Prezado Secretário do Audiovisual – interino, Sr. Alfredo Bertini

Prezado Ministro da Cultura – interino, Sr. Marcelo Calero

Prezado Presidente da República – interino, Sr. Michel Temer

Foi com estarrecimento que a Socine – Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual –  recebeu a notícia da demissão de vários funcionários da Cinemateca Brasileira, incluindo sua Coordenadora-geral, Olga Futemma.

A medida intempestiva, sem explicações ou aviso prévio, coloca em risco o trabalho de uma das maiores instituições de preservação audiovisual do mundo e que angariou o respeito de instituições congêneres de vários países e em especial da FIAF — International Federation of Film Archives.

O delicado acervo da Cinemateca requer manutenção contínua e altamente especializada. Funcionários com a mesma especialização e experiência não serão encontrados em curto prazo. Nesse sentido, temos a impressão de que nem a atual Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nem o próprio ministro têm clareza sobre os danos que essa medida trará para um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Por isso, nós, pesquisadores de cinema, nos vemos no fundamental papel de alertar os senhores sobre os riscos que este acervo corre neste momento.

A Socine solicita ao Ministério da Cultura que reverta esse quadro gravíssimo.

Rio de Janeiro, 28 de Julho de 2016.

Ficha do Proponente

Proponente

    Gabriel Kitofi Tonelo (UNICAMP)

Minicurrículo

    Gabriel Tonelo é pesquisador em Cinema Documentário e documentarista. Graduou-se em Midialogia pela Universidade Estadual de Campinas (2009), onde também concluiu o Mestrado em Multimeios (2012). Atualmente realiza o doutoramento pelo mesmo programa. Realizou entre 2015 e 2016 estágio de pesquisa no departamento Visual and Environmental Studies (VES) da Harvard University (Cambridge, EUA).

Ficha do Trabalho

Título

    A Encenação-Direta em Documentários Autobiográficos

Resumo

    A apresentação tratará de particularidades do conceito de encenação-direta em documentários autobiográficos. Apontamos que neste tipo de filme os laços afetivos que regem o trato entre cineasta e personagem (como familiares ou amigos), no momento da captação da tomada, transbordam e flexionam a encenação a partir de nuances distintas. Vínculos emocionais, câmera, realizador e personagem constituem uma atmosfera particular que se torna a matéria-prima dos filmes que serão apresentados.

Resumo expandido

    Abordaremos a maneira através da qual determinadas narrativas documentárias autobiográficas apresentam um flexionamento particular do conceito de encenação no Cinema Documentário, em especial em relação à ideia de “encenação-direta”. Entendemos “encenação-direta”, com base em Fernão Pessoa Ramos (2014, p. 145), como a da ação dos corpos soltos no mundo, inseridos em uma circunstância particular da tomada, influenciada pelo sujeito-da-câmera, cuja intervenção flui paralelamente à indeterminação e à ambiguidade do mundo. A encenação-direta implica e prevê o movimento dos corpos e a interação entre eles e em relação aos elementos que compõem a circunstância da tomada – entre estes elementos, a figura do próprio realizador e seu aparato fílmico.

    A partir da década de 1970, diversos cineastas realizaram narrativas documentárias autobiográficas partindo da metodologia e da valoração ética do Cinema Direto/Verdade e de seus desdobramentos. Neste momento, a figura individual do diretor, frequentemente inserido em uma esfera doméstica e familiar, passava a fazer parte do eixo temático dos filmes. Da mesma forma, intensificavam-se procedimentos narrativos que demarcavam a presença do realizador no momento da tomada e sua interação com os corpos em cena.

    Neste tipo de documentário, as pessoas que estão diante do realizador e de sua câmera, seus “personagens”, são muito frequentemente pessoas com quem este mantém um vínculo afetivo: sua própria família, como pai, mãe, irmãos e filhos ou indivíduos que fazem parte de seu círculo social, como amigos próximos ou colegas de trabalho. Os autores John Stuart Katz e Judith Katz (1988) apontam que as narrativas dos documentários autobiográficos são construídas, desde o momento da tomada fílmica, a partir de níveis pré-estabelecidos de confiança e intimidade entre cineasta e seus “objetos” que não são alcançados, e nem mesmo buscados, em outros tipos de documentário.

    Buscaremos sustentar, portanto, que a encenação neste tipo de narrativa documentária autobiográfica é regida por uma qualidade especial da relação entre os corpos em cena e o sujeito-da-câmera, personificado pela figura individual do cineasta. Por exemplo, o tête-à-tête de um realizador com um pai severo ou ausente pode evocar a relação de respeito, decoro, recato ou autoridade existente entre eles. Da mesma forma, a tomada de um realizador diante de um filho pequeno, que pode ser afetada pelo sentimento de afeto, carinho ou cuidado. Nestes casos, a exposição dos corpos em cena ao sujeito-da-câmera é matizada pelo laço afetivo entre as partes, que transborda e flexiona a encenação a partir de nuances diferenciadas. Esta noção vai ao encontro de ideias como as da teórica Susanna Egan (1994, p. 607), que sustenta que nos documentários autobiográficos “a intensidade emocional deriva, desta forma, do momento vivido pré-filmico” ,ou do desdobramento da noção de Etnografia Doméstica cunhada por Michael Renov, que aponta que “O objeto do etnógrafo doméstico existe apenas diante das suas relações constitutivas com seu criador”. (2004, p.219).

    A exploração da relação particular entre cineasta e personagem no momento da tomada a partir da encenação-direta firma-se como a matéria-prima narrativa de diversos documentários autobiográficos. O debate acerca deste tipo de encenação funda-se na experiência do MIT Film Section e no desenvolvimento do documentário autobiográfico de Cambridge, como é o caso da obra de cineastas como Ed Pincus (Diaries [1971-1976], 1980), Ross McElwee (Sherman’s March e filmes posteriores), Nina Davenport (First Comes Love, 2013), entre outros. Este debate também permeia de maneira significativa filmes de cineastas diversos como Tom Joslin (Silverlake Life: The view from Here, 1993) e Maria Clara Escobar (Os Dias Com Ele, 2013). Abordaremos algumas das particularidades da encenação-direta nos documentários autobiográficos a partir destes e outros exemplos.

Bibliografia

    EGAN, Susanna. Encounters in Camera: Autobiography as Interaction. Modern Fiction Studies 40.3. p. 593-618, 1994
    KATZ, John Stuart and KATZ, Judith Milstein. “Ethics and the Perception of Ethics in Autobiographical Film,” in Image Ethics, Larry Gross (ed.). New York: Oxford University Press, 1988.
    MACDONALD, Scott. American Ethnographical Film and Personal Documentary: the Cambridge turn. Londres e Los Angeles: University of California Press, 2013.
    PINCUS, Ed. “New Possibilities in Film and the University”. Quarterly Review of Film Studies, Vol.2(2), p.159-178. 1977
    RAMOS, Fernão Pessoa. What is documentary mise-en-scène? Coutinho’s mannerism and Salles’s ‘mauvaise conscience’, Studies in Documentary Film, 8:2, 143-155. 2014
    RENOV, Michael. The Subject of Documentary. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2004
    ROTHMAN, William. “Eternal Vérités” in WARREN, Charles (org.), Beyond Document: Essays in Nonfiction Film. Hanover: N.H. Wesleyan: UP/UP of New England, 1996.

O XX Encontro SOCINE acontecerá na UTP, em Curitiba, de 18 a 21 de outubro de 2016.

A lista dos trabalhos aprovados pode ser acessada aqui. Os associados também podem checar a avaliação final de seus trabalhos pela sua área de associado.

Todos os aprovados precisam realizar o pagamento dentro do prazo para que sua participação seja confirmada. Os valores, após o primeiro prazo, terão acréscimos.

  • PRIMEIRO PRAZO: 25 de julho a 10 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 150,00 – Discentes: R$ 75,00
  • SEGUNDO PRAZO: 11 a 21 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 170,00 – Discentes: R$ 85,00
  • TERCEIRO PRAZO: 22 a 29 de agosto de 2016 – Docentes e profissionais: R$ 200,00 – Discentes: R$ 100,00

Tendo qualquer dúvida ou dificuldade, favor contatar a secretaria no e-mail socine@socine.org.br.

Prezados membros da Socine,

 

Na semana passada foi divulgado o prêmio Compós para teses e dissertações na área de Comunicação.

Gostaríamos aqui de felicitar os vencedores.

Para nossa alegria, os nove premiados – orientandos e orientadores – são membros de nossa Sociedade de Estudos.

Parabéns Clarisse Maria Castro de Alvarenga, André Brasil, Claudia Mesquita, Luis Carlos de Oliveira Jr, Ismail Xavier, Dieison Marconi Pereira, Cássio Tomaim, Erica Ramos Sarmet dos Santos e Mariana Baltar Freire!

 

O resultado

Melhor Tese 2016:  Da cena do contato ao inacabamento da história: Os últimos isolados (1967-1999); Corumbiara (1986-2009); Os Arara (1980-)”

Autora: Clarisse Maria Castro de Alvarenga

Orientador: André Brasil (UFMG)

Co-orientadora: Claudia Mesquita (UFMG)

Menção Honrosa/Tese 2016 : Vertigo, a teoria artística de Alfred Hitchcock e seus desdobramentos no cinema moderno

Autor: Luis Carlos de Oliveira Jr

Orientador: Ismail Xavier (USP)

 Melhor Dissertação 2016:

Documentário queer no Sul do Brasil (2000-2014): narrativas contrassexuais e contradisciplinares nas representações das personagens LGBT

Aluno: Dieison Marconi Pereira (UFSM)

Orientador: Cássio Tomaim  (UFSM)

Menção Honrosa/Dissertação 2016 : Sin porno no hay posporno: corpo, excesso e ambivalência na América Latina

Autora : Erica Ramos Sarmet dos Santos

Orientador : Mariana Baltar Freire (UFF)

Temos a satisfação de informar que os Anais do XIX Encontro da Socine, ocorrido em 2015,  na Unicamp, estão publicados e podem ser acessados pela nossa página.
Mais uma vez, temos duas publicações:

1 – Anais digitais: publicação dos resumos expandidos de todos os trabalhos apresentados no Encontro.

2 – Anais de textos completos: publicação dos textos completos recebidos na chamada de trabalhos.

Agradecemos a participação de todos e esperamos reencontrá-los em Curitiba para o encontro deste ano.

Atenciosamente,

A Diretoria

É com indignação que descobrimos pelos jornais que os novos mandatários do Poder Executivo Federal decidiram extinguir o Ministério da Cultura.

Nossa indignação se deve, primeiramente, à forma autoritária e sem diálogo com a sociedade com que essa medida foi tomada. Nos estarrece que a cultura seja relegada a um segundo plano justamente no momento em que o país passa por tamanha crise política.
O que nos constitui como povo, como pessoas que possuem laços comuns e um sentido de comunidade, não é nosso comércio exterior, nosso sistema financeiro ou nossos projetos para a indústria – todos importantes – mas sim, nossa cultura. É nossa cultura, que inventamos cotidianamente juntos, que nos une e que nos diferencia. Tornar a cultura secundária na organização do Estado é abdicar do povo como um todo, é dizer da irrelevância de nossa capacidade de inventar um lugar comum para vivermos.
Por esses e muitos outros motivos, nós da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual rejeitamos enfaticamente a extinção do Ministério da Cultura.

XXVIII Encontro SOCINE – 2025

XXVIII ENCONTRO SOCINE. De 30 de setembro a 03 de outubro de 2025. Universidade Federal do Pará.

 

XXVII Encontro SOCINE – 2024

XXVII Encontro SOCINE, a ser realizado de 22 a 25 de outubro de 2024 na UFMS, em Campo Grande.

 

XXVI Encontro SOCINE – 2023

XXVI Encontro SOCINE, realizado de 07 a 10 de novembro de 2023 na Unila, em Foz do Iguaçu.

 

XXV Encontro da SOCINE – 2022

XXV Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de novembro de 2022 (presencial) e de 14 a 15 de novembro de 2022 (remoto) na USP, São Paulo.

 

XXIV Encontro da SOCINE – 2021

O XXIV Encontro SOCINE foi realizado em parceria com a ESPM, entre os dias 25 e 29 de outubro de 2021.

 

XXIII Encontro da SOCINE – 2019

XXIII Encontro SOCINE, realizado de 08 a 11 de outubro de 2019 na UNISINOS, em Porto Alegre.

 

XXII Encontro da SOCINE – 2018

O XXII Encontro da SOCINE aconteceu de 23 a 26 de outubro de 2018 na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia.

 

XXI Encontro da SOCINE – 2017

O XXI Encontro da SOCINE aconteceu de 17 a 20 de outubro de 2017 e foi sediado na Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, PB.

 

XX Encontro da SOCINE – 2016

No ano de 2016, quando a SOCINE comemorou 20 anos, o Encontro foi sediado pela UTP- Universidade Tuiuti do Paraná, no Campus Barigui em Curitiba, PR. O tema do evento foi Convergências do | no Cinema.

 

XIX Encontro da SOCINE – 2015

O XIX Encontro da SOCINE foi realizado na Universidade Estadual de Campinas, a UNICAMP, no município de Campinas, Estado de São Paulo.

 

XVIII Encontro SOCINE – 2014

O XVIII Encontro SOCINE foi realizado de 7 a 10 de outubro de 2014, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

 

XVII Encontro SOCINE – 2013

Na sua XVII edição, o Encontro da Socine foi realizado em Palhoça, na Grande Florianópolis, em parceria com a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).