Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Henrique Codato (UFC)

Minicurrículo

    Possui graduação em Comunicação Social – habilitação em Relações Públicas – pela Universidade Estadual de Londrina (UEL, 2001); mestrado em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB, 2004), e em Literatura Comparada pela Universidade de Genebra (Unige – Suíça, 2007); doutorado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG, 2013). Atualmente, desenvolve pesquisa de pós-doutoramento no Instituto de Comunicação e Artes (ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Ficha do Trabalho

Título

    Corpo, desejo e perversão no cinema de Larry Clark.

Resumo

    Por meio de um diálogo com diversos autores do campo do cinema, dos estudos da imagem e da psicanálise, e a partir da ideia de perversão tal qual defendida por Deleuze (2009, p.28), como uma “intrínseca transformação de energia” que tem o mérito de “trazer o corpo para o campo do pensamento”, propomos analisar três sequências de três filmes de Larry Clark – “Kids” (1995); “Ken Park” (2002) e “O Cheiro da Gente” (2015), buscando demonstrar como essa perversidade do olhar, traço estilístico do cinema de Clark, se constitui na relação estabelecida entre o olho mecânico de sua câmera e o corpo adolescente, obsessão do cineasta.

Resumo expandido

    Filmar a adolescência e o corpo adolescente tem sido o gesto primordial de diversos diretores do cinema contemporâneo: Gus Van Sant, Sofia Coppola, Bernardo Bertolucci, Richard Linklater, Xavier Dolain; os brasileiros Domingos de Oliveira e Lais Bodanzky; enfim, a lista é extensa. Nesse sentido, propomos levantar e problematizar algumas questões acerca da imagem da adolescência a partir de uma visita a três filmes do fotógrafo e cineasta estadunidense Larry Clark. Suas obras que aqui nos interessam – “Kids” (1995); “Ken Park” (2002) e “O Cheiro da Gente” (2015) – são, sem dúvida, os mais conhecidos trabalhos de Clark no cinema, e compõem (ou, pelo menos, assim entende boa parte da crítica especializada) uma espécie de retrato cinematográfico geracional da juventude nas três últimas décadas, do mesmo modo que o conjunto de seus trabalhos fotográficos – com destaque aos emblemáticos Tulsa (1971) e Teenage Lust (1983) – também sirva, de algum modo, para testemunhar sobre os hábitos de uma época, de um determinado grupo de adolescentes.
    É possível defender que seus filmes se referem a uma comunidade bastante específica – os chamados skaters, integrantes de uma subcultura que nasce nos EUA, no início da década de 1990, em torno da prática do skate e do uso de drogas – principalmente da maconha – e que se propaga mundo afora por meio, principalmente, da música (Nirvana, Bad Religion, Green Day e NOFX) e da moda (camisetas e calças largas, roupas íntimas à vista, boné para trás), com uma estética que vai, posteriormente, dialogar com os movimentos hip hop e rap. No entanto, apesar das especificidades dessa dita comunidade, há um eixo comum que atravessa essas narrativas e é dele que partem nossas reflexões. Todas elas falam da adolescência – “tempo extraordinário em que as pessoas desconhecem que estão verdadeiramente a viver”, como definiu belamente o cineasta Manoel de Oliveira (2007) – período da vida marcado por profundas transformações, tanto exteriores (do e no corpo), quanto interiores (da vida sentimental, emocional, subjetiva).
    Interessa-nos refletir como Clark se serve do signo da adolescência e da figura do adolescente em seus trabalhos. Não se trata exatamente de analisar sua representação no âmbito da diegese, mas, sim, de tentar compreender a economia sensível que suas obras colocam em cena quando se propõem a retratar a adolescência; analisar aos modos de endereçamento do olhar que sua câmera constrói ao filmar o corpo vivo e em transformação desses adolescentes. Nossa hipótese é a de que o cinema de Clark opera a partir de uma mecânica perversa; entendendo a perversão, aqui, menos como uma estrutura de personalidade (como reza a psicanálise) e mais como uma estratégia retórica, naquilo que sua etimologia mesmo indica (per: totalmente, e vertere: virar). Em termos deleuzianos, trata-se de uma “intrínseca transformação de energia” que tem o mérito de “trazer o corpo para o campo do pensamento” (DELEUZE, 2009, p.28). Dito de outro modo, defendemos que a perversão, para além de um desvio normativo, se torna, nas narrativas clarkeanas, uma manobra estilística, algo que se pode capturar na própria forma fílmica; que se revela (ou que se esconde) nos modos de endereçamento/enquadramento do olhar lançado sobre esses adolescentes, na maneira de inscrever a matéria elástica e inacabada de seus corpos no espaço do filme.
    Assim, por meio de um diálogo com autores do campo do cinema, dos estudos da imagem e da psicanálise, e a partir da análise de uma sequência de cada um dos filmes escolhidos, buscaremos mostrar como essa perversidade do olhar, traço estilístico do cinema de Clark, se constitui na relação estabelecida entre câmera e corpo filmado. A poética destas obras está absolutamente vinculada ao corpo, ao sexo e à morte – ao erotismo, portanto – e subsiste na exploração da imagem desses adolescentes e de seu universo, que o diretor, de forma bastante particular, explora a fim de perverter o olhar e o desejo de tudo ver.

Bibliografia

    BATAILLE, G. O Erotismo. Porto Alegre: LP&M, 1997.
    DELEUZE, G. Sacher-Moasoch: o Frio e o Cruel. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
    _____. A Imagem-Movimento. São Paulo: Brasiliense, 2010.
    LACAN, J. O Seminário 4: a relação do objeto – A função do véu. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
    MONDZAIN, M-J.(org). Voir Ensemble: autour de Jean-Toussaint Desanti. Paris: Galimard, 2003.
    _____. Homo Spectator. Paris: Bayard, 2007.
    MORIN, E. Le cinéma ou l’homme imaginaire. Paris: Les éditions de minuit, 1956.
    MULVEY, L. “Prazer Visual e Cinema Narrativo”. In XAVIER, Ismail. (org.) A Experiência do Cinema. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1983.
    OLIVEIRA, M. Entrevista. Fenprof, 2007. Disponível em: [URL]: http://www.fenprof.pt/?aba=57&cat=185&doc=3002&mid=123. Consultado em 14 de maio de 2016.
    VERNET, M. Figure de l’absence de l’invisible au cinéma. Essais. Paris: Cahiers du Cinéma, 1988.
    XAVIER, I. O Discurso Cinematográfico: A Opacidade e a Transparência. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).