Socine – em defesa da Cinemateca Brasileira

Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini
Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero
Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer
Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.
A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.
O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.
A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.
Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.
Trabalhos Aprovados 2016
Ficha do Proponente
Proponente
- Régis Orlando Rasia (UNICAMP)
Minicurrículo
- Doutorando em Multimeios UNICAMP, professor do bacharelado em audiovisual do centro universitário SENAC-SP.
Ficha do Trabalho
Título
- Rogério Sganzerla vídeo-ensaios.
Resumo
- Esta comunicação tem como proposta analisar os ensaios fílmicos do cineasta Rogério Sganzerla realizados após a década de 1990 em vídeo e digital: Anônimo e incomum (1990); América, o grande acerto de Vespúcio (1992); Deuses no Juruá (1997); H. J. Koellreutter (2003). As relação com as tecnologias e as bases técnicas são formas de dar a ver o mundo e construir seus filmes como um fluxo do pensamento na mesa de edição. Como modulação e trânsito é que pensamos as passagens de diversas ordens: tecn
Resumo expandido
- É curioso pensar em Rogério Sganzerla como um dos grandes avatares do ensaio no Brasil, grande parte das análises de seus filmes pendem quase naturalmente para o Bandido da luz vermelha (1968) e obras do período Belair dada à importância e o significado desta e outras obras do período na história do cinema brasileiro moderno. Como uma força tratora na carreira do diretor o “magnetismo” por tais filmes ofusca um sobrevoo maior de análises em outros filmes. Não é por acaso que grande parte da sua realização do final dos anos 1970 e que avançam na carreira do diretor são pouco conhecidos da crítica e da academia, raros também são os estudos que recortam os filmes pós marginais ou que aproximam suas obras do território ensaístico.
Weinrichter (2015, p. 46) cita que um ensaio pode vir assinado por um cineasta experimental ou estar muito mais próximo de “um cine/vídeo experimental, as verdadeiras fontes do ensaio”. Como nos fala Bellour o vídeo foi um grande operador de passagens das imagens da fotografia, cinema, televisão, pintura videoclipe entre outros. Neste universo das passagens é que nos deparamos com os filmes do diretor Anônimo e incomum (1990), que abre com a inscrição: “vídeo de Rogério Sganzerla”. Já América, o grande acerto de Vespúcio (1992) podemos ver a performance do ator Otávio Terceiro filmado com uma handycam (Hi8) e que servirá de laboratório ou um vídeo/roteiro para O signo do caos (2003) cuja repetição se torna a montagem do filme. Além destes outras vídeo-experiências: Deuses no Juruá (1997) e o filme que absorve o personagem como parte do conteúdo e da forma dodecafônica em Informação: H. J. Koellreutter (2003).
Um conceito nos chama a atenção, quando Deleuze chama de novas imagens àquelas em que uma janela ou ainda um quadro não remete a postura humana, “mas constitui antes uma mesa de informação, superfície opaca sobre a qual se inscrevem ‘dados’ como a informação substituindo a Natureza, e o cérebro-cidade, o terceiro olho, substituindo os olhos da Natureza”. A mesa-edição-informacional encerra o pensamento de Deleuze sobre imagem-tempo e aponta para um outro lugar cujas “as imagens eletrônicas deverão fundar-se ainda em outra vontade de arte”, o regime da imagem-informação em que se preza o vertical, o horizontal, “a câmera como uma máquina rotativa que obedece aos sons eletrônicos”, do “mundo em movimento, quando tende a tornar-se uma superfície opaca que recebe informações, em ordem ou em desordem, e sobre a qual as personagens, os objetos e as falas se inscrevem como ‘dados’”. A imagem eletrônica sintetiza o ensaio em função desta mesa de edição informacional que foi o vídeo e hoje se configura no digital (DELEUZE, 2005, p. 316-317).
Digamos que é a multiplicidade de formas, linguagens absorvidas no processo criativo de Sganzerla que nos leva a compreensão da experiência do ensaio em sua carreira. O que propomos então é investigar os rumos de seu cinema, ou seja, o que vem depois do marginal é o que nos interessa. São seus “filmecos”, curtas-metragens, de baixo orçamento e com produções paupérrimas que evidenciam uma passagem não só estilística, mas caminhos significativos para incrementar a rica história do cinema brasileiro, principalmente no que diz respeito às questões pertinentes ao cine-ensaio no Brasil.
Bibliografia
- BELLOUR, R. Entre-imagens: foto, cinema vídeo. Tradução de Luciana A. Penna. Campinas: Papirus, 1997. 392 p.
BOURRIAUD, Nicolas. Pós-produção: como a arte reprograma o mundo contemporâneo. Tradução de Denise Bottmann. SP: Martins Fontes, 2009. 110 p.
DUBOIS, Philippe. Cinema, video, Godard. Tradução de Mateus Araujo Silva. 2. ed. São Paulo, SP: CosacNaify, 2011. 323 p.
DELEUZE, Gilles. A imagem-tempo. Tradução de Eloisa de Araújo Ribeiro. São Paulo: Brasiliense, 2005. 338 p.
MICHAUD, Philippe-Alain. Filme: por uma teoria expandida do cinema. Rio de Janeiro: Contraponto, 2014.
WEINRICHTER, Antonio Alberto. Um conceito fugidio. Notas sobre o filme-ensaio. In: TEIXEIRA, E. O ensaio no cinema: formação de um quarto domínio das imagens na cultura audiovisual contemporânea. Tradução de Régis Rasia. São Paulo : Hucitec, 2015. p. 42-91.
Trabalhos aprovados para o XX Encontro SOCINE – UTP – 2016
O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.
A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.
Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.
- PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
- SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
- TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00
Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.
Membros da SOCINE no Prêmio Compós
Prezados membros da Socine,
Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.
Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.
Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.
Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!
O resultado
Melhor Tese 2016: Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”
Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga
Orientador: André Brasil (UFMG)
Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)
Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno
Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr
Orientador: Ismail Xavier (USP)
Melhor Dissertação 2016:
Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT
Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)
Orientador: Cássio Tomaim (UFSM)
Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina
Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos
Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)
Publicados os Anais do XIX Encontro (2015)
Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015, na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:
1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.
2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.
Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.
Atenciosamente,
A Diretoria
Carta aberta da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) sobre a extinção do Ministério da Cultura
É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.
Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.
XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cadernos de Resumos

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).
Cronograma reformulado para 2016
O cronograma de atividades para 2016 foi reformulado, e está disponível aqui.
