Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Raquel Assunção Oliveira (UFPE)

Minicurrículo

    Mestranda no PPGCOM, Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE), na linha de pesquisa Estética e Culturas da Imagem e do Som, sob orientação do Prof. Dr. Eduardo Duarte Gomes da Silva e financiada pelo CNPQ. Especialista em Cinema e bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Graduada em Design Gráfico pela Universidade Potiguar (UnP). Áreas de interesse: arte, estética, cinema.

Ficha do Trabalho

Título

    Cinema e pintura em “Um Pombo…” (2014), de Roy Andersson

Resumo

    Este trabalho tem como proposta explorar as relações entre cinema e pintura a partir do filme Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência (2014), terceira produção da Trilogia do Ser Humano, dirigida pelo sueco Roy Andersson. Estudaremos de que forma as duas manifestações estéticas, com suas distintas temporalidades, dialogam entre si, especialmente através do conceito trabalhado por Jacques Aumont de instante pregnante e do embaçamento das noções de moldura e máscara, trazidas por BAZIN (1991).

Resumo expandido

    Desde seu surgimento, o cinema tem sua história atravessada por aproximações, flertes e intersecções com a pintura. Observamos essa relação desde os antigos filmes em branco e preto pintados à mão; passando pelas parcerias de pintores colaborando com a produção cinematográfica – relembremos a célebre parceria no filme Spellbound, de 1945, dirigido por Hitchcock e cuja cenografia foi assinada por Salvador Dalí; pelas histórias de grandes nomes da pintura dando mote para cinebiografias (vide Sede de Viver, de 1959, dirigido por Vincente Minelli, sobre Van Gogh); até mesmo por meio da fotografia ou de cenas e detalhes de filmes inspirados por quadros, como é o caso da casa dos Bates em Psicose (1960), extremamente semelhante à do quadro Casa Junto à Rodovia (1925), de Edward Hopper.

    Neste artigo nos centraremos no estudo da produção contemporânea Um Pombo Pousou Num Galho Refletindo Sobre a Existência (2014) que, junto com Vocês, os Vivos (2007) e Canções do Segundo Andar (2000), compõem a Trilogia do Ser Humano, dirigida pelo sueco Roy Andersson. Nosso interesse está em entender de que forma o cinema e a pintura, com suas distintas temporalidades, dialogam entre si, através do conceito trabalhado por Jacques Aumont de instante pregnante e do embaçamento das noções de moldura e máscara, trazidas por BAZIN (1991). Aqui, vale ressaltar que todo o trabalho será realizado de modo a evitar o perigo de subordinar uma das artes à outra, levando em conta a opinião de BAZIN (1991, p. 176) de que “o cinema não vem ‘servir’ ou trair a pintura, mas acrescentar-lhe uma maneira de ser”.

    Um Pombo, que tem como proposta levantar um olhar sobre a existência humana que seja ao mesmo tempo reflexivo, panorâmico – como de um pássaro – e preocupado, é construído através da montagem de uma série de planos-tableau (AUMONT, 2000 apud OLIVEIRA, 2013). Estes planos são unidades de ação e dramaturgia que se assemelham à visão frontal e fixa que temos de um palco cênico (OLIVEIRA, 2000, p. 190).

    Tais planos, aliados às cenas em plano-sequência, ao empobrecimento dramático – no sentido de a duração da cena equivaler à duração real (AUMONT, 2013) -, à fotografia e direção de arte milimetricamente calculadas, carregando os cenários de uma mesma paleta de cores e textura, além dos figurinos e maquiagem pensados em conjunto e dos enquadramentos que buscam contemplar a mise-en-scène em sua totalidade, aproximam o filme da tradição pictórica ocidental. Em filmes como Um Pombo a imagem cinematográfica deixa de ser apenas centrífuga, como delimita BAZIN (1991), para carregar também certa medida de força centrípeta, levando o nosso olhar para passear dentro do quadro, como é típico da nossa postura frente a uma pintura.

    No filme em estudo, a sucessão de planos-sequência estáticos nos leva ainda ao conceito trabalhado por AUMONT (2011) de instante pregnante: a busca por representar um acontecimento (portanto espacial e temporal) num só plano, iluminação e gestualidade que resumam da melhor forma aquela ação – por sinal, uma tentativa fadada ao fracasso, como todas aquelas que tentam capturar o tempo (aqui incluímos a pintura). No caso do filme, enxergamos o conjunto das suas características aqui já mencionadas (textura da imagem, enquadramento, etc.) como uma escolha estética e narrativa que aproxima o cinema da arte pictórica.

Bibliografia

    AUMONT, J. A imagem. Campinas, SP: Papirus, 2012.

    _________. O olho interminável: cinema e pintura. 16ª ed. São Paulo: Cosac & Naify, 2011.

    _________. Que reste- t-il du cinéma? Paris, França: Vrin, 2013.

    BAZIN, André. O cinema: ensaios. São Paulo: Brasiliense, 1991.

    FARTHING, Stephen. Tudo sobre arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.

    GOMBRICH, Ernst Hans. A história da arte. 16ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009.

    OLIVEIRA, Luiz Carlos Jr. A mise en scène no cinema: do clássico ao cinema de fluxo. Campinas, SP: Papirus, 2013.

    Roy Andersson, Pigeon. Disponível em: . Acesso em: 10 de junho de 2016.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).