Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Fernanda Sayuri Gutiyama (IA – UNICAMP)

Minicurrículo

    Graduada em Comunicação Social com Habilitação em Midialogia pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é mestranda da Pós-Graduação em Multimeios (Unicamp), trabalha com produção audiovisual e desenvolve pesquisas na área de Inclusão Social através do Cinema, com foco no estigma da epilepsia.

Ficha do Trabalho

Título

    Uma mulher sob influência: a histeria feminina no cinema

Resumo

    Pretende-se analisar o filme Uma mulher sob influência (1974) de John Cassavetes através da perspectiva das teorias feministas do cinema, para tratar do gênero, os efeitos da diferenciação sexual e as instituições sociais que a cercam com base na representação historicamente demarcada da histeria feminina, afim de discorrer sobre as singularidades da obra e a contribuição do cinema como forma política para discutir questões de gênero.

Resumo expandido

    É com grande frequência que nos deparamos com representações e personagens femininas acompanhadas de denominações relacionadas à histeria e a loucura, em todos os meios de comunicação incluindo o cinema. Essa associação está presente historicamente desde a antiguidade – a histeria é descrita como uma neurose complexa de instabilidade emocional que pode manifestar-se em sintomas físicos como paralisia, cegueira, surdez, perda de autocontrole e pânico extremo, associada diretamente ao útero até o século XIX -, e supostamente acreditava-se ser uma doença peculiar e particular das mulheres, por vezes fruto de seu imaginário desregrado e exagerado; a raiva, o medo, a desobediência eram socialmente indesejáveis em mulheres, que deveriam ser submissas, calmas e pacíficas.
    A literatura do século XVII, descrita por Michel Foucault em sua obra A História da Loucura na Idade Clássica (1972), traz explicações de que a doença ataca muito mais as mulheres do que os homens porque elas têm uma constituição mais delicada, menos firme, por levar uma vida mais mole e acostumada as comodidades da vida e a não sofrer. Trazendo um panorama da loucura do período clássico, Foucault conclui que as diversas formas de se perceberem o louco e a loucura dependem das instituições sociais, do reconhecimento que estas empreendem sobre os indivíduos como sujeitos sociais.
    Ainda atualmente, o estigma da histeria perdura e se perpetua em nosso cotidiano. Laurie Schapira em 1988 nomeou como Complexo de Cassandra, o sofrimento das mulheres desmerecidas de serem ouvidas e percebidas como irracionais e histéricas simplesmente por serem mulheres, reconhecidas como sensíveis e emotivas, fracas e instáveis, enquanto o masculino representa a razão. É o que ocorre com diversas personagens femininas nos filmes, geralmente mainstream. Elas são rotuladas não só por parte dos outros personagens que compõem a trama, mas também por seus espectadores, relembrando-nos o ensaio de Laura Mulvey. Rótulo ao qual é atribuído ao lugar da mulher pelo sistema sexo-gênero que assimila a diferença sexual ao gênero, e é dessa forma que a história da histeria figura o conjunto de efeitos produzidos pela diferença sexual, com o qual muitas teorias feministas da segunda onda focaram seus estudos.
    Nos Estados Unidos, é através do cinema independente que discussões marginalizadas ganham destaque nas décadas de 60 e 70. As produções autorais de John Cassavetes são demarcados pela forte densidade emocional, organicidade e atuações viscerais com personagens profundos e ambíguos, aos quais os atores participam ativamente em sua construção desde sua elaboração como com atuações improvisadas; Cassavetes foge do engessamento da indústria cinematográfica trazendo questões de raça, gênero e das minorias sociais em seus filmes, para tratar dos sentimentos humanos mais profundos e da desintegração de relações sociais consagradas. É a partir dessa estética que emerge a personagem Mabel Longhetti, personagem feminina principal de Uma mulher sob influência, uma mulher esposa e mãe de três filhos que se encontra em crise profunda, julgada como louca e ‘desajustada’ por todos que estão ao seu redor. Mabel deve se ‘ajustar’ ao quê?
    Para tratar dessa questão particularmente através do cinema, pretendemos analisar o filme Uma mulher sob influência (1974) de John Cassavetes através das leituras em Laura Mulvey, Teresa de Lauretis e Michel Foucault, verificando a relação da representação de gênero com a histeria e o contexto histórico do filme na conjuntura do cinema independente norte-americano, com foco na personagem Mabel, suas relações familiares e com outras instituições sociais, com o objetivo de discutir as singularidades dessa obra e do cinema como forma política para discutir as questões de gênero.

Bibliografia

    – BUTLER, Judith P. Gender trouble: Feminism and the subversion of identity. Nova York: Routledge, 1990.
    – CREED, Barbara. The monstrous- feminine: Film, feminism, psychoanalysis. Nova York: Routledge, 1993.
    – DE LAURETIS, Teresa. Technologie of gender: Essays on theory, film and fiction. Bloomington:Indiana University Press, 1989.
    – FOUCAULT, Michel. A História da Loucura na Idade Clássica. São Paulo: Editora Perspectiva, 1972.
    – KAPLAN, E. Ann. Psycho Analysis and the Cinema. Londres: Routledge, 1990.
    – MULVEY, Laura. Visual Pleasure and Narrative Cinema. London: Routledge, 1992.
    – NAREMORE, James. Acting in the cinema. Berkeley e Los Angeles: University of California Press, 1990.
    – SCHAPIRA, Laurie L.Complexo de Cassandra. São Paulo: Cultrix, 1991.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).