidaram com a padronização da vida moderna. Gostaria de sugerir que no conjunto os três filmes tecem um comentário sobre nossa complexa relação com os movimentos revolucionários que marcaram os anos 60.

Bibliografia

    COWIE, Jefferson. Stayin’ Alive: The 1970’s and the last days of the working class. New York: The New Press, 2010.

    DARDOT, Pierre & LAVAL, Christian. The New Way of the World: On Neoliberal Society. London: Verso, 2013.

    FRANK, Thomas. The Conquest of the Cool: Business Culture, Counterculture and Hip Consumerism. Chicago: The University of Chicago Press, 1998.

    NAREMORE, James. On Kubrick. London: BFI, 2007.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).