Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Wilton Garcia Sobrinho (Fatec/Uniso)

Minicurrículo

    Pesquisador e artista visual, possui graduação (1992) em Letras pela PUC-SP; Mestrado (1997) e Doutorado (2002) em Comunicação pela ECA-USP; e Pós-Doutorado (2006) em Multimeios pelo IA-UNICAMP. Professor da FATEC-Itaquá/SP e do Mestrado em Comunicação e Cultura da UNISO. Desenvolve pesquisa sobre artes, corpo, cinema, fotografia, homoerotismo e estudos contemporâneos. Com Daniela K. Hanns, é autor de “#consumo_tecnológico” (Hagrado Edições, 2015), entre outros, e membro da Socine desde 1998.

Ficha do Trabalho

Título

    Imagem, cultura e diversidade no filme “Febre do rato”

Resumo

    Este artigo relaciona imagem, cultura e diversidade destacados o filme “Febre do rato” (Cláudio Assis, 2011). Estrategicamente, as categorias críticas experiência e subjetividade foram eleitas, ao enunciar os estudos contemporâneos do cinema e do audiovisual. No enfoque dessa discussão, o coveiro Pazinho (Matheus Nachtergaele) vive uma relação amorosa, impetuosa e intempestiva com Vanessa (Tânia Granussi), uma travesti. Nesse caso, a diversidade cultural/sexual aponta para a exemplificação do protagonismo do universo Trans no cinema nacional contemporâneo. Das (re)dimensões teóricas e políticas como produção de conhecimento, os resultados problematizam corpo, gênero, identidade e performance inseridos na discussão do cinema nacional atual.

Resumo expandido

    Na complexidade que se pretende pensar sobre a diversidade cultural/sexual no Brasil, surgem estudos contemporâneos da produção cultural do cinema como discurso ideologicamente orientado. O cinema expressa diferentes abordagens, de modo geral, como o amor. Pensar a doce capacidade de iludir plateias faz do filme um lugar especial para o tema do amor. Identificar essa sensibilidade no cinema atual não é tarefa tão fácil. Seria permitir que na expressão sensível da ficção pudesse se desabrochar a ideia de felicidade. A representação da felicidade no cinema, então, pode permear diferentes formas de amor, de maneira simples e até inocente. Assim, quem sabe, floresce a diversidade, ou seja, distante da competitividade do mercado-mídia e seu discurso hegemônico, na busca desenfreada do capital (TEIXEIRA; LOPES, 2006).

    E, disso, surge a inquietação em forma de pergunta: o que caracteriza os produtos audiovisuais como espaços de dominação ou libertação estratégica da diversidade? Ou ainda, como o cinema contemporâneo trabalha a homocultura?

    O presente artigo relaciona imagem, cultura e diversidade destacados o filme Febre do rato (Cláudio Assis, 2011). A desmensuração da cena cinematográfica cria força nas questões intrínsecas/extrínsecas de excessos e descontinuidades de entraves, a envolver os personagens em sublimação (LEITE, 2013). No enfoque dessa discussão relutante, o coveiro Pazinho (Matheus Nachtergaele) vive uma relação amorosa, impetuosa e intempestiva com Vanessa (Tânia Granussi), uma travesti.

    São vertentes radicais da transgressão contemporânea que se complementam, no fluxo pulsante, contra o sistema hegemônico. Tais radicalidades transformam-se, estrategicamente, em potências discursivas quando manifestam seus posicionamentos a propor um conjunto de reflexões para a produção conhecimento atual.

    Como provocação, essa discussão visa a debater e incentivar a inclusão do tema da diversidade cultural/sexual na agenda do cinema nacional. Sem restringir a criação no campo cinematográfico, a diversidade no cinema nacional solicita sua própria emergência – a destacar o protagonismo do universo Trans.

    A leitura que aqui se pretende organizar são impressões e registros de uma exemplificação fílmica, com elementos conceituais e teóricos da diversidade cultural/sexual no cinema nacional contemporâneo. São considerações e pontos de vista que acompanham a atualização de ferramentas e tendências em uma atmosfera que circunda sobre o cinema contemporâneo. Na verdade, é uma instigante história de amor – pautado pela diversidade – que contêm altos e baixos.

    Os critérios formais no desenrolar desta escrita amparam-se pelo formato de ensaio, como condição adaptativa capaz de incluir apontamentos teóricos e políticos indicados ao longo do texto, a fim de assimilar traços e fragmentos da sociedade contemporânea na compreensão da diversidade exposta no cinema brasileiro (FOSTER, 2003; NAGIB, 2012; STAM, 2003). Trata-se de uma estratégia discursiva a alinhar diferentes pontas que suturam as ideias designadas. Ainda que não seja tão reconhecido no meio acadêmico, o ensaio – gênero discursivo híbrido entre o pensar, o relato e a escritura – permite maior flexibilidade para desdobrar a matéria discursiva que se atualiza no próprio exercício reflexivo.

    Essa opção de tratativa, sob o discurso científico, enquadra ideias e parâmetros arquitetados pelo discorrer de um pensar que se conflui com o relato executado na escrita. Esta última legitima o fio condutor que agiliza uma trama, feita aos poucos. Por lidar com questões que tangem a diversidade, o interesse acende maior vigor empírico e científico, visto que gera chances e estímulos de reflexão e escrita.

    No final do filme, Pazinho manda um recado ambíguo e, ao mesmo tempo, irônico para sua amada: “Diga a Vanessa que ela é o homem da minha vida!”

Bibliografia

    FOSTER, David William. Queer issues in contemporary latin american cinema. Austin: University of Texas Press, 2003.
    LEITE, Rodrigo Lage. Baixio das bestas e Febre do rato – dois filmes de Cláudio Assis – diferentes caminhos para os excessos de viver. Ide (São Paulo) v.35 n. 55, jan. 2013. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S0101-31062013000100015&script=sci_arttext. Acesso em 30/mar/2013.
    NAGIB, Lúcia. Além da diferença: a mulher no Cinema da Retomada. Devires, BH v. 9, n. 1, p. 14-29, jan./jun. 2012.
    PEIXOTO, Nelson Brissac. Ver o invisível: a ética das imagens. In: NOVAES, Adauto (Org.). Ética: vários autores. São Paulo: Cia das Letras, 2007. p. 425-453
    STAM, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.
    TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro, LOPES; José de Souza Miguel (Orgs.). A diversidade cultural vai ao cinema. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).