Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Erick Felinto de Oliveira (UERJ)

Minicurrículo

    Erick Felinto é Doutor em Literatura Comparada pela UERJ/University of California, Los Angeles, com Pós-Doutorado em Estudos de Mídia pela Universität der Künste Berlin. É pesquisador do CNPq e professor associado na UERJ, onde realiza pesquisas sobre cinema e cibercultura. É autor dos livros “Avatar: o Futuro do Cinema e a Ecologia das Imagens Digitais” (Sulina, 2010, com Ivana Bentes) e “O Explorador de Abismos: Vilém Flusser e o Pós-Humanismo” (Paulus, 2012, com Lucia Santaella), entre outros

Ficha do Trabalho

Título

    A Astúcia da Matéria: Notas sobre a Animação do Inorgânico

Seminário

    Interseções Cinema e Arte

Resumo

    Seria possível falar em uma tradição de “animação do inorgânico” no cinema experimental e nas intercessões entre cinema e arte? Em outras palavras, existiriam, na história do cinema, exemplos suficientes de vivificação de objetos inanimados de modo a podermos ali identificar um dado expressivo das estéticas modernas? Parte-se da hipótese de um progressivo declínio do tradicional ponto de vista antropocêntrico e do modelo de subjetividade humanista como motores da ascensão dos objetos no cinema.

Resumo expandido

    Seria possível falar em uma tradição de “animação do inorgânico” (cf. Papapetros, 2012) no cinema experimental e nas intercessões entre cinema e arte? Em outras palavras, existiriam, na história do cinema, exemplos suficientes de vivificação de objetos inanimados – que muitas vezes se tornam mesmo o foco decisivo do olhar da câmera – de modo a podermos ali identificar um dado expressivo das estéticas modernas? Seguindo as indicações de autores como Dorothee Kimmich, o objetivo deste trabalho é demonstrar que, entre os modernos, “as coisas são frequentemente vivas ou quase vivas” e que precisamente se tornam vivas “antes de tudo na tela” (Kimmich, 2011, p. 11 e p. 85). Através da breve análise de alguns exemplos cinematográficos – mas também da esfera das artes plásticas e da literatura –, pretende-se operar com a hipótese de um progressivo declínio do tradicional ponto de vista antropocêntrico e do modelo de subjetividade humanista liberal a partir de pelo menos fins do século XIX. De fato, seria em função dessa desintegração gradativa do sujeito moderno (fortemente acentuada na contemporaneidade) que as coisas vêm ocupar um lócus cultural ao mesmo tempo fascinante e ameaçador – identificado, muitas vezes, com a noção de “inquietante estranheza” (Unheimlich). Se é verdade que o maquinismo possui “uma realidade autônoma e determinante” em certas expressões das vanguardas artísticas, como propõe Marc Le Bot (1973, p. 188), seria de se esperar que o cinema, em seu diálogo com as outras artes, fizesse também insistente recurso à animação do inorgânico. Em artistas tão diferentes como Jan Svankmajer, Michael Snow, Michael Hanecke ou Dziga Vertov manifesta-se, assim, uma poética dos objetos vivos que parece materializar um projeto filosófico moderno, claramente desenhado, por exemplo, na obra de Walter Benjamin, com sua fixação nas figuras das pedras, dos animais e dos anjos. Obsessão que Beatrice Hanssen definiu como uma “de-limitação do sujeito humano” (1998, p. 4) a partir da perspectiva de uma história não-antropocêntrica e fundada na figura do inumano (Unmensch). Não é casual, contudo, que esse tema tenha apenas muito recentemente conquistado atenção especial da crítica, como parece testemunhar a coletânea de ensaios Cinematographic Objetcs: Things and Operations (2015), editada por Volker Pantenburg. Tal atenção emerge precisamente no contexto de um renovado interesse das ciências humanas pelos objetos (em especial, os objetos tecnológicos) e pela materialidade do mundo; uma cena teórica marcada pela ascensão de propostas filosóficas como a da “ontologia dirigida aos objetos” (Cf. Harman, 2011) e por reconfigurações das ciências sociais, como a operada por Bruno Latour com seu “parlamento das coisas” (Cf. Latour, 2000). Lançando mão de um arsenal teórico que inclui a “arqueologia da mídia” e as propostas das “materialidades da comunicação”, buscar-se-á delinear os impactos estéticos, filosóficos e culturais daquilo que Vilém Flusser poeticamente definiu – provavelmente retomando o filósofo Friedrich T. Vischer (Papapetros, 2012, p. 239) – como a “astúcia da matéria” (die Tücke der Materie) e dos objetos (2002, p. 61), em obras cinematográficas produzidas em diálogos com as artes plásticas e/ou com a literatura.

Bibliografia

    FLUSSER, Vilém. Vampyroteuthis Infernalis: Eine Abhandlung samt Befund des Institut Scientifique de Recherche Paranaturaliste. Göttingen: European Photography, 2002.

    HAMES, Peter (ed.). The Cinema of Jan Svakmajer: Dark Alchemy. London: Wallflower Press, 2008.

    HANSSEN, Beatrice. Walter Benjamin’s Other History: of Stones, Animals, Human Beings and Angels. Berkeley: University of California Press, 1998.

    HARMAN, Graham. The Quadruple Object. Winchester: Zero Books, 2011.

    KIMMICH, Dorothee. Lebendige Dinge in der Moderne. Konstanz: Konstanz University Press, 2011.

    LATOUR, Bruno. Jamais fomos Modernos. Rio de Janeiro: editora 34, 2000.

    LE BOT, Marc. Peinture et Machinisme. Paris: Klincksieck, 1973.

    PANTENBURG, Volker (org.) Cinematographic Objects: Things and Operations. Berlin: August, 2015.

    PAPAPETROS, Spyros. On the Animation of the Inorganic: Art, Architecture and the Extension of Life. Chicago: University of Chicago Press, 2012.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).