Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Sandra Fischer (UTP)

Minicurrículo

    Pós-doutora em Cinema (Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro/ECO-UFRJ, 2009); doutora em Ciências da Comunicação (Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo/ECA-USP, 2002). Docente e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP); coordenadora da Linha de Pesquisa “Estudos de Cinema e Audiovisual”.

Ficha do Trabalho

Título

    O ESTRANHO NO COTIDIANO: LUGAR E DESLOCAMENTO NO CINEMA DE MUYLAERT

Resumo

    A comunicação ocupa-se do cinema da diretora brasileira Anna Muylaert, focando prioritariamente dois de seus filmes: “Durval discos” (2002) e “Que horas ela volta?” (2015). O objetivo é propor uma reflexão a respeito da potência subversiva – essa é nossa hipótese – que se aloja nas imagens do estranho que, subitamente, emerge em meio à banalidade cotidiana e instala-se no ambiente fílmico – redefinindo rumos diegéticos e determinando arranjos estéticos.

Resumo expandido

    A comunicação ocupa-se do cinema da diretora brasileira Anna Muylaert, focando prioritariamente dois de seus filmes: “Durval discos” (2002) e “Que horas ela volta?” (2015). O objetivo é propor uma reflexão a respeito da peculiar potência subversiva – essa é nossa hipótese – que se aloja nas imagens do estranho que, subitamente, emerge em meio à banalidade cotidiana e instala-se no ambiente fílmico – redefinindo os rumos diegéticos, determinando os arranjos estéticos e subvertendo expectativas. A filmografia da cineasta brasileira Anna Muylaert, marcada por obras que primam pela mistura de gêneros que se alternam entre o dramático e o cômico, caracteriza-se, em certa extensão, pela alusão a elementos surrealistas e pela presença da crítica ao caráter claustrofóbico e muitas vezes perverso de determinadas facetas dos sistemas sociais vigentes. Em tramas ambientadas em cenários urbanos do Brasil contemporâneo e desenvolvidas no espaço e no tempo de cotidianidades cujo semblante exibe a face ‘esquisita’ do ordinário e do banal, personagens aparentemente comuns e figuras de caráter metafórico movimentam-se por entre as veredas da comédia ligeira, do suspense leve, do drama corriqueiro de onde subitamente emergem o estranho e o surreal. Estranho, ressalte-se, na perspectiva em que o termo é definido por Sigmund Freud (1996), segundo o qual o estranho é entendido como “aquela categoria do assustador que remete ao que conhecido, de velho, e há muito familiar”; e surreal, entenda-se, em muito calcado nos moldes de Luis Buñuel. Em “Durval Discos” e em “Que horas ela volta?”, o advento inesperado e invasivo da chegada do estrangeiro na cena cotidiana de agrupamentos familiares e sociais – solidamente constituídos, firmemente enlaçados, autocentrados e enredados em normas e convenções cristalizadas porque nunca antes questionadas – desarranja a ordenação do status quo e revela, de forma lenta mas inexorável, os movimentos que perfazem a coreografia perversa do sufocamento e da segregação. O estranhamento inevitável, atrelado ao incontornável desconforto que provoca, desnuda o nonsense e o absurdo implícito em regras que, tácita e silenciosamente, regem, modalizam e regulam a rotina das pessoas e o curso dos acontecimentos – sem que necessariamente os envolvidos se deem efetiva conta dos diversos mecanismos de coerção e segregação implicados nesse processo. De maneira delicada e sutil – ludicamente, por vezes –, e sempre desprovida de qualquer alarde panfletário, os recortes temáticos e os recursos expressivos que perfazem o universo da obra da diretora não apenas apresentam a artificialidade e o anacronismo de determinadas bases que estruturam lugares e posicionamentos em relações familiares e sociais que subsistem e resistem articuladas por meio de mecanismos tacitamente consentidos e mesmo incentivados de controle e exploração, segregação e exclusão, como sediam a crítica e o debate a respeito das condições de produção e funcionamento desses sistemas e suas concernentes implicações e desdobramentos.

Bibliografia

    DELEUZE, G. Lógica do sentido. São Paulo: Perspectiva, 1998.
    DELEUZE, G. A imagem-tempo. São Paulo: Brasiliense, 1990.
    FISCHER, S. “’Durval discos’: cinema e estranhamento”. (In: CATANI, A. et al [Orgs]. Estudos Socine de cinema, ano VI). São Paulo: Nojosa Edições, 2005, pp. 285-292.
    FREUD, S. “O estranho” (In: Obras psicológicas completas de Sigmund Freud.) Rio de Janeiro: Imago, 1996.
    FREYRE, G. Casa grande & senzala – formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. São Paulo: Global, 2015.
    TEIXEIRA, Rafael Tassi. “Paisagens da Crise e Identidades de Abandono no Cinema Brasileiro Contemporâneo”. Revista Científica/FAP(Curitiba. Online), v. 12, p. 263-276, 2015.
    VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. “Equívocos da identidade”, (In: GONDAR, J.; DOBEDEI, V. [Orgs]). Rio de Janeiro: ContraCapa, 2005.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).